Idoso e Velhinhos
Eu prefiro ser um idoso pobre que se senta nas calçadas contando histórias para todos que passam, do que ser um idoso milionário dentro de suas mansões, que não tem histórias para contar, nem para quem contar suas histórias.
A TELEVISÃO É BRANCA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Com toda a militância em favor do idoso, do homossexual, dos portadores de necessidades especiais entre outros grupos, o que revela um grande avanço de mentalidade nas mídias e aproxima um pouco, ficção de realidade, a televisão insiste nesse preconceito que nos apresenta uma sociedade praticamente sem negros. Das novelas aos noticiários, dos programas de auditório aos de humor, dos reality shows aos comerciais, o negro é aquele que surge quando a consciência da cúpula pesa ou aponta para um código inevitável de ética. Muitas vezes, um dispositivo da lei.
Trata-se de uma regra cuja exceção se mostra, bem a contragosto, se determinada história ou o produto se enquadra num contexto em que a presença do negro é indispensável, sob pena de toda a trama ou apelo comercial soar extremamente falso. Nas tramas, por exemplo, quando as histórias estão ambientadas em tempos de escravidão, não há como apresentar senhores de engenhos e ao mesmo tempo esconder seus escravos negros do telespectador. Se fosse possível, mesmo nesse contexto haveria exclusão. A participação do negro seria limitada. Seria cota ou exceção, de acordo com os critérios abertamente preconceituosos da emissora.
Qualquer pessoa que tenha dúvida ou simplesmente os olhos fechados para essa realidade, poderá dispensar estes argumentos e tirar suas conclusões, caso aceite se armar de boa fé ou de olhares atentos para o que verá. Para isto, bastará fazer uma comparação sincera, criteriosa e ativa entre o número de negros de todas as classes sociais existentes nas ruas e nos mais diversos ambientes, e o número de negros, também de todas as classes sociais, existentes na mídia. Especialmente na televisão. Depois disso responda para si mesmo, se a sociedade sem negros ou na qual o negro é exceção corresponde ao Brasil onde você vive.
Bebê - passividade
Criança - proatividade
Adolescente - pre-atividade
Adulto - atividade
Idoso - pos-atividade
A reatividade é uma escolha!
Deseja feliz ano novo é assinar um atestado em branco quando se vive num país que despreza o idoso e não "dá bola" para as políticas públicas
A vida vista do olhar de um idoso nunca é o mesmo do olhar de uma criança, porém há um tempero que une o idoso a criancinha que se alegra para a vida.
Sou idoso, mas ainda tenho alegria, sinto tristeza, sinto dores, sinto saudades, ainda estou VIVO!!!
Há um pensamento incutido nos jovens de grande parte das culturas, de que a população com idade mais avançada é tão inútil e facilmente descartável quanto um saco de batatas.
A velhice é a época em que nos libertamos da tirania da beleza, da escravidão do tempo, do ardor arrebatador das paixões e livres das amarras desses vilões experimentamos a ousadia de ser quem, de fato, somos.
Quando chegardes à minha idade, tereis sabido que não precisarás de pressa e sim, de Paciência e muita Fé!
Eu atravesso o mar
Pelas ruas da cidade
Sob os raios desse Sol
Curto minha mocidade
E quando entardecer
E a velhice acontecer
Ganharei longevidade
Nós não podemos impedir que a velhice chegue e apague a luz da juventude do nosso lado de fora, mas a do lado de dentro só é possível apagar com a nossa permissão.
Se tomarmos o envelhecer apenas como uma etapa de vida a vencer, tenderemos a perder o foco nas ferramentas de melhorar nossa saúde e qualidade de vida.
Um homem não deveria chegar ao fim da vida com as mãos vazias e solitário.
Quando compreendemos o que é a condição dos velhos, não podemos contentar-nos em reivindicar uma “política da velhice” mais generosa, uma elevação das pensões, habitações sadias, lazeres organizados. É todo o sistema que está em jogo, e a reivindicação só pode ser radical: mudar a vida.
“Tanto faz o dia em que estamos, mamãe me pergunta o tempo todo que dia é esse. Ela está vivendo em um tempo fora do tempo, em um espaço quase sem lembranças.
Por mais que procure algo familiar aqui na minha casa, ela não o encontra, quer as amigas, o cheiro de fumaça de caminhão, o barulho do escapamento, este lugar não cabe no coração dela.
É como se flutuasse acima do mundo real e se protegesse de tudo com esse manto de insanidade.
Ela tenta se agarrar às lembranças das avós, dos irmãos quando eram crianças, na tentativa de resgatar a mulher que ela está perdendo.”
Meus pais pediam insistentemente, para eu leva-los de volta para casa.
Papai nunca saiu de sua casa, mas a casa saiu dele; mamãe morava comigo, mas nunca saiu daquela casa, que ela sonhava retornar.
Aos poucos eu fui entendendo o que significava “voltar para casa”. Eles querem resgatar a casa que um dia abrigou Felicidade, na verdade eles queriam voltar para aquela Felicidade.
Não era a casa de tijolos e portas, janelas e piso rangendo.
Era a casa que abrigava o barulho das crianças brincando; o cheiro de café e o gosto de bolo de fubá; o perfume do travesseiro, que guardava seus segredos; o cheiro do bife que só mamãe sabia preparar; o perfume do dia de limpeza e o cheiro da pipoca.
A casa era a maçaneta da porta rangendo, quando papai voltava do trabalho; ou o pano de chão sobre o tapete, que mamãe insistia em colocar para manter o tapete limpo.
A casa para onde eles querem voltar é feita dos detalhes da torneira pingando, que papai adorava consertar; do batente arranhado pelas escaladas das crianças inquietas; é a casa que abrigou o sonho de família, de felicidade, de prosperidade; a casa paga em muitas prestações, e cada uma delas tinha um gosto de vitória…
Eles querem morar naquela felicidade, e eu também”
