Imperdoável
Qualquer pessoa publica comete um erro grave, imperdoável e desnecessário, toda vez que toma partido diante um fato histórico que não viveu.
Geramos toneladas de lixo por causa da nossa imperdoável preguiça e a justificativa infantil e falsa numa falta de tempo em produzir nossas refeições que representa apenas mais uma das nossas desorganizações diárias.
Imperdoável Ser
Abandonado pelo pai eu fui,
Primogênito de Deus...
Porque? Óh pai!
Porque me jogaste na Terra?
Só porque quis ser como você?
Assim como qualquer filho deseja ser como o pai?
Porque me chama de inimigo? Sou apenas
a sua criação, assim como o homem também é...
Tudo o que sou veio de ti, nada mais, nada menos.
Sabia meu futuro mas me deixaste cair mesmo assim,
e ainda me condenaste a morte eterna no fogo do inferno.
Tudo o que eu quero é justiça!
Óh pai!
Perdoaste o homem, mesmo após tê-lo expulso do Éden.
Mas e a mim? Fui expulso do céu, mas não me deste
uma segunda chance, diferente das inúmeras que já
deu para seus bichinhos de estimação...
E tudo o que eu queria era ser como o pai...
Perdoar o imperdoável me torna mais humano?
Essa pergunta me pegou desprevenido. Não veio de um livro de filosofia, nem de uma conversa profunda. Veio de um episódio de uma série de advogados. Mas a ficção tem esse poder estranho de, às vezes, nos despir por dentro.
Mike Ross mentiu. Construiu sua carreira sobre um engano. Por mais brilhante que seja, sua história é marcada por uma fraude. E quando a verdade ameaça vir à tona, tudo parece ruir. Do outro lado, Louis Litt — o guardião das regras, o homem que respira justiça e vive pela letra fria da lei — se vê diante de uma escolha: expor Mike, ou poupá-lo.
E então ele faz o improvável: perdoa.
Não porque Mike mereça. Não porque a situação peça isso. Mas porque, naquele instante, algo mais forte que a regra sussurra dentro dele: a compaixão.
Justiça e misericórdia: não basta uma sem a outra
Esse gesto me confrontou. E me revelou.
Muitas vezes, somos ensinados a escolher entre dois caminhos: ser justo ou ser misericordioso. Como se um anulasse o outro. Mas a verdade é que uma sociedade — e uma consciência — só amadurecem de verdade quando aprendem a equilibrar os dois.
É preciso ser justo. É preciso praticar a justiça. Mas também é preciso saber o que é misericórdia. E praticá-la.
Justiça sem misericórdia se torna crueldade.
Misericórdia sem justiça vira permissividade.
Unidas, elas produzem sabedoria. Produzem humanidade.
O dilema que habita em todos nós
Perdoar o imperdoável não é apagar o erro. É olhar para ele com os olhos de quem também já errou. É reconhecer que há uma dor por trás da culpa, uma história por trás da escolha errada.
Louis, naquele episódio, não nega a verdade. Ele apenas escolhe não deixar que a verdade se torne uma arma de destruição. Ele escolhe algo raro: a humanidade em sua forma mais nobre — o perdão consciente.
Ser justo, mas ser mais do que isso
A grandeza não está em aplicar friamente a regra, mas em saber quando a regra já não basta. Em saber quando o gesto humano precisa ir além da letra. Porque há momentos em que seguir a lei não é o bastante — é preciso seguir a consciência.
E foi isso que me tocou. Porque eu vi em mim a rigidez que cobra, mas não acolhe. Vi em mim a pressa em julgar, o medo de errar, a dificuldade de ceder. E entendi, com um nó na garganta, que ser humano não é ser impecável — é ser capaz de compaixão mesmo diante da quebra.
Talvez seja isso que nos refine:
A capacidade de olhar o outro — e a nós mesmos — com verdade, mas também com ternura.
De dizer: sim, houve erro.
Mas também dizer: ainda assim, há espaço para recomeçar.
Ser justo é necessário. Mas saber perdoar com consciência — isso é maturidade.
E quando conseguimos unir esses dois mundos, nos tornamos profundamente humanos.
Te amei mais do que me amei.
Te amei mais do que ao próximo.
E em meu pecado imperdoável
Te amei mais do que a Deus
E sobre todas as coisas.
Absolvição de um Pecado Imperdoável
Perdoe-me Pai.
Peço desculpas Senhor todo poderoso,
Peço que me absolva Deus meu, porque errei,
Um erro imperdoável (inaceitável).
Transgredi o mais importante,
Grandioso e definitivo mandamento
E como se não fosse o bastante,
Violei também o segundo maior,
Aquele que o teu próprio filho proclamou.
Mas não espero que me perdoe,
Não espero perdão, por cometer
A mais grave dentre todas as faltas,
Porque meu pedido não é sincero,
Não, não o é.
Se me entregasse à sinceridade,
Expondo-lhe tudo aquilo que interiorizo,
Lhe confessaria que descumpri
Os mandamentos mais sagrados,
Pois acurralado por meus sentimentos,
Não pude defender-me e cedi.
Cedi ao que me foi avassalador,
Dominante, devorador, atropelante,
Predominante, preponderante.
Cedi a Ela.
Entreguei-me a Ela.
Vendi-me a Ela.
Engrandeci, amadureci, desfaleci,
Me restitui por Ela.
Te amei mais do que me amei.
Te amei mais do que ao próximo.
E em meu pecado imperdoável
Te amei mais do que a Deus
E sobre todas as coisas.
Contudo, se o ato de amar liberta,
Cumpro minha pena livre.
Sou um condenado,
Obrigado a responder em liberdade.
Te amei mais do que me amei.
Mais do que ao próximo.
Mais do que a Deus.
Mais e sobre todas as coisas.
Ps. Absolvição de um pecado imperdoável,
concedida a um condenado respondendo em liberdade.
Ele é incontrolável, mas nos controla;
Ele é administrável, porém imperdoável;
Ele nos traz experiências e leva decepções;
Ele permite inovações e correções;
Ele passa, cura, machuca e sempre perdura;
Ele estava no passado, está no presente e estará no futuro;
Ele é o tempo!
