Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
A RazĂŁo do Amor
Não tem fórmula, nem explicação exata,
nĂŁo se mede em lĂłgica, nem se conta em valor â
é a resposta que o coração desata,
a prĂłpria essĂȘncia do que Ă© viver com amor.
EstĂĄ no olhar que compreende sem falar,
na mĂŁo que ampara quando o caminho Ă© incerto,
é a força que ensina a perdoar,
o refĂșgio do mundo mais aberto.
Sua razĂŁo Ă© simples e profunda:
faz de dois um sĂł, sem perder o prĂłprio ser,
transforma a dor em calma fecunda,
e ensina a alma o jeito certo de crescer.
NĂŁo vem de fora, brota do interior,
Ă© a verdade mais pura que existe â
a razĂŁo do amor Ă© o prĂłprio amor,
que faz a vida ser mais bela e mais forte. đ
O que a ilusĂŁo?
Nas fronteiras dos meus sonhos...
O amor Ă© uma flor ou um espelho.
O amor Ă© ser sensato na razĂŁo.
Ă simplicidade mergulhar no infinito.
Sendo a dor sentimento pequena gota que desdém o universo.
[Verso 1]
Olhar-se no espelho deveria ser
o mais simples gesto de amor,
nĂŁo o altar secreto do ego,
nem um julgamento sobre a cor,
sobre o corpo, o rosto ou a idade,
sobre tudo o que o tempo tocou.
O espelho nĂŁo conhece a alma,
sĂł devolve aquilo que encontrou.
Mas existe um rosto atrĂĄs do rosto,
uma histĂłria atrĂĄs do que restou,
uma criança pedindo cuidado
e um adulto dizendo: âEu aqui estouâ.
O amor-prĂłprio sem amor ao prĂłximo pode se tornar narcisismo.
O amor ao próximo sem amor-próprio pode se tornar anulação.
O amor maduro equilibra ambos.
Quem ama verdadeiramente nĂŁo precisa escolher entre amar o prĂłximo ou amar a si mesmo. O amor autĂȘntico transborda em ambas as direçÔes.
Quem cria um filho para depender de si nĂŁo prolonga o amor; prolonga a infĂąncia. E toda infĂąncia que sobrevive ao tempo acaba se transformando em uma velhice sem autonomia.
HĂĄ pais que passam a vida inteira chamando de amor aquilo que, na verdade, Ă© a mais refinada forma de sabotagem. Blindam os filhos contra a dor, contra a disciplina, contra o ânĂŁoâ, contra as consequĂȘncias⊠e depois se espantam ao descobrir que criaram adultos incapazes de enfrentar a prĂłpria existĂȘncia. Quem elimina todos os obstĂĄculos do caminho do filho nĂŁo facilita a caminhada; elimina o caminhante. No lugar de consciĂȘncia, instala dependĂȘncia. No lugar de carĂĄter, conveniĂȘncia. No lugar de responsabilidade, vitimismo. E, quando os pais jĂĄ nĂŁo conseguem sustentar o peso que criaram, a vida apresenta uma conta que nem dinheiro, nem patrimĂŽnio, nem herança conseguem pagar. Porque a pior pobreza nĂŁo Ă© faltar recursos; Ă© faltar estrutura para existir sem alguĂ©m que continue sustentando aquilo que a educação nunca construiu.
HĂĄ pais que nĂŁo criam filhos; criam dependentes e chamam isso de amor. Alimentam cada capricho, negociam cada limite, compram cada silĂȘncio, removem cada consequĂȘncia e, no fim, aplaudem uma obediĂȘncia que nunca foi virtude, mas conveniĂȘncia. O que chamam de proteção Ă©, muitas vezes, medo de frustrar; o que chamam de cuidado Ă© incapacidade de educar; o que chamam de amor Ă© apenas a recusa em suportar o desconforto de dizer ânĂŁoâ. Cada responsabilidade assumida no lugar do filho Ă© um pedaço de carĂĄter que deixa de ser construĂdo. Cada dificuldade evitada Ă© uma força que deixa de nascer. Pais que fazem da prĂłpria vida um escudo permanente nĂŁo estĂŁo preparando os filhos para o mundo; estĂŁo preparando o mundo para carregar filhos que eles mesmos decidiram nĂŁo formar. A tragĂ©dia nĂŁo começa quando os pais morrem. Ela começa no exato instante em que deixam de educar e passam a servir. Porque o pior abandono nĂŁo Ă© deixar um filho sozinho; Ă© entregĂĄ-lo Ă vida sem consciĂȘncia, sem disciplina e sem a capacidade de existir sem depender de alguĂ©m.
A vida nunca premiou os amaDORES que confundiram amor com superproteção, nem os poupaDORES que sequestraram dos filhos o direito de enfrentar a realidade. A vida sempre pertenceu aos enfrentaDORES. Porque quem poupa um filho da dor nĂŁo o livra do sofrimento; apenas adia o encontro com ele, tornando-o maior, mais caro e, muitas vezes, irreversĂvel. Pais que retiram cada pedra do caminho acabam retirando dos prĂłprios filhos a capacidade de caminhar. No afĂŁ de evitar lĂĄgrimas, fabricam fraquezas. No medo de decepcionar, educam para a dependĂȘncia. No excesso de ajuda, condenam Ă escassez de carĂĄter. O amor que nĂŁo disciplina deixa de formar e passa a deformar. E a pior deformidade nĂŁo Ă© a do corpo, mas a de uma consciĂȘncia que acredita que viver Ă© encontrar alguĂ©m disposto a carregĂĄ-la para sempre.
Pais que transformam o amor em superproteção deixam de criar filhos e passam a fabricar dependĂȘncia. O conforto que oferecem hoje pode ser a incapacidade que condenarĂĄ o amanhĂŁ.
Vamos repensar?
Erich Fromm â âO amor Ă© uma arte.â
âUma sociedade que ensina a consumir tudo desaprende a cultivar algo. O amor deixou de ser uma construção diĂĄria e passou a ser uma expectativa imediata.â
Carlos Eduardo Balcarse
Antes de se conectar com o mundo, aprenda a se reconectar com vocĂȘ...
O amor-prĂłprio Ă© a senha da cura.
O Natal não é para lembrar de quem se esqueceu o ano inteiro, mas para ensinar que amor não se pratica em datas, se prova na presença diåria.
Amor nĂŁo se embrulha
Neste final de ano,
muitos pais abriram caixas,
laços bem feitos,
sorrisos ensaiados.
Ganharam o que brilha,
o que se compra,
o que se exibe,
o que termina no uso.
Mas o que muitos desejam
nĂŁo vem com etiqueta...
querem ternura sem data,
abraço que não tenha pressa.
Querem cuidado cotidiano,
presença que não negocia,
escuta que nĂŁo se ausenta,
amor que nĂŁo pede ocasiĂŁo.
Um dia, quem hoje presenteia
também sentirå o peso do tempo,
e aprenderĂĄ, tarde ou cedo...
Que carinho verdadeiro nĂŁo se embrulha.
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