História
"Sou um menino que envelheceu logo à nascença. Dizem que, por isso, me é proibido contar minha própria história. Quando terminar o relato eu estarei morto. [...] Mesmo assim me intento, faço na palavra o esconderijo do tempo”.
( em "A varanda do frangipani", Lisboa: Editorial Caminho, 1991.)
O lobo e o cordeiro
Quando foi perguntado para um antigo ermitão do sertão do Serro Azul: por que há pessoas boas e outras más? A resposta foi a seguinte:
– Dentro de nós temos de um lado um lobo faminto, e do outro um cordeiro cheio de amor. Os dois se vigiam, separados apenas por uma frágil cerca.
Quando lhe perguntaram até quando o cordeiro estará seguro, ele respondeu:
– Até quando a cerca estiver em pé: enquanto o cordeiro desconfiar da cerca e, enquanto o lobo respeitá-la.
Mas sabe o que é? É que eu tô em outra boca. Era pra ser mais profundo, né? Era pra ser "A" verdade! A boa ansiedade, a vontade, a saudade, era pra ser... Mas não deu! É que antes de você, já existia eu. E eu tenho um amor próprio, que é tão profundo, que você não percebeu. Você quis brincar de amar, quis uma história perfeita pra fantasiar, como nos filmes onde o carinha "bate e bate" e a mocinha se põe a chorar. E se ele a ama, ele a magoa. E se ela o ama, ela o perdoa.
Mas aqui não é assim.
Sinto muito!
Aqui é mais simples:
É que se você finge não tá afim,
Eu saio pra cuidar de mim.
Mas sabe o que é? É que numa dessas saídas, não precisei de fantasias, roupas, nem ficar louca. Foi simples como eu sou, simples como enxergo o amor. Encontrei uma nova história,
Uma história que entende que já sou completa, que o amor não é fantasia, não tem curvas, ele segue em linha reta. Alguém que quer me cuidar pra eu não ir embora... Sabe qual é? É que de estória, em estória, você e eu perdemos a hora e eu precisei viver esta história. Então mete o pé!
Só por amor
Só por amor
Só por paixão
Só por você
Você que nunca disse não
Só por saber
Que o coração
Sabe demais
Que a razão não tem razão
Por você que foi só minha
Sem jamais pensar por quê
Por você que apenas tinha
Razões e mais razões para não ser
Só por amor
Só por amado
Só por amar
Meu amor, muito obrigado
Meu amor, muito obrigado
Ser humano é resumir o mundo continuamente em uma história compreensível que mantém as coisas simples.
A vida é uma coleção de momentos que, juntos, formam um livro. Cada pessoa divide as páginas e os capítulos como quer e decide se sua história será feliz.
É a verdade do que esse desejo foi em sua história que o sujeito grita através de seu sintoma.
A vida é como uma folha em branco a qual escrevemos a nossa história, a única diferença é que a borracha não existe para apagarmos os erros.
Na espontaneidade de um sorriso pode nascer uma linda história, na nobreza das atitudes surgem grandes amizades.
A história inteira não é senão uma transformação contínua da natureza humana.
Esta é a história de um ladrão, mas não um ladrão qualquer. A primeira coisa que precisa saber é que ninguém sabe quem ele é.
Vivemos tempos difíceis no Brasil. Ao ver pessoas clamando pela volta do Regime Militar, penso o quanto são tolas. Essas pessoas não tiveram história, nem sociologia, muito menos filosofia. História do Brasil nem pensar. Não sabem o que significa República, muito menos Monarquia. Essas pessoas são de uma geração que não viu escola básica funcionando.
Às vezes penso que na biblioteca da vida, na sessão do amor há mais histórias de decepções que finais felizes
Uma história não deve ser apressada, tem-se de compor devagarinho, é que nem bordado, deve obedecer a um risco.
Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado.
