História
Cada um em seu mundo, cada um com sua história, dois seres extremamente contrários a todos os significados do existir.
E recomeço um novo capítulo em nossa história, desta vez com tinteiro de ouro. Para que incertezas não abalem o final, desta agora amizade.
A ausência da história pessoal
Para que os ritos mágicos consigam passar de geração em geração, o feiticeiro (ou xamã) deve esquecer tudo aquilo que aprendeu antes de iniciar-se na magia.
Segundo a tradição, um homem ou mulher que está preso ao seu passado, termina deixando governar-se pela maneira de pensar de seus pais, ou a sociedade em que vive. Por isso, todo iniciado escolhe um novo nome, e procura livrar-se de lembranças, boas ou más.
Para poder abandonar a história que viveu, o feiticeiro passa meses seguidos recordando, nos menores detalhes, cada um dos eventos de sua vida.
Algumas tradições pedem que ele fique horas a fio contando em voz alta, para um copo cheio de água, tudo que aconteceu em cada encontro com cada pessoa; assim, a experiência sai da memória e vai para a água – que em seguida é atirada em um rio. Desta maneira, a cabeça fica “vazia”, e pode começar a ser preenchia com novas coisas.
Uma vez livre de seus pensamentos antigos, o feiticeiro concentra-se no silêncio interior, e espera que os espíritos comecem a contar a verdadeira história do universo.
Este silêncio, junto com a ausência de lembranças passadas, dá ao feiticeiro a sensação de liberdade total para entender um novo mundo.
Quem é o mestre
Mônica Lepri envia a seguinte história da tradição sufi:
Um discípulo perguntou a Nasrudin:
- Como você se tornou um mestre espiritual?
- Todos nós já sabemos o que precisamos fazer em nossas vidas, mas nunca aceitamos isso, – respondeu Nasrudin. Para entender esta verdade, precisei passar por uma situação curiosa.
“Certo dia, eu estava sentado na beira de uma estrada pensando no que fazer, quando chegou um homem e postou-se diante de mim. Para afastá-lo dali, eu fiz um gesto, e ele o repetiu. Achei aquilo engraçado, e fiz outro gesto; ele me imitou, e acrescentou um novo movimento”.
Nós começamos a cantar e a realizar toda sorte de exercícios. Eu me sentia cada vez melhor, e passei a adorar o meu novo companheiro. Algumas semanas se passaram, e um dia eu perguntei-lhe:
“Diga-me: o que devo fazer a seguir, Mestre?”
E o homem replicou: “Mas eu pensei que você era o mestre!”
"Depois de tudo o que eu já passei, eu não mereço um pouquinho de história de novela? 'É, mas merecer e receber são coisas diferentes, meu bem', repito no espelho um zilhão de vezes para entrar na cabeça. 'Se contente com o perfume, com os rastros de palavras jogadas, com os restos, as sobras de carinho, as palavras repetidas para tantos outros corações que se deixam enganar. Sossega, menina, segura o coração e não deixe ele voar por aí atrás de qualquer cara legal que o faça perder o ritmo. Agüenta a barra, tire as asinhas do coração, tape os ouvidos e não escute o amor. Cale o coração calejado que mendiga por resquícios de amor abandonados, deixe de ser tão impotente. Deixe ele ir, não o prenda, deixe ele enganar outras bobas e não caia nessa! Não amarre seu burrinho em cerca de malandro, não. Não pegue o passe desse brinquedo, porque ele é perigoso, fuja do bonitinho que fala coisas legais e promete carinho grátis, porque o preço é alto e de graça só a dor. Não se aventure, não queira pular de bungee jump com a corda quase arrebentando'."
Já parti muitos coraçoes na esperança de deixar o meu intacto. E hoje a historia mudou, o mundo girou e sou eu agora catando meus cacos.
Não se escreve uma nova história por cima de uma antiga. A antiga tem seu valor, mas no momento, a escolha é pela novidade. Então é melhor apagar a outra.
Maria e João
É uma história de amor
Uma história de emoção
É um espinho com flor
Uma vida, Maria e João.
O amor chegou aos poucos
E mudou-se ao coração
Apaixonados feito loucos
Apaixonaram-se, Maria e João.
As vidas misturaram
Tudo foi pela paixão
As bocas se beijaram
Se beijaram, Maria e João.
O levou adiante
Fez viver uma atração
Ela é a melhor amante
É o casal, Maria e João.
No fundo, ele temia
Não queria ouvir um não
Na verdade, ele sabia
Que seriam, Maria e João.
Mas chegou outra menina
Uma que veio de outro chão
Ela tem linda retina
E separou Maria e João.
Nunca na história desse país se falou tanto em liberdade de expressão e democracia. E olha que plataforma pra isso é o que não falta. Se antes nos limitávamos ao boca a boca e as saudosas cartas, hoje temos redes sociais dos mais variados tipos.
Em contrapartida, nunca na história desse país se oprimiu tanto quem pensa diferente do outro.
Não entendo isso.
A questão é que alguns não querem apenas expor suas opiniões e defender o que acreditam. Eles querem que você concorde, aplauda e assine embaixo. Nem que for na marra.
Querem inclusive que você defenda os ideais alheios, mesmo que não sejam os seus. E que se dane sua opinião, suas experiências, temperamento, educação, valores: você sempre será um idiota, ignorante e inferior se não entrar na dança.
Num mundo de pessoas com egos inflados e donos de verdades absolutas baseadas em opiniões pessoais (e links de reportagens), felizes são aqueles que não se sentem constrangidos em pensar com a própria cabeça até o fim.
Respeitar é uma coisa. Concordar é outra.
E educação cabe nos dois casos.
Nunca desista dessa história baseada em fatos reais que é a vida, por meio dela assistimos comédias românticas, ficção científica, terror (da despedida) e nos projetamos no Romace melancólico e verdadeiro.
Olhei a lápide e pude perceber que a história de uma vida pode ser representada por um único traço. 1977 - 2013
Uma boa história de amor é aquela em que duas pessoas se encontram quando nem mesmo estão procurando uma pela outra, o que quase sempre é o caso.
Acho que sim, porque o amor não é como tentar algo quase impossível.
Você esbarra nela
você fica preso
e não há como retroceder
