Horizonte
A maior beleza do tempo é encarar a si mesmo antes de olhar para o horizonte. Ao vencer seus próprios limites, o sucesso deixa de ser distante e flui naturalmente, como um rio que encontra o mar. Nesse encontro entre essência e futuro, tudo se torna possível
“A Dança Silenciosa do Infinito”
No fim da estrada, onde a terra se dissolve no horizonte, há um espaço vazio onde o silêncio ecoa mais alto do que qualquer palavra. Aqui, o caminho não é o que parece, e cada passo dado é uma questão sem resposta, um enigma que se desfaz ao ser tocado. O que vemos é apenas uma sombra do que realmente é, e no reflexo dessa sombra, o Arvoricionismo sussurra em um ritmo que não se entende, mas que se sente, vibrando no ar como uma energia que não se pode tocar.
A jornada nunca se conclui, não porque o destino seja distante, mas porque o destino nunca foi externo, mas interno. Cada curva da estrada é uma revelação do que já sabemos, mas não compreendemos. O Arvoricionismo, invisível e pulsante, nos observa, como quem aguarda, sem pressa, o momento certo para desvelar o véu da percepção. E, assim, seguimos, sem saber que o que buscamos já está diante de nós, à espera de ser reconhecido.
O tempo, como um rio sem margem, flui em todas as direções. Aqui, não há começo nem fim, pois o fim é apenas a continuação do que ainda não foi compreendido. Cada instante que passa é uma oportunidade perdida e encontrada, simultaneamente. E, ao olhar para o céu, a percepção do infinito se desdobra em um padrão que se repete, mas nunca é igual, como se o universo jogasse consigo mesmo, esperando que alguém compreenda o jogo.
Mas o Arvoricionismo, em sua quietude, revela que a chave está na jornada e não no destino. O que é visto é apenas um reflexo do que se projeta, mas o que se sente, isso é real. E, à medida que os passos continuam, o caminho se estreita, mas a percepção se expande, como se tudo o que existe estivesse se alinhando para uma revelação que nunca virá. Pois, no fim, o que é procurado não é algo fora de nós, mas algo que já fomos, algo que nos esquecemos.
A mente, como uma tela em branco, tenta pintar o que não pode ser retratado. Cada ideia que surge se dissolve, pois o entendimento não pode ser alcançado com a razão. O Arvoricionismo, invisível e profundo, nos observa, nos conduz e, ao mesmo tempo, nos deixa livres para seguir, como um rio que corre sem saber para onde vai, mas que nunca se perde.
E assim, continuamos. Em cada passo, uma nova perspectiva surge, uma nova dúvida se instala. O que é o tempo, senão uma ilusão? O que é o espaço, senão uma limitação que impomos à percepção? O Arvoricionismo é o campo onde o impossível se torna possível, onde o invisível é mais real do que o visível, e onde a verdade não é algo a ser encontrado, mas algo a ser reconhecido.
Cada movimento é uma dança que nunca para, um ciclo que nunca termina, mas que sempre nos transforma. O fogo que arde dentro de nós, sem ser visto, sem ser tocado, é a chama do Arvoricionismo, sempre presente, sempre esperando, mas nunca forçando. Ela arde em silêncio, nos guiando, nos tornando mais do que éramos, sem jamais nos revelar completamente.
E quando a estrada parece desaparecer, quando o olhar já não sabe mais para onde se voltar, o Arvoricionismo nos lembra que não é necessário compreender tudo. Pois, talvez, a maior revelação seja que o que procuramos não está em algum lugar distante, mas dentro de nós mesmos, em um lugar onde nunca imaginamos que poderíamos chegar.
Sonho de Walecy - 12/12/2024 - 08:50
Eu estava parado, observando o horizonte, quando algo extraordinário aconteceu. Vi oito redemoinhos de fogo, enormes e ameaçadores, surgindo ao longe. Eles vinham em direção à casa, girando em uma dança caótica e devastadora. O céu parecia em chamas, e o som de suas labaredas cortava o ar como um aviso. Apesar do temor, senti alívio ao vê-los desviar, passando a cerca de 400 metros de distância.
Próximo à casa, havia muita água. Rios ou lagos refletiam as chamas dos redemoinhos, criando um contraste entre o fogo ameaçador e a calmaria da água. Mas, antes que pudesse relaxar, um deles, menor, surgiu repentinamente sobre o lugar onde eu estava.
