Incerto
Quem vós engana para conseguir o que desejas?
Pois te falta espelhos pra ver tuas faltas...
És terra, és lodo, és pó...
És vazio na alheia cama...
Mas não te digo, nem te lembro nada...
Enquanto entre risadas vaga...
O tempo vil, que tudo troca, e muda...
Sem perdão, de outrora sem culpa...
Desgasta o que cultua...
E te levará à cova...
São dias de febre na cabeça...
E não sentes o que te corrói...
Num jardim onde há flores sem hastes...
Dá-se sua alma em troca...
Finges uma lágrima enquanto chora...
A ti e aos teus no correr do tempo...
Somente enganas a tu mesmo...
Enquanto apodrece a alma...
Triste e dúbia luz em que vives...
Cuja vaidade lhe assombra...
Entre falsas lisonjas caminhas...
Em suas tristes e perdidas horas...
Eu dar-vos-ia as estrelas...
Se realmente soubesses amar...
Mas que triste ironia...
Nem isso anseias por sonhar...
Nem batalhas, nem paz tens...
Apenas um grito na memória...
Apenas dia após dia...
Apenas noite que vai e vem...
Se alguma qualidade pode ser preferida...
Não a restrinja...
És só...
Não tem ninguém...
Redemoinho de ventos...
A desenhar seus próprios pés...
Incerto destino te procura...
Enquanto vagas na realidade crua...
Enquanto singra pelas noites e ruas...
Seria hipócrita se dissesse...
Que sendo assim não te quero...
Contundo cresce em mim a paixão...
Desde que apenas com um único olhar seu...
Roubaste meu coração...
Sandro Paschoal Nogueira
O acaso e a sorte só podem completar a minha vida pelas possíveis ideológicas incertezas mas não é digno e nem honrado, pensar neste artificio incerto para complementar meu justo compromisso na vida de ninguém.
Todo o crime contra a vida é abonável sempre, independente dos motivos, justificativas e alegações em qualquer cultura civilizada.
Ganhamos generosamente pelos nossos acertos mas não pagamos a conta, ínfima que seja pelos nossos erros.
Em seu caminho não há nada certo.
Há uma hesitação, um ritmo mais lento, mas não teme o sopro do vento.
Ela sonha com um futuro sereno, um caminho seguro, sem desatino e muros.
Em seu íntimo, um mar de emoção; por fora, a calmaria mais azul.
Em seu peito, um desejo a pulsar, o desejo de não deixar a paz escapar.
Ela, mulher de espírito tranquilo e maduro, carrega em si um amor puro e, no coração, uma doce demora, como um beijo que o tempo devora.
Adoro sonhar os meus sonhos, até porque alguns se realizam no momento certo. Pois acontecem no presente, este sendo abraçado pelo futuro que insiste em passar o meu tempo, tudo para me presentear.
Essas certezas sempre tão incertas me movem como nuvem ao vento, esperando tudo, pronto para nada, mas assim, em movimento.
Amar tanto quanto estar longe for mais errado que perto, sabendo que estar não deixará de ser incerto, e certo demais para parecer um desconserto.
