Hoje a Felicidade Bate em minha Porta
Um belo horizonte,
Onde vejo felicidade
Um caminho até onde vou chegar;
Em minas de ouro,
VOCÊ,
Meu tesouro.
Valiosa e Espetacular.
[...]
Na boca, uvas e beijos.
No corpo tatuado, meu desejo.
Romance e Amor
Dois seres a se coadunar.
Não mostre ao mundo a sua quantia. Mostre o seu valor.
Porque quantidade não garante felicidade. Mas a qualidade conquista amigos e o amor.
Às vezes,
a pessoa confunde felicidade com prazer.
Felicidade é do Campo Espiritual,
já o prazer condiz com o Campo Carnal.
Nem todo prazer leva ao caminho da paz.
Quero Andar
de mãos dadas
Com a Felicidade.
No campo,
Na rua,
Na praia,
por toda cidade.
E o sorriso teu?!
Ah! A mais bela imagem...
Um Paraíso meu
é Contemplar, sim,
toda sua Preciosidade.
A Felicidade São Acumulos de Alegrias, divididos em vários momentos.
Ser gentil, sempre,
parece ser o caminho
mais contínuo dessa variável.
Triste sorriso e olhar
Colocar a alma em busca da felicidade
esse era o seu lema
Da minuta fazer a tese da vida
descartando os problemas
Acreditar que as ditas injúrias
eram inveja do seu emblema
Criar um sinistro jogo
assassinando o apoema
Presumir uma conclusão fiável
resultando num dilema
Querer reinar na guerra fria
levando a sua vida à tormenta
A sobrar um triste sorriso e triste olhar
fechamento do indecoroso tema.
A Vida
A vida não é assim
Com beleza maquiada
Para demonstrar felicidade
Muito além do normal,
Viver de trocas
Inventar novos passeios
A tentar preencher o vazio do peito
Ilusão afoita do esperançado perfeito
No desencontro do próprio eu,
Os olhos passam a carregar um olhar cansado
O corpo a ficar esquálido
E o sorrir constante e aberto
Sem alegria,
Bonito talvez fosse
Abstrair-se do imaginário
E internalizar que a felicidade
Pode vir de uma vida minimalista, serena
Mais real e plena.
A definição de felicidade para nós muda com o passar do tempo.
O que me fazia feliz ontem não me faz feliz hoje; o que me faz feliz hoje, no passado pode não ter sido nada e amanhã cresça ou diminua; e o que me fará feliz amanhã, bom, isso, é o mais incerto de tudo. Não sei, não sei mesmo.
O andar da carruagem é duro e olhar pra trás só atrapalha, afinal, vemos o que nos fez realmente felizes e agora evaporou. Olhar para o futuro, esperando vivê-lo bem também é bobagem. E se o futuro não chega? Até lá, muita coisa ainda pode mudar.
O jeito mesmo, é viver. Aproveitando os bons momentos, mesmo que sejam poucos. O resto, que fique ali, parado no chão porque nessa estrada, eu não volto atrás buscar nada que deixei.
Aflorais
Abriguei-me a teu ninho as duras penas da felicidade em um universo em que criei para minhas ilusões
Em meu interior as chaves inebriantes da minha própria natureza esfíngica
Verdades sombrias da realidade de ser eu no meu egocentrismo não abarquei minha consciência externa
A exatidão dos assomais sentimentos seguem-se a inverter a doçura que destila da minha excessiva ironia
Marlene Ramos Martins 24/10/2021
A felicidade eufórica é um estado de espírito que prolonga a vida mas engana a alma. A tristeza, todavia, torna a alma ciente de sua miséria e submete o corpo a buscar a presença de Deus que enche a alma de vida.
Antes eu achava que a felicidade era um estado de alegria permanente. Aí descobri que ser feliz é parar de se abalar com bobagem.
Café com Leite
Por Diane Leite.
Por muito tempo, acreditei que felicidade era ter muitos rostos ao redor, muitas vozes preenchendo os vazios da minha existência. Eu buscava pertencimento como quem busca abrigo em dia de tempestade — desesperada por calor, por acolhimento, por uma certeza de que eu fazia parte de algo.
Mas eu não fazia.
Lembro-me do incômodo sutil ao estar entre minhas primas. Elas riam, brincavam e se entendiam como se falassem um idioma ao qual eu nunca tive acesso. Eu sorria por educação, mas havia um silêncio interno em mim que não se dissipava. Talvez fosse a falta de espontaneidade, talvez fosse algo maior — um desencontro entre quem eu era e o que o mundo esperava de mim.
Então veio Ana Cecília.
Nos conhecemos no pré-escola, e, sem precisar de palavras, soubemos que éramos iguais. Ela era uma das poucas meninas afrodescendentes da escola; eu, uma criança que sempre sentia que não se encaixava. Não fomos unidas pelo acaso, mas pelo instinto de sobrevivência. De alguma forma, sabíamos que estar juntas tornava a solidão menos afiada.
Sob a sombra generosa de um pé de manga, criamos nosso refúgio. Choramos as dores que ainda não sabíamos nomear e sonhamos mundos que ainda não existiam. Quando alguém ria de nós, nos olhávamos em cumplicidade e repetíamos nosso mantra secreto: "Café com leite." Um apelido que nasceu de uma piada alheia, mas que transformamos em escudo. Se éramos diferentes do resto, que assim fosse.
Ana era minha fortaleza; eu era sua guardiã.
Eu não permitia que ninguém a ferisse. Defendia sua honra como quem defende o próprio coração, porque era isso que ela se tornou para mim: um pedaço do meu mundo que ninguém tinha o direito de tocar.
E havia Camila — popular, cercada de gente, luz e barulho. Ela me estendeu a mão, me incluiu em um mundo onde pertencimento parecia fácil. Mas aprendi, com o tempo, que amizade não se mede em números. Camila era festa; Ana era lar. Com Camila, eu ria. Com Ana, eu existia.
A vida seguiu. Cada uma tomou seu caminho, como as folhas que caem da mesma árvore, mas voam para direções opostas. Ainda assim, o que criamos sob aquele pé de manga nunca nos abandonou.
Hoje, aos 40 anos, sei que pertencimento não é sobre caber. É sobre encontrar alguém que te veja por inteiro e ainda assim escolha ficar. Ana me ensinou que laços verdadeiros não precisam de multidões, nem de aprovações externas — só de dois corações que se reconhecem.
Eu não trocaria nossas tardes de manga com sal por nenhuma festa lotada.
Se pudesse dizer algo à criança que fui, diria: não tente caber onde sua luz é diminuída para que os outros brilhem. Amor não é barganha, pertencimento não é concessão. As pessoas certas não preenchem vazios — elas lembram que você já era inteira o tempo todo.
E Ana, em algum lugar, sabe disso. Assim como eu.
