Homem Palavra
A simplicidade
Nem sempre é uma coisa fácil
Como a menção da palavra
te pode sugerir
é bem complicado
Ser uma pessoa simples
Assim como a humildade
Te pode custar algumas quedas
Pois, nem sempre a realidade
Corresponde
Àquilo que está escrito
Simplicidade
é um estado de espírito
e é algo difícil de alcançar
por aqueles
Que enxergam somente
A superfície das coisas
e vivem a vida
Superficialmente
Simplicidade
é saber dividir
Tanto o ar quanto o ouro
é saber se doar
sem nunca esperar retorno
é aprender a aprender
Com quem aparenta não saber
é fazer sempre alguma coisa
por quem nunca fez nada por você
é entrar em contato com Deus
Mas não um Deus invisível
inatingível ou intangível
Mas saber e ter certeza
que Deus
Apesar de Preponderante
Pode sim, guiar os teus passos
e orientar a sua vida
a todo instante
Simplicidade
é não ter medo
das quedas ou das perdas
Quando se vive e quer seguir
A Aquele que te guia
desde o nascer do primeiro dia
até a hora derradeira
Simplicidade
é ir onde não se pode ir
enxergar o que não se pode ver
e quando voltar
testemunhar
Que a verdadeira fé
te faz acreditar no que não viu
pois pressente na alma
e ouve no silenciar dos ventos
A calma ardente
Que te faz querer somente
Viver a simplicidade
das coisas complicadas
e compreender que todas elas
somente são desse jeito
Porque a gente
Não tinha entendido direito.
Edson Ricardo Paiva
Sem Razão.
Ontem, depois da chuva
Outra vez algo constante
Presente em pensamentos
Sem palavras, sem versos,
Sem traves, graves incidentes,
Sem pauta e sem clave de sol
Duram sempre
Pouco menos que momento
Constantemente cortantes
E que demoram muito a passar
Meus olhos, não sei dizer se choram
Sei que o coração sempre se abate
Timidamente, um tanto pálido
Palidamente lívido
A noite passa
Hoje, bem antes do Sol
Respiro o nevoeiro
A cada dia mais sólido
A graça dos raios
Sutilmente coloridos
Despontando no horizonte
Ausentes aos olhos
de quem busca somente nos sentidos
A causa e a razão para vê-los
Eu penso e relembro
A imagem de olhos, cabelos, palavras
Penso no nada
Existente num lugar incerto
Que fica exatamente
Na linha imaginária
Que demarca o limite Longe-Perto
Um lugar que fica
Entre o Mar e o Deserto
Existentes
Nos nossos corações humanos
Agora, antes da tarde
Compreendo o ponto tardio
Uma certa visão
Que em outra versão
Ou época qualquer
Causaria arrepios
Mas agora são tão poucas
deslocadas, sem foco ou razão
Que quase nada me causam
Além da costumeira tristeza
Última certeza que restou na vida.
Edson Ricardo Paiva
Mais daquilo que pode ser
Se ao menos valesse a pena
A palavra ouvida
A frase escondida nas entrelinhas
Poderia mudar tanto a vida
Que segue muda
A vida
Longa estrada, distraída
Um dia, lá no final, se percebe
Que a frase despercebida
Não foi lida
Nunca vamos saber
O que é que teria sido
Se tivesse sido
Do jeito que não se fez
Agora não tem mais jeito
Está desfeito
O que podia ser.
Edson Ricardo Paiva
Mandaram eu escrever um poema
Cujo tema fosse a palavra problema
Por achar coisa difícil perguntei:
Como assim
O problema está no início
ou está no fim?
Está no Mundo ou em mim?
O problema pode estar atrás da porta
Só os mortos não tem problemas
Os fracos e os fortes os tem
E mesmo estando presente
Ele pode vir lá do passado
Num dedo quebrado,
Embarcou no bonde errado,
Recebeu um mal olhado.
