Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
Quando penso que perdi
o embalo do tempo,
Terrivelmente lembro
que já se passaram
quatro fatais meses
gritando por causa
dessa prisão injusta,
o oceano não tem culpa.
Mas a impressão que tenho
é que os meus gritos estão
sendo levados pelo vento
e abafados pelas ondas do mar.
E assim quando
penso em desistir
a poesia convida
o verso para
esticar a estrofe
e não parar de remar.
Os mais altos
índices de preços
da luz alcançarão
o Brasil e o Panamá,
e isso é só o começo:
do escuro nunca tive
e jamais terei medo;
o autoritarismo roubou
há muito tempo
o meu santo sossego.
O meu ombro dói igual
ao ombro do general,
o meu tornozelo dói como
o braço do Arcebispo,
quero chegar ao ponto
de me esquecer o quê
é sentir como doí isso.
O quê tenho para fazer
ou deixar de fazer,
não te interessa!
Só sei que sempre
que houver um fato novo,
prosseguirei a escrever,
porque não sou importante,
e não tenho o porquê
de dar entrevista:
por ser liberdade e poesia
inconformada contra a tirania.
Onde eu amarrei
minha alma pegando
até inspiração como
esta emprestada
para fazer a consciência
da América Sul libertada
diante de um rumo
incerto e não sabido.
Desde o dia que você
deixou de acreditar
na sua Nação estamos todos
nadando em céu naufragado,
e ouvindo o eco da nossa voz
em pleno Oceano Atlântico
pedindo que resgatem o Esequibo.
Muitos estão se distraindo,
imobilizando o tempo no exílio
e eu um poemário épico
tenho escrito pela liberdade
de um General e uma tropa
presos por causa
de um brutal autoritarismo.
Os quatro jovens
foram liberados,
Espero que um
novo e cordial
capítulo seja
entre os lados
inaugurado.
Porque há
muito o quê
se caminhar
para fazer
uma Nação
libertada,
e ter o Esequibo
recuperado.
Agora só falta
saber quando
o velho tupamaro,
a tropa e o General
(vítima de uma
falsa acusação
de instigação
a rebelião)
serão libertados.
O capítulo sombrio que
se avizinha do mundo
e do nosso continente,
vem chegando com
um intrigante prato
de entrada indesejável,
Só sei que nós nesta
América do Sul precisamos
dialogar e proteger
com raça a nossa gente.
Sem mordaça continuo
pedindo a liberdade
de um General acusado
falsamente de instigação
a rebelião e pedindo a liberdade
de uma tropa igualmente,
não tem dado para ignorar
a solidão Waraó e Pemone
no Esequibo que está no limbo
da Justiça indevidamente.
Sem entender a receita que
no guia é muito difícil de aceitar
a continua prisão dos jovens
presos da revolta do Chile
que lutaram pela Nova Constituição,
não dá para fingir que é
injusta a mapuche reclamação.
No tempo se diluindo
como creme de abóbora
nos ponteiros do relógio,
gostaria de estar lendo outro
futuro para todos nós
ou mesmo até o reescrevendo.
O quê é do meu Brasil
é do meu Brasil,
O quê é da Venezuela
é da Venezuela,
O quê é de um
país é de um país,
Nem por acordo
de cooperação
deve se interferir:
Está porvir
a decisão
do Tribunal Internacional.
O quê eu li transformo
em poema cantando
em ritmo da terceira
estrofe ao som de Lulú Basanta,
porque a Guiana é plana.
Conflitos internos
não podem alterar a História
e nem servir de argumento,
Mesmo que digam que
ativistas sociais continuem
sendo presos porque
separar os fatos é preciso.
Falando de tudo isso
os meus poemas da dupla
fronteira venezuelana e brasileira,
somente a mim pertencem
tal qual os lamentos sobre
o General, paisanos, a tropa
e o velho tupamaro em greve
de fome injustamente presos.
No Wei-Assipu-tepui
e no Monte Roraima
estão nossa dupla-fronteira
venezuelana e brasileira
e os meus versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
e nos outros dez tepuis habