Hora certa
Eu sou burro, dizem. Não sei me posicionar, não sei me calar na hora certa, não aprendi a jogar o jogo. Nunca entendi o valor de um elogio falso, nem a importância de um aperto de mão estratégico. Não sei fingir respeito, não sei sorrir com o fígado amargo. Nunca aprendi a ser hipócrita — e isso me custa.
Enquanto outros sobem, eu permaneço. Enquanto fazem alianças por interesse, eu perco oportunidades por lealdade. Enquanto moldam a voz ao que o outro quer ouvir, eu falo o que penso, mesmo que doa, mesmo que afaste. Eu não me adaptei. Não consegui. Há quem chame isso de orgulho, de teimosia, de burrice mesmo. Eu só sei que não consigo ser outro pra agradar. Só sei ser eu — e isso, hoje, é visto como falha.
Não é que eu goste da solidão. Nem que me orgulhe da minha margem. É que a conta que me pedem pra pagar pra caber no mundo — ela custa minha alma. E isso, não. Prefiro perder, prefiro errar, prefiro andar só. Mas durmo. Durmo sem vergonha. Durmo em paz com o homem que carrego dentro. E isso, talvez, ainda seja o que me salva de virar o que todos esperam.
Sempre teremos uma missão para cumprir. Sempre será a hora certa. Sempre o caminho será árduo para aqueles que não estiverem dispostos a entender o seu propósito. Sempre seremos testados. Sempre teremos um guia espiritual. Sempre vamos nos desiludir com alguma coisa. Consequentemente, o “sempre” será um teste e estará envolvo por uma névoa quase transparente. É para isto que servem as buscas e as lutas por um ideal maior. Não há outra forma de nos encontrarmos sem sermos testados. A lei da vida é justa e por assim ser é incompreendida. Apenas os justos entenderão o seu significado e a sua importância.
Nos pertencemos
de maneira
inexplicável,
no mais
a hora
certa irá
se cumprir
com a gala
em recompensa
da espera merecida.
A hora certa surpreende
No poema que cura a alma,
A alma seca plangente
Da terra que não pertence.
A Pátria desconhecida,
Na poesia imaginada,
A alma surge extasiada
De tê-la assim escrita.
No galope do verso,
Na glória do Ahalteke,
Que o destino não me negue.
Na rima do deserto,
No rodopio do vento,
Que o som seja o do saltério.
Não estou autorizada,
A inspiração me encontrou;
Sei que ando radiante,
O Universo me iluminou.
A felicidade vem na hora certa,Tudo acontecerá na medida correta,Acontecerá na medida sem medida,Virá cheia com a paz que só o amor desperta.