Todos temos um problema
Que julgamos ser individual
e na verdade é coletivo
e afeta a toda a Humanidade
difícil saber qual é
às vezes
a gente toma o problema nos braços
e aperta contra o peito
com toda força
Por medo de perder
E ficar de coração vazio
Ainda bem que não pediram
Pra apontar a solução.
Não é somente a imagem do espelho
A refletir uma memória sempre viva
É a palavra que fere
A história tantas vezes repetida
E não melhora nada
O Sol pintando o Céu de vermelho
Não traz agora, a tonalidade de ontem
Não é o fato de tirar o melhor que puder
É preciso sempre um pouco mais
É a saliva que seca
No pecado da boa intenção
Simplesmente esquecer
Relegar
Deixar de lado o medo de ferir
É a ferida em segredo
Escondida, sabe Deus, onde
Numa vida onde nada se oculta
E também que nada esconde eternamente
É essa dor eterna e imperativa
Uma ferida viva
O coração machucado a bater dobrado
Esse sim, escondido em sua dor
Que não se cala
Oculto
A falar alto desse jeito
Em revolta quase perfeita
Guardada e calada, aqui dentro do peito.
Edson Ricardo Paiva.
Não tive medo da vida
Pois quando aprendi
O sentido da palavra medo
Eu estava muito ocupado
Vencendo todas as dificuldades
Que, por si só
Teriam destruído a vida de muitos
Não tive tempo de sentir medo
Pois o tempo não parou pra isso
Nem busquei uma causa, razão
e nem motivo e nem sentido
A vida passou tão depressa
Que só nesta fase da vida
É que me ocorre o pensamento
Do quanto teria sido inútil
Ter tido o medo que quase senti
Pois a vida não parou pra ser perfeita
Por isso foi sendo refeita todo dia
Qual fosse um castelo de areia
Quando a gente tenta e tenta
E não tem por onde
Pois quando não venta forte
Vem sempre uma onda
De modo que no fim da tarde
A gente percebe
Que nem tudo está perdido
Há uma palavra escondida no vento
O tempo, sem pressa ensina
Que a beleza das coisas
São como promessas, escritas na areia
Mas quando a gente tanto insiste
Em tentar fazê-las
Aprende a fazer desenhos
Nas estrelas que o Céu ponteiam
Por isso não tenho medo
e também não me sinto triste
Existem mais delas no firmamento
do que todas as areias sem firmeza
Que o vento, sem dó
Carrega por entre os dedos
Talvez, por não ter sentido medo
É que descobri
O sentido da palavra vida.
Edson Ricardo Paiva.
"103 Dias de Gratidão"
Ao meu primeiro dia em devoção, devido a tua palavra senhor, tu tocastes o meu coração, me fizestes ver o amor que tenho por ti, e nunca me abandonastes.
"Apenas gratidão"
"Eu apenas desejo amabilidade ao ser humano".
Amabilidade, palavra de não conhecimento geral, o mundo seria tão melhor se todos soubessem o seu real significado.
Luto
Um dia, como todos nós você vai enfrentar essa palavra tão pequena e tão avassaladora aos nossos sentimentos. Não se preocupe, você não é fraco, dói mesmo!
ONDE A PALAVRA SE EXTINGUE E O SER SE REVELA.
Há experiências humanas que ultrapassam a jurisdição da linguagem. O discurso organiza, delimita, conceitua. Contudo, certos afetos não cabem em definições. Eles irrompem na consciência como forças originárias, anteriores à própria formulação racional.
O amor, nesse horizonte, não é mera emoção episódica. Ele constitui uma modificação estrutural do ser. Quando alguém se reconhece transformado pela presença do outro, não está apenas vivenciando uma sensação agradável. Está experimentando uma reconfiguração delicada. A alteridade deixa de ser exterioridade. Torna se dimensão interna da própria identidade.
