Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa

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Há dias em que a única vitória possível é conseguir respirar fundo e não desistir de si mesmo, e isso é mais do que suficiente para um ser humano que carrega o peso de galáxias inteiras escondidas atrás de um sorriso discreto e de um olhar cansado.

Há dias em que acordo carregando o peso de tudo o que ainda não consegui me tornar, um inventário de ausências que insiste em nublar o presente. No entanto, levanto-me não por uma euforia passageira, mas por uma recusa solene em abandonar a própria história no meio do caminho. Aprendi que a continuidade não exige uma força constante e inabalável, mas sim o compromisso fidalgo de não permitir que o ponto final seja escrito por mãos que não as minhas.


- Tiago Scheimann

Há um cansaço que não mora no corpo, mas na alma. É o peso de existir sem interrupção, de sentir demais em um mundo que exige dureza, e ainda assim continuar respirando como quem tenta bastar.

Há dias em que eu não quero ser forte. Quero apenas descansar de mim mesmo. Mas a vida não oferece pausa para a alma cansada. Então sigo, mesmo exausto, porque desistir nunca foi uma possibilidade que o destino me permitiu.

Há palavras que nunca saíram de mim. Não por falta de desejo, mas porque pressenti que o mundo não saberia recebê-las. Então elas ficaram aqui, acumulando peso e silêncio. E o que não se diz, com o tempo, também fere.

Há sentimentos que não cabem em palavras. Não por falta de intensidade, mas por excesso de profundidade. São verdades que só entendem aqueles que já atravessaram certos abismos. O resto do mundo talvez nunca alcance essa linguagem.


- Tiago Scheimann

Há lembranças que não envelhecem, permanecem intactas dentro da alma, como feridas preservadas pelo próprio tempo.

Há pensamentos que não cabem em palavras. Permanecem vivendo dentro de nós como universos inteiros condenados ao silêncio.

Há pessoas que sobrevivem sorrindo para não preocupar ninguém.

Escrevo porque há dores que não sabem gritar, apenas se transformam em palavras. Sou feito desse homem que sofre, observa, reza, recorda e continua, convertendo abandono em linguagem e fragilidade em algo que o tempo não consegue destruir.

Há dores que não procuram resposta, porque a pergunta já é a resposta: continuamos vivos, mesmo depois do que nos diminuiu.

Há um tipo de tristeza que não afunda: ela paira, pesada, sobre a rotina, transformando o banal em lembrança de naufrágio.

Há solidões que não expulsam, apenas iluminam o contorno exato daquilo que eu nunca tive coragem de admitir.

Há um amparo que desafia qualquer explicação. Ele não dissolve a inquietação; apenas repousa sobre ela, silenciosamente, como um cobertor que encontra um corpo exausto e, sem pedir licença, lhe devolve a permissão para existir mais uma noite.

Há despedidas que não encerram histórias, apenas mudam o lugar onde elas continuam existindo.

As maiores verdades não costumam nascer do triunfo. Nascem das ruínas. Há conhecimentos que só são concedidos àqueles que perderam partes de si e, ainda assim, encontraram forças para dar mais um passo.

Há pensamentos que não procuram respostas. Permanecem vivos apenas para impedir que a alma adormeça na confortável mentira da tranquilidade.

A pior ausência não é provocada pela morte, mas pela permanência sem presença. Há olhares que continuam diante de nós enquanto já habitam outro universo. Descobrimos tarde demais que o abandono começa muito antes da despedida. Primeiro desaparece o interesse, depois a escuta, depois a delicadeza. O corpo permanece por educação; a alma parte sem fazer ruído. Poucas tragédias são tão silenciosas.


- Tiago Scheimann

Onde não há respeito
não existe educação

"Esqueça as promessas sagradas. Não há caminho a seguir, porque a vida é um acidente cósmico sem destino nenhum. Não há verdade absoluta, porque as religiões são ilusões e a realidade é apenas o ponto de vista de quem a vê. E não há vida plena, porque o livre-arbítrio é uma mentira; somos todos prisioneiros mecânicos do nosso próprio subconsciente".