Herói
Deixe-me ser o teu herói, pois protegerei o teu coração de quais querem que forem o mal contra ti;
Buscar-te-ei para junto a mim conheceres o infinito em um voo rasante, no qual desperte a emoção entrelaçado com um frio na barriga gostoso;
Quero ser o teu amor... A tua segurança e teu prazer justo e incondicional para completar o que te falta...
Nasci pobre, fui herói, sempre com a minha própria companhia e com muitas dificuldades me situo de pé;
Busco o meu contraponto nas extremidades da paisagem... Para que eu entenda a beleza a mim presenteada;
Ser ou não ser feio es a questão... No meu estandarte anúncio o meu amor pelo disforme;
Sou bárbaro em uma geração sem amor próprio, sem rostos pela vergonha que vacilam à beira da loucura ou às margens da culpa que arde na durabilidade do prazer mórbido, na busca de uma vida financeira adequada;
Sou uma doçura com conivência ao tempo, mas dolorosamente com um mínimo de respeito ao sacrifício alheio;
Estamos vivendo uma época em que cada popular com um celular na mão se acha um herói, um verdadeiro guerreiro da honra e da justiça pelo povo. Mas, quando lutamos por algo que causa o mal, na verdade somos os verdadeiros vilões.
As vezes o coração nos faz sentir o maior herói de todos os covardes e em outras o maior covarde de todos os heróis. Complicado o tal coração? Não, é o dono dele, você!
A dor revela que sou humano
Lembro que não sou herói
Lembro que não sou eterno
Lembro que sou poeta
E através das dores, faço alquimia
Transformando sofrimento em poesia.
Na grande maioria das vezes a sombra do herói é muito maior do que a verdadeira bondade escondida no olhar do vilão
Pai é mais do que ser sábio e nadar contra a corrente, é ser o Divino e herói ao andar por entre a gente
O autor não pode estar acima de sua obra, assim como o herói não pode ser superior à sua glória, pois ambos são mortais, mas suas contribuições são uma herança perpétua.
No Caminho com Maiakóvski
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!
Só queria entender
Não quero ser o herói...
não tenho essa prepotência imaginária
mas também não está em meus planos deixar o mundo se rasgar,
adoecer, desfalecer e se acabar.
Parece-me estar sempre vagando em uma tempestade de areia
como se nunca chegasse ao lar
entro nos bares das esquinas...
um intuito: me embriagar.
Um labirinto.
Numa tela em branco pinto.
Depois me equilibro...
num salto quero tudo do avesso virar...
ouço o que está do meu lado a gargalhar.
Estão as árvores apodrecendo?
e o sol escorrendo pelo mundo nada pode mudar?
E o que vejo?
è a escuridão só aumentar.
Iludo-me... cada passo em frente é um passo a menos.
Cada tic-tac do relógio é um instante a menos...
Meu corpo treme.
Desejo mais tempo...
Talvez eu consiga pelo menos entender a confusão que faz com que bata no mundo cada coração.
Ah! Esse céu noturno... tão soturno.
Se eu usar de dissimulação... convenço do que quero quem comanda meu coração?
O fanático partidário é o criador do herói político nacional e se torna um seguidor extremista desse governante fantoche, despido de inteligência e honestidade.
Benê