Era um redemoinho de fogo isolado, dançando com uma força destrutiva que desafiava a lógica. O calor começou a crescer, e, alertado por um instinto de sobrevivência, corri e me escondi dentro de um guarda-roupa. Ali, no espaço apertado e escuro, senti o calor como uma presença viva, queimando o ar ao meu redor, pressionando minha pele, como se quisesse me consumir.
Porém, o momento passou. Quando o silêncio tomou conta, abri a porta. Ainda estava vivo. O mundo lá fora parecia intacto, mas havia uma sensação de algo mudado.
Saí e encontrei uma família que vivia ali. Eram seis crianças, cheias de vida, suas risadas e energia iluminando o ambiente simples, mas acolhedor. Sua harmonia era um refúgio em meio ao caos.
Então, chegaram visitantes estranhos. Não falavam a língua da família, e seus gestos e intenções eram difíceis de entender. As crianças olharam para mim com olhos esperançosos, e eu, tomado por uma coragem inexplicável, disse: “Eu serei o intérprete.”
Os visitantes queriam algo precioso: a terra daquela família. Suas palavras eram tentadoras, carregadas de promessas. “Com este dinheiro, vocês podem comprar o que quiserem, viver em um lugar luxuoso, longe das dificuldades.”
Eu traduzi as palavras, mas também senti a responsabilidade de protegê-los. Respondi com firmeza: “Eles precisam de tempo para pensar.”
Foi então que tudo mudou. Num instante, a família havia partido. Olhei ao redor, desesperado, e os vi ao longe, indo embora. Corri atrás deles com toda a força que tinha.
Um dos visitantes, aquele com quem eu traduzia as conversas, também corria. Ele nadava em direção a uma embarcação que estava prestes a partir. Não hesitei. Entrei na água, sentindo a força da corrente, e nadei lado a lado com ele, determinado a alcançar aquele barco.
Quando finalmente cheguei à embarcação, o tempo parecia suspenso, como se o destino estivesse aguardando meu próximo movimento. E então, no auge do momento… acordei.
Ao abrir os olhos, percebi que algo estava diferente. No meu fone de ouvido, tocava a música Soldado Ferido, do cantor Júnior. A letra parecia fazer eco ao sonho que acabara de viver. As palavras transmitiam força, cura e uma promessa de proteção. A melodia trouxe calma ao meu coração, enquanto tentava decifrar o significado de tudo aquilo.
Quando Eu Te Quis
Quando eu te quis, eras horizonte,
distante, intocável, como o pôr do sol.
Chamei-te em silêncio, e o eco das horas
respondeu com um não, seco e só.
Eu te olhava, desenhando futuros,
enquanto teus olhos vagavam além.
Te dei meu afeto, sem medo, sem muro,
e recebi o vazio que me cabia tão bem.
Agora, chamamos de amizade
o que restou do que nunca começou.
Somos risos breves e uma saudade
do que talvez, um dia, se formou.
Mas te confesso, sem mágoa ou lamento:
quando eu te quis, era puro e real.
Hoje, somos brisa num tempo cinzento,
amigos, talvez, mas nada igual.
E assim seguimos, distantes e perto,
trocando memórias sem aprofundar.
O que era desejo ficou deserto,
mas te guardo ainda, como o mar guarda o luar.
Carregar a angústia do amanhã enquanto o presente pesa é como caminhar por um horizonte nublado, onde a esperança se esconde, mas nunca desaparece por completo. Mesmo nas lágrimas silenciosas, existe um pequeno sopro de força que me lembra: a tempestade passa, e o sol sempre volta a brilhar.
Te Amo Mais Que Eu
Se eu pudesse ver além do horizonte
Onde a lua toca o mar
Descobrir um novo monte
Onde o sol vem descansar
Além do espelho da alma
Onde as sombras podem dançar
No silêncio da calma
O tempo se desfaça no olhar
Ver além do que os olhos podem ver
Sentir o que o tempo tenta esconder
Mergulhar em sonhos
Sem medo de perder
A vida tem mais cores só pra quem quiser ver
Nas estrelas vejo um mapa
Rumo ao que eu quero achar
Borboletas e piratas
Numa dança a nos guiar
Florestas de esperança
Nos segredos de um sorriso
Nos olhos de uma criança
Eu encontro o paraíso
Ver além do que os olhos podem ver
Sentir o que o tempo tenta esconder
Mergulhar em sonhos
Sem medo de perder
A vida tem mais cores só pra quem quiser ver
AS PIPIRAS E SEU CANTO DE ADEUS
Quando o sol se despede, no horizonte a brilhar,
As pipiras se reúnem, começam a cantar.