A linguagem falha porque opera por abstração. O afeto, porém, é experiência concreta e totalizante. Ele envolve corpo, memória, expectativa, imaginação e vontade. A palavra descreve fragmentos. O amor unifica. Por isso, diante da intensidade afetiva, o sujeito frequentemente declara sua impotência verbal. Não é pobreza intelectual. É excesso de realidade.
O encontro autêntico com o outro possui densidade metafísica. Ele suspende a trivialidade do cotidiano e inaugura uma nova percepção do tempo. O instante compartilhado pode adquirir qualidade de eternidade psicológica. Não porque o relógio pare, mas porque a consciência se dilata. A experiência torna se qualitativa, não apenas quantitativa.
O toque, o olhar, o sorriso, são gestos aparentemente simples. Contudo, encerram uma simbologia profunda. O corpo não é mero instrumento biológico. Ele é veículo de sentido. No gesto, o invisível torna se visível. A interioridade manifesta se sem necessidade de longos discursos. O silêncio entre duas pessoas que se compreendem pode possuir mais conteúdo do que tratados inteiros.
A separação, por sua vez, revela outra dimensão da experiência amorosa. A ausência não anula o vínculo. Pelo contrário, evidencia sua interiorização. Quando o outro não está fisicamente presente e ainda assim permanece ativo na consciência, percebe se que o amor não depende exclusivamente da proximidade espacial. Ele inscreveu se na memória, tornou se parte constitutiva da estrutura psíquica.
Do ponto de vista psicológico, tal fenômeno demonstra que o afeto genuíno reorganiza prioridades e valores. Ele desloca o centro do ego para uma dinâmica relacional. O sujeito deixa de existir apenas para si. Passa a existir também em função de um nós. Essa passagem do eu isolado ao eu partilhado representa uma maturação da personalidade.
Há ainda um aspecto decisivo. O reencontro. Toda vez que duas consciências se aproximam após a distância, ocorre uma espécie de renovação existencial. O amor autêntico possui a capacidade de recomeçar. Ele não se limita ao impulso inicial. Ele se confirma na constância, na decisão reiterada de permanecer.
Sob uma perspectiva mais ampla, pode se afirmar que o ser humano realiza sua plenitude não na autossuficiência, mas na comunhão. A experiência do amor revela a estrutura relacional da existência. Somos constituídos pela abertura ao outro. A solidão absoluta não é ideal de grandeza. É empobrecimento ontológico.
Assim, quando as palavras se mostram insuficientes, não se trata de fracasso. Trata se de reconhecimento. Há dimensões da vida que não se deixam circunscrever por definições. Elas exigem presença, entrega e silêncio reverente.
O amor, em sua forma mais elevada, não é espetáculo emocional. É uma escolha reiterada, uma disposição ética, uma decisão de permanecer e de elevar o outro consigo.
E quando o verbo já não alcança, resta o gesto. Quando o conceito se esgota, resta o olhar. E quando tudo parece silencioso, é precisamente ali que o ser fala com maior verdade.
“A palavra é um instrumento valioso, porém, nem sempre tem sido devidamente utilizada. As línguas têm geralmente muito veneno para verter. Quase todos nós somos muito maliciosos a apontar defeitos alheios, mas raramente nos apercebemos dos nossos.”
Amar é um verbo que exige ação e entrega. Quando colocamos amor em cada gesto, em cada palavra, transformamos o mundo ao nosso redor.
O trabalho torna-se prazer, as dificuldades tornam-se desafios superáveis, e as relações florescem.
Portanto, que cada manhã seja um convite para viver com intensidade e amor.
Que possamos nos lembrar de que, assim como o sol que nunca falha em surgir no céu, temos dentro de nós a capacidade infinita de recomeçar e fazer brilhar nossa luz interior.
Dialogar é saber ouvir, é respeitar o momento em que seu interlocutor está com a palavra. Não prestar atenção ou interrompê-lo para contar a sua "história" é falta de educação ou no mínimo deselegante,
Ensine às suas crianças o significado da palavra NÃO para que, quando adultos, não sofrerem quando a vida os impuser sem qualquer explicação.
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