Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

GlĂłria

Vive dentro de mim um mundo raro
TĂŁo vĂĄrio, tĂŁo vibrante, tĂŁo profundo
Que o meu amor indĂłmito e avaro
O oculto raivoso ao outro mundo

E nele vivo audaz, ardentemente,
Sentindo consumir-se a sua chama
Que oscila e desce e sobe inquietamente;
Ouvindo a minha voz que por mim chama

Em situaçÔes grotescas que me ferem,
Ou conquistando o que meus olhos querem:
PrĂ­ncipe ou Rei sonhando com domĂ­nios.

Sinto bem que sĂŁo vĂŁs pra me prenderem
As mĂŁos da Vida, muito embora imperem
Sobre a noção real dos meus declínios.

(in "Dispersos e Inéditos")

Noite de desejo!
O amor penetra e ilumina
Quando a luz se apaga...

O amor-prĂłprio contribui mais para nos enganar do que o artifĂ­cio dos outros.

Esta coisa absurda e magnĂ­fica, entre o muito mau e o bem supremo, que se chama com ligeireza amor.

Os tiranos do amor foram sempre reverenciados.

O amor nos outros Ă© para nĂłs quase sempre incompreensĂ­vel.

IrmĂŁos, a um mesmo tempo, Amor e Morte, / criarei a sorte. / Coisas assim tĂŁo belas / no resto do mundo nĂŁo hĂĄ, nĂŁo hĂĄ nem nas estrelas.

As mulheres escreveram o poema do amor; os homens comentaram-no, mas nĂŁo o compreenderam.

Se Deus quisesse que o amor fosse eterno, teria feito que se mantivessem as condiçÔes do desejo.

O amor Ă© a paixĂŁo das grandes almas e faz-lhes merecer a glĂłria quando nĂŁo dĂĄ volta ao juĂ­zo.

Os arrufos entre amantes podem ser renovaçÔes de amor, mas entre os amigos são deterioraçÔes da amizade.

O mais belo momento de uma mulher (...) Ă© aquele em que, seguros do seu amor, ainda o nĂŁo estamos dos seus favores.

O nosso amor-prĂłprio suporta com mais impaciĂȘncia a condenação dos nossos gostos que a das nossas opiniĂ”es.

O amor, como a vida inteira, estĂĄ cheio de lugares-comuns.

ImpÔe-se ter mais espírito para inspirar amor do que para comandar um exército.

Aquilo que o homem vĂȘ, o Amor torna invisĂ­vel,
e o invisĂ­vel faz ver o Amor.

A castidade Ă© a sombra do amor.

A espécie compromete-se com um casal a que haja amor entre os dois. Mas logo que se apanha servida, vira-lhes as costas e eles que se arranjem.

VergĂ­lio Ferreira
FERREIRA, V., Pensar, Bertrand, 1992

O amor na mocidade é ocupação; na velhice, distração ou alienação.

Gato faminto,
copo-de-leite no vaso.
Amor perfeito.