Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
Há pessoas que morrem apenas uma vez. Outras precisam sobreviver ao próprio funeral todos os dias, sem que ninguém perceba.
Há um ponto da consciência em que a solidão deixa de ser uma emoção e se revela como a única realidade que jamais nos mentiu. Todo o resto, amor, pertencimento, esperança, identidade, talvez não passe de uma arquitetura frágil erguida pelo medo para impedir que enxerguemos o vazio em sua forma mais pura.
A multidão não nos salva. Apenas multiplica a evidência de que cada ser humano está condenado à prisão de uma consciência inacessível. Ninguém atravessa a fronteira do outro. Compartilhamos palavras, gestos, corpos e lembranças, mas nunca o peso exato daquilo que somos. Existimos lado a lado, separados por um abismo que nenhuma linguagem consegue preencher.
Olhar para dentro é cometer um crime contra todas as ilusões que tornavam a vida suportável. Quanto mais profundamente descemos, menos encontramos uma essência. Há apenas camadas de medo, de memória e de desejo, até que, por fim, resta um silêncio antigo, indiferente, onde até mesmo o "eu" começa a se dissolver. Talvez nunca tenha existido alguém ali. Apenas uma sucessão de pensamentos tentando convencer o vazio de que possuía um nome.
O sofrimento não nos purifica. Não nos torna melhores. Apenas retira, um a um, os véus que protegiam nossos olhos. E quando o último deles cai, compreendemos que o universo jamais precisou de nós para continuar existindo. A nossa ausência teria o mesmo peso da nossa presença: nenhum.
É nesse instante que a solidão alcança sua forma definitiva. Já não esperamos ser compreendidos, porque percebemos que compreender completamente outra consciência é impossível. Já não esperamos sentido, porque todo sentido nasce da necessidade humana de suportar o insuportável. Já não esperamos consolo, porque até o consolo é apenas uma pausa antes do mesmo silêncio.
Talvez a lucidez seja isso: a lenta destruição de todas as mentiras que chamávamos de vida, até restar apenas uma consciência desperta diante da imensidão indiferente do universo. E então compreendemos a verdade mais cruel: não é o vazio que habita dentro de nós. Somos nós que, por um breve e inexplicável instante, habitamos o vazio.
- Tiago Scheimann
Há momentos em que o peso de uma palavra dita sem cuidado ecoa por toda a existência, enquanto a escolha deliberada de calar revela uma sabedoria profunda.
Conversar contigo é como viajar no universo, conheço novas estrelas dentro de ti
Há uma galáxia em cada sorriso teu
E um sol que brilha tanto em cada olhar teu
Há uma força que exerço todos os dias, e poucas pessoas a enxergam.
É a força de me colocar constantemente no lugar dos outros. De tentar compreender antes de ser compreendida. De acolher antes de pedir acolhimento. De medir cada palavra, revisar cada atitude, reconstruir a mim mesma inúmeras vezes para não ferir, não decepcionar, não sobrecarregar quem está à minha volta.
Passei boa parte da vida acreditando que esse era o amor.
Então fui me desfazendo aos poucos.
Respeitei os limites de todos, menos os meus. Carreguei responsabilidades que nunca me pertenceram. Silenciei dores para preservar a paz alheia. Tomei para mim culpas que não eram minhas. Vivi em permanente autoavaliação, tentando corrigir defeitos, controlar reações, encontrar maneiras de ser mais fácil para o mundo.
Enquanto isso, o meu próprio mundo desmoronava em silêncio.
Talvez seja por isso que a ansiedade e a depressão não sejam, para mim, apenas nomes. Elas também carregam o peso de uma vida inteira tentando sustentar aquilo que nunca esteve sob o meu controle.
Hoje percebo o quanto é perigoso viver assim.
Existe uma diferença enorme entre amar e abandonar a si mesmo.
Entre servir e anular-se.
Entre cuidar e esquecer que também se precisa de cuidado.
E talvez seja justamente aí que muitos de nós nos percamos.
Passamos tanto tempo tentando corresponder às expectativas, apagar incêndios, carregar dores que não são nossas e manter a vida de todos em ordem, que nos esquecemos de voltar para casa: para dentro de nós.
Precisamos nos lembrar, constantemente, de que cada pessoa é responsável pelas próprias escolhas, pelos próprios caminhos e pela própria alma.
Podemos aconselhar, amar, acolher, estender a mão. Mas não podemos viver a vida de ninguém, nem assumir responsabilidades que Deus nunca nos entregou.
Porque haverá um dia em que estaremos diante d'Ele.
E, naquele dia, não será possível dizer:
"Senhor, eu escolhi esse caminho porque me senti obrigada."
"Eu não tive tempo de cuidar da minha alma porque estava ocupado demais cuidando da vida de todos."
"Eu vivi tentando agradar, obedecer às expectativas e corresponder ao que esperavam de mim."
Cada um responderá pela própria vida.
Que essa verdade não seja um peso, mas um despertar.
Que ela nos lembre de que não fomos chamados a viver sufocados pelas expectativas do mundo, nem aprisionados pelas necessidades das pessoas, a ponto de abandonarmos a única alma que Deus confiou aos nossos cuidados.
No fim, talvez a pergunta mais importante não seja quantas vidas tentamos salvar.
Mas o que fizemos com a nossa, enquanto tentávamos carregar o mundo inteiro sobre os ombros.
"Há sempre uma grande esperança para quem acredita em Deus!"
Otávio ABernardes
Gyn, 10 de fevereiro de 2026.
