Homem Destroi Mundo
Gosto que me enrosco
da poética que me escolheu,
é ela quem me domina
ou quem a domina sou eu?
Só de uma coisa eu sei,
me alimento de poesia,
e ao mundo já doei
tudo o que me extasia !
Pequeno devaneio
A dor da desilusão,
Se não é a pior chega bem perto de ser.
Me questiono como que a pessoa que me acalmou pode agora ser uma tempestade dentro de mim?
Como que a pessoa que me fez ter esperanças de um amor sincero, levou-me ao mais profundo desolamento?
É aí que tenho a certeza, nem sempre temos a garantia ao encarar o amor..
A dor se torna calma, que por assim se transforma em dor novamente.
Sorrisos, abraços, beijos e promessas se perdem no labirinto e encontram só uma lágrima triste e solitária.
Triste e solitária, assim que me defino..
Onde todos encontram sua metade, eu só encontro a mim mesma, perdida no mundo,
No meu pequenino mundo.
DUALIDADE
Mergulhado no universo
Sigo o caminho inverso
Ao que iria por instinto
Ao ver seu olhar perverso
As rosas com seus espinhos
Nos mostram que há caminhos
Em que as vezes grande beleza
Também pode nos ferir
A erva que cura, mata
A água que lava, suja
A vida pode ser grata
Ou se fazer muito injusta
Depende de como vê
Qual é o ponto de vista
Experimentar o viver
Ou passar como uma faísca
SIGO
Sigo a areia que corre
Com pressa na ampulheta
Dos passos dados ao vento
Entre a brisa que bate na face
De suspirados silêncios
No tempo em que vive esquecido
E que me olha com a verocidade
É na espuma da areia que a alma
Chora em silêncio na água
Do calor sentido no teu corpo
Sigo as rochas entre a praia
Deste meu desejado silêncio
Feito pela espuma do meu mar
Memórias de ti, simplesmente em mim.
DE QUE ME SERVEM
De que me servem as camélias
Se me faltas como o ar
Que tento respirar
E não me deixa sonhar
A vida é uma cruz de espinhos
Feridas abertas que sangram
Espinhos que se cravam na alma
Nesta dura vida sofro só, a sós
Sinto-me um fantasma
Nestas lágrimas soltas de sal
Temperadas de saudade
Na cruz que carrego todas
As noites neste meu desfadado
De triste quimera miragem solta
De espinhos cravados em mim
De que me servem as camélias sem amor.
SOU
Sou uma negra cruz na serra
Onde o luar reflete escuridão
Um triste espirito que murmura
Sou um dubia luz na fraga escondida
Uma triste noite que bate no monte
Sou um espectro fugindo do carcel
Uma sombra escura perdida na serra
Do silencio lúgubre que esta minha alma
No luto de falecias que vive em mim
Sou as lágrimas que choro ser querer
No incenso branco na névoa escura
Passo as noites em claro sem conseguir dormir
Penumbra que desvanece no frio do corpo
São os vultos que desmaiam no crepusculo
Sou um rochedo esquecido no mar
Uma mortalha ferida dos cânticos das sereias
Sou um fantasma num corpo morto
Desfeito na encosta pelos verdes lameiros
Sou talvez a velha esperança de alguém
No seu leito de morte em sofrimento
Sou uma tremula lágrima vertida na cruz
De uma fé que me faz subir a serra na escuridão.
Abre os teus olhos
Pra todo o amor
Que tens pra receber
Compartilha com o outro
O afeto que tens pra oferecer
Não te tornes mais um tolo amargurado
Querendo dos outros
O que não sabe ser
Seja para o mundo
O que do mundo tu queres ter
"Calma, calma
Respira fundo, espera um pouco
O mundo é muito louco
Mas da pra respirar
Basta apenas se acalmar
Parar e escutar
A voz do vento a sussurrar
Conselhos sábios e doces
Para aqueles que tem a calma no pensar
O desespero, a angústia
Os bons ventos não sabem sussurrar
Esses ficam por conta do nosso próprio pensar."
Humanos: caga, mija, peida, fede, morre e apodrece
Se matam pela beleza, a procura da perfeição, alguns choram em frente ao espelho, outros debocham em frente ao feio
Mas no fim, todos morrem.
Eu prefiro a música, o café e a solidão.
Humanidade? Salve-se quem puder!
