Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

O amor nunca falha, havendo profecias serĂŁo aniquiladas, havendo ciĂȘncias cessarĂŁo.

Jesus Cristo
BĂ­blia, CorĂ­ntios 13:8

Eu acredito no amor. Não como uma salvação.
Mas como um prĂȘmio de quem consegue se achar.
E se conhecer.

O amor atrai amor.

Amor (...) é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor verdadeiro, porque o amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusÔes.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crĂŽnica Atualidade do ovo e da galinha (II).

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Cada noite que Deus dĂĄ
meu amor, que esta no céu
despetala uma estrelinha
para ver se ainda o quero.

O Ăłdio Ă© tĂŁo cego quanto o amor

A Fome e o Amor

A um monstro

Fome! E, na Ăąnsia voraz que, ĂĄvida, aumenta,
Receando outras mandĂ­bulas a esbangem,
Os dentes antropĂłfagos que rangem,
Antes da refeição sanguinolenta!

Amor! E a satirĂ­asis sedenta,
Rugindo, enquanto as almas se confrangem,
Todas as danaçÔes sexuais que abrangem
A apolĂ­nica besta famulenta!

Ambos assim, tragando a ambiĂȘncia vasta,
No desembestamento que os arrasta,
SuperexcitadĂ­ssimos, os dois

Representam, no ardor dos seus assomos
A alegoria do que outrora fomos
E a imagem bronca do que inda hoje sois!

Augusto dos Anjos
ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

SABES RECEBER O AMOR?

Do ponto de vista de quem recebe, o amor ganha contornos bem diferentes daqueles existentes do ponto de vista de quem dĂĄ. E Ă© tĂŁo raro o empate entre dar e receber! HĂĄ pessoas absolutamente incapazes de receber o amor. Outras hĂĄ que filtram o amor recebido segundo a sua maneira de ser, reduzindo (ou ampliando) o afeto ganho atravĂ©s de suas lentes (existenciais) de aumento ou diminuição. Quem pode dizer com segurança que sabe avaliar o amor recebido? Outras hĂĄ, ainda, que sĂł conseguem amar quando recebem amor, nĂŁo admitindo dar sem receber. HĂĄ, tambĂ©m, o tipo de pessoa que nĂŁo darĂĄ (amor) jamais, pois sĂł sabe receber. E existe aquela outra que quer e precisa receber, porĂ©m nĂŁo sabe o que fazer quando (e quanto) recebe e transforma-se, entĂŁo, numa carĂȘncia viva a andar por aĂ­, em todos despertando (por insuspeitadas habilidades) o desejo de algo lhe dar.

Receber o amor Ă© como saber gastar (gostar?). JĂĄ reparou que hĂĄ pessoas que nĂŁo sabem gastar? Muitas sabem ganhar muito dinheiro, mas depois nĂŁo o sabem gastar. Receber o amor Ă© como saber gastar (gastar o amor de quem lhe estĂĄ dando). É necessĂĄrio fazer com que o investimento recebido renda frutos, juros e dividendos em que o recebe, para novos investimentos e lucros humanos. HĂĄ quem o saiba fazer (ou seja, saiba receber). HĂĄ quem nĂŁo o saiba e gaste o (amor) recebido de uma sĂł vez, sem qualquer noção do quanto custou para quem o deu.

O problema de receber o amor é fundamental, porque ele determina o prosseguimento ou não da doação.

O nĂșcleo do problema estĂĄ na forma pela qual cada pessoa recebe o amor, modelando-o.

De que valerå um amor maior do que o mundo, se a forma pela qual se o recebe é diminuta? Um amor de pequena estatura doado a alguém pode ser recebido como a dådiva suprema. Serå (soarå), então, enorme!

Daí que amor estå também, além de dar, em saber receber. Saber receber, embora pareça passivo, é ativo. Receber, se possível avaliando a intensidade com que é dado e, se for mais possível, ainda, retribuir na exata medida. Saber receber é tão amar quanto doar um amor.

Se todos soubessem receber, não haveria a graça infinita dos desencontros do amor, geradores dos encontros.

Receber o amor Ă© tĂŁo difĂ­cil quanto amar! É que amar desobriga e receber o amor parece que prende as pessoas, tutela-as e aprisiona-as quando deveria ser exatamente o contrĂĄrio, pois saber receber Ă© tĂŁo grandioso e difĂ­cil quanto saber dar.

Amor Ă© quando vocĂȘ sabe tintim por tintim as razĂ”es que impedem o seu relacionamento de dar certo, Ă© quando vocĂȘ tem certeza de que seriam muito infelizes juntos, Ă© quando vocĂȘ nĂŁo tem a menor esperança de um milagre acontecer, e essa sensatez toda nĂŁo impede de fazĂȘ-lo chorar escondido quando ouve uma mĂșsica careta que lembra os seus 14 anos, quando vocĂȘ acreditava em milagres.

Tanto amor querendo fazer alguém feliz. Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado

Morre de amor quem Ă© capaz.

Chico Buarque

Nota: Trecho da mĂșsica SĂ­lvia.

SĂł que precisa cuidado pra perceber que olhar sĂł pra dentro Ă© o maior desperdĂ­cio. O teu amor pode estar do seu lado


Nando Reis

Nota: Trecho da letra da mĂșsica "Do Seu Lado"

Quem deve ser eu e aonde deve estar vocĂȘ, meu amor?

Ainda Ă© cedo e eu preciso de amor. SĂł um pouquinho de amor... Quero que ele veja o quanto mudei por causa dele, na esperança de que seu riso congelado saia do automĂĄtico e eu ganhe um Ășnico sorriso verdadeiro... Talvez meu amor tenha aprendido a ser menos amor sĂł para nunca deixar de ser amor.

Hå sempre um perigo no amor que tem utilidade. Enquanto o outro exerce uma função na nossa vida, corremos o risco de não experimentar o amor gratuito(...) A utilidade pode parecer amor, mas não é. Amor que se fundamenta na utilidade que o outro tem corre o risco de se transformar em abandono num futuro próximo.

Padre FĂĄbio de Melo
Tempo de esperas - O itinerĂĄrio de um florescer humano

Os botÔes fragrantes ås vezes dão abrigo a lagartas; o amor devorador, de igual maneira, demora nos espíritos sublimes.

Porque quando o amor existe, o que nĂŁo existe Ă© tempo pra sofrer.

Que o amor seja um abraço prolongado com uma Ășnica intenção: cuidar.

Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se vocĂȘ nĂŁo conseguiu, se a vida nĂŁo deu, ou ele partiu – sem o menor pudor, invente um. Pode ser NatĂĄlia Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessĂ­vel, que vocĂȘ possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do PacĂ­fico Sul, GrĂ©cia, CancĂșn ou Miami, ao gosto do freguĂȘs. Que se possa sonhar, isso Ă© que conta, com mĂŁos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convĂ©s Ă  lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.

Caio Fernando Abreu
Pequenas epifanias. Rio de Janeiro: Agir, 2006.

Nota: Trecho da crÎnica SugestÔes para atravessar agosto, publicada originalmente no jornal "O Estado de S. Paulo", em 6 de agosto de 1999.

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A razĂŁo e o amor sĂŁo eternos inimigos.