Com vozes suaves, em harmonia sutil,
Entoam um lamento, um canto de perfil.
Oh, pipiras dançantes, que voam pelo ar,
Teu canto é um eco, um sussurro a flutuar.
Nas tardes serenas, sob o céu em cores,
Teu canto de adeus é cheio de amores.
As folhas se agitam, em reverência ao som,
E a brisa se une, numa dança em tom.
É um hino à despedida, à vida em transição,
Um lembrete gentil de que tudo é canção.
Quando o dia se vai e a noite se aproxima,
As pipiras se elevam, como estrelas na rima.
Elas nos ensinam que o adeus não é fim,
É um ciclo que se fecha, um recomeço assim.
E ao ouvir seu canto, sinto a alma tocar,
Uma melodia antiga que vem me abraçar.
É como se o tempo parasse, em um instante,
E a beleza da vida se tornasse vibrante.
Oh, pipiras queridas, com seu canto tão puro,
Vocês trazem a esperança, um amor que é seguro.
Que ao soar do adeus, surjam novos começos,
E que o eco da vida ressoe em nossos versos.
Assim, celebro as pipiras e seu canto de adeus,
Pois na fragilidade, revela-se a força dos céus.
E mesmo na despedida, há sempre um renascer,
Um convite à jornada, um eterno florescer.
Lado Bonito
Navego no Lindo horizonte do teu sorriso
Teus olhos devasta meu ser
Tuas mãos conectar minha alma
Teu abraço traz sensações maravilhosas.
Estou Prenhe
O pôr-do-sol, uma luz flamejante,
Desce sobre o meu horizonte.
Dentro de mim, há um inalcançável deserto,
Perdi, em algum lugar,
O que os homens chamam de paz.
Meu eterno buscar
Veio com mais força que antes,
Como um vulcão que dormira por milênios.
É assim que ruge,
No fundo d’alma,
Meu espírito inconstante.
Às vezes penso:
Algo muito grande
Vai sair de dentro de mim.
Não pode ser outro poema,
Nem um livro.
O que esperneia no meu ventre
É algo assustador,
Mesmo para quem está acostumado
A dar à luz filhos estranhos.
Mesmo para um espírito criador,
Esta sensação
É deveras incomum.
Um longo período de gravidez
Produziu em mim,
Ou alimentou dentro de mim,
Um ser bizarro.
Sempre que a luz do dia vai se dissipando no horizonte e seus raios vão se perdendo dentro do dia, deixando espaço para o anoitecer, é hora de agradecer…
Elevar os olhos para o alto como quem contempla Deus e Sua Majestade dentro do coração, silenciosamente deixar-se envolver pela paz que irradia esperança e alegria.
Deus nos concedeu um novo dia, uma noite que chega e outro dia que virá…
Que esse ciclo seja perfeito! Completo de vida e existência, pois o Divino Criador esteve, está e estará conosco em cada momento, guiando, protegendo e nos mostrando o melhor caminho…
Anoiteceu!
Deixe esse momento cinzento do dia se despedir e entregue-se a paz que só Deus pode conceder…
Deixe a noite ser noite e você dormir como quem se encanta com a certeza de poder dizer que cada dia é um presente e que amanhã um novo presente nos será dado!
A minha escrita liberta, vejo a amplidão do horizonte passear pelos versos, pelas linhas da vida, às vezes sofridas, às vezes perfeita na simples complexidade de ser.
Havia uma pedra,
uma pedra no horizonte,
uma pedra rara.
O sol brilhava, a noite se aproximava,
o frio se estendia,
enquanto a garoa e o orvalho dançavam sob a luz do sol.
Um Encontro Inesperado
O sol se punha no horizonte da praia deserta na Nova Zelândia, tingindo o céu com tons dourados e lilases. O som das ondas quebrando na areia e o cheiro de maresia enchiam o ar. Eu estava ali por acaso, buscando um momento de paz para reorganizar os pensamentos e me conectar com algo maior, um hábito que aprendi a cultivar nos últimos anos.
Com um livro em mãos e os pés descalços afundando na areia fria, caminhei sem pressa. A solidão era acolhedora, mas naquele momento senti uma presença. Olhei para frente e, para minha surpresa, uma figura familiar caminhava na direção oposta, aparentemente tão absorta quanto eu em sua própria jornada interna.
Era ele.
Chris Martin.
Por um instante, o mundo pareceu desacelerar. Meu coração disparou, mas minha mente entrou em negação. Não pode ser ele... pode? A blusa branca de meia estação, a touca que ele parecia usar sempre nos momentos mais descontraídos... era como se ele tivesse saído direto de uma memória minha.
Ele notou minha presença, parou de caminhar e sorriu. Um sorriso calmo, quase tímido, como se também estivesse surpreso com o encontro. Sem pensar, murmurei:
— Você é real?
Chris soltou uma risada baixa, quase cúmplice.
— Depende... Você é?
A resposta desconcertante quebrou minha tensão inicial, e acabamos rindo juntos. Ele se aproximou devagar, como quem não quer invadir o espaço alheio, e perguntou:
— Gosta de caminhar no fim do dia?
Balancei a cabeça afirmativamente, ainda tentando processar a situação. Ele parecia tão simples, tão humano, que minha mente parou de vê-lo como o ícone intocável do Coldplay. Ali, era apenas um homem contemplando o mesmo pôr do sol que eu.
— Isso me ajuda a organizar os pensamentos — respondi, ganhando coragem. — Acho que você entende bem isso, não é?
Chris assentiu, seus olhos claros brilhando à luz do crepúsculo.
— É como música. Tudo se organiza melhor quando estou em movimento.
Por algum motivo, senti que podia ser honesta com ele. Não era o tipo de momento que se repete na vida.
— Nunca imaginei que um dia te encontraria. Sempre pensei que, se isso acontecesse, eu ficaria muda.
Ele arqueou a sobrancelha, curioso.
— Mas não ficou. Isso é bom. O que você diria, se tivesse a chance?
Minhas palavras pareciam presas, mas finalmente consegui dizer:
— Eu escreveria tudo, como sempre faço. Porque acho que só escrevendo consigo expressar o que sua música significa para mim.
Chris ficou em silêncio por um momento, o olhar profundo como se tentasse decifrar cada palavra minha.
— Então, por que não começa agora? — disse ele, tirando algo do bolso. Era um pequeno caderno. — Sempre carrego um. Pode escrever aqui.
Peguei o caderno hesitante e olhei para ele, tentando entender o que aquela cena significava.
— Isso não é real... é?
Chris apenas sorriu.
— Talvez a gente devesse parar de pensar no que é ou não real e só... viver o momento.
Nos sentamos ali, na areia fria, e por um instante o mundo pareceu parar. Comecei a escrever, ele observando com uma paciência quase infinita. Quando terminei, entreguei o caderno de volta, minhas mãos tremendo levemente. Ele leu em silêncio, o sorriso suavizando ainda mais suas feições.
— Você entende — ele disse, por fim.
— Entendo o quê?
Chris guardou o caderno, seus olhos encontrando os meus como se enxergasse algo que nem eu sabia que existia.
— O que eu sempre tentei dizer, mesmo sem saber como.
A noite caiu ao nosso redor, e as estrelas começaram a surgir, brilhando como testemunhas silenciosas daquele encontro inesperado.
E pela primeira vez, não precisei de respostas. A presença dele ali era tudo que eu precisava para entender que algumas conexões não precisam ser explicadas; apenas sentidas.
“Olhar para o horizonte em cada amanhecer e contemplar a grandeza de Deus é inexplicável! Como Deus é perfeito nas cores, na maravilha da sua criação! Tudo flui com perfeição e gratidão, tudo segue um caminho em perfeita harmonia!
Que nossas vidas sejam assim: em perfeita harmonia com Deus e sua criação!”
“Tal como o sol se põe no horizonte por entre as montanhas de rochas, se ergue a Majestade de Deus, tão Grande, tão Forte que não podemos sequer perceber o infinito…
Nem sequer nossa imaginação pode contemplar o horizonte… ele é como uma cortina que vai se abrindo e deixando que a luz do dia vá se escondendo e a noite chegue silenciosa e calma!
Tal como uma águia que voa solitária na imensidão são nossos pensamentos e nossos sonhos, permitindo que a noite e toda sua beleza nos acaricie!
E entre luzes e cores, alegrias e tristezas, sonhos e esperanças, mais um dia se finda e como as águias voamos seguros para nosso esconderijo secreto no alto do penhasco: Vamos nos esconder no coração de Deus!”
Não cessarei meus passos, pois é na linha do horizonte que a compreensão do caminho se revela em sua plenitude.