O Amor que se Multiplica na Ordem
Há uma verdade profunda que rege as conexões humanas: ninguém consegue dar aquilo que não possui guardado no peito. Tentar praticar a caridade com o próximo estando com a alma vazia é como tentar saciar a sede de alguém com um copo sem água. Quando escolhemos ter paciência com os nossos processos, quando nos alimentamos de paz e nos acolhemos nos dias difíceis, essa caridade se multiplica de forma natural. O cuidado que você dedica a si mesma transborda e alcança, com muito mais força e pureza, aqueles que caminham ao seu lado. O seu bem-estar é o ponto de partida para a harmonia do seu lar e das suas relações. Curar a si mesma é o caminho mais bonito para começar a curar o mundo ao seu redor.
O Abraço que Nasce no Olhar
Há uma categoria de abraço que ultrapassa as barreiras da matéria e dispensa o próprio toque físico: é o abraço que se entrega através do olhar. Existem momentos em que os braços humanos não alcançam a dor ou a distância do outro, mas os olhos conseguem fazer o milagre do acolhimento. Quando olhamos para alguém com empatia sincera, com respeito e com amor puro, estamos estendendo um manto invisível de proteção sobre a sua alma. Esse abraço com os olhos penetra as armaduras mais pesadas, desarmando o sofrimento e devolvendo a paz. É a linguagem silenciosa do espírito dizendo, sem emitir um único som: "Eu te vejo, eu te decifro e você está seguro comigo".
Há dias em que sinto sua falta, sinto sua falta de uma maneira excruciante, de ranger os dentes e arrancar os cabelos , e há dias como hoje em que me ocupo de viagens, amigos, músicas, livros e poesias , coisas que eu amo e sem as quais não consigo viver , diferente de você, porque eu consigo viver sem você ,ao contrário do que você pensa . Desculpe , querido , mas você não é o centro do universo.
Quer saber? Há sempre um mar diferente para nadar, uma comida diferente para experimentar, uma vodka para provar. Há sempre um por do sol mais lindo para ser visto, pessoas para conhecer, momentos para rir e uma infinidade de oportunidade que vão se escancarar na sua frente. Então não lamente sobre pequenas quedas, falhas, problemas, a vida não é ruim, a vida é maravilhosa e o futuro é uma semente levada pelo vento; a gente nunca sabe onde vai parar.
Há uma diferença silenciosa entre mudar de opinião e amadurecer: mudar de opinião é substituir uma ideia por outra; amadurecer é perceber que algumas certezas só existiam porque nunca tivemos coragem suficiente de examiná-las profundamente.
É mais fácil transformar uma pedra em pó do que tirar água da pedra, mas há aqueles que já estão comprando água em pó!
💚 21 de Setembro — Dia da Árvore 🌳
Há, entre tantas lembranças da infância,
uma que permanece viva nos versos
da minha memória.
No alto de uma colina, erguia-se uma árvore frondosa, imensa e silenciosa,
como se estivesse ali desde antes de mim, testemunhando o tempo passar.
No caminho de ida e volta da escola,
meus olhos buscavam aquela copa verde
lá no alto.
E, por alguns instantes, eu me perdia
nesse encontro.
Não sei dizer se era a árvore
que me chamava ou se era alguma coisa dentro de mim que, diante dela,
encontrava morada.
Meu olhar se deitava
sobre aquela paisagem e,
à sua sombra, mesmo de longe,
alguma coisa em minha alma respirava.
Talvez, também,
tenha sido ali que meus primeiros versos começaram a se oxigenar.
Era uma mangueira de dimensões quase ancestrais, dessas árvores que parecem guardar, entre raízes profundas e galhos generosos, segredos que o tempo não consegue decifrar.
Havia nela uma sabedoria silenciosa,
uma generosidade sem palavras,
uma espécie de eternidade verde
que somente a natureza sabe oferecer.
Hoje, aquela mangueira já não existe.
Foi vencida pela paisagem que se transforma, pelo concreto que avança,
pela ganância imobiliária que tantas vezes derruba árvores sem perceber que,
junto com elas, também derruba pedaços
da memória de alguém.
Mas há árvores que o machado não alcança.
Aquela mangueira continua de pé dentro de mim.
Continua frondosa.
Continua oferecendo sombra.
Continua balançando suas folhas
ao vento da lembrança.
E, de sua copa imaginária,
ainda caem versos sobre a paisagem
da minha memória.
Porque algumas árvores
não morrem quando são derrubadas.
Elas criam raízes dentro da alma. 💚🌳🍃
✍@MiriamDaCosta
"Há religiões que enaltecem Deus no coração e as que O enaltecem no bolso. Cada uma demonstra a fé conforme aquilo que busca."
Há uma coincidência histórica entre Egito e Argentina: o Egito também sofreu a ocupação britânica, contudo, logrou expulsar o Império Britânico, ao passo que a Argentina ainda vive as sombras dessa hegemonia.
A parcela da elite argentina que exporta a má educação em eventos esportivos — protagonizando episódios deploráveis que conhecemos bem — representa um extrato social que, de certa forma, foi quebrado. Contudo, essa elite não representa a totalidade do povo argentino; aquele 'povão' que não dispõe da oportunidade de viajar e que, muitas vezes, é o alvo primário da própria crise que essa elite ignora.
O futebol não deve ser ponte para a desumanidade, nem gatilho para a hostilidade regional. Que a paixão esportiva não sirva de pretexto para o retrocesso civilizatório.
No céu surge a Aurora austral
quando os deuses dançam,
Há uma pulsão transcendental
que nossos corações cantam
no mesmo ritmo e idioma:
As urgências não amainam
o sonho na imensidão universal.
[Não é apenas querer, é sem igual.]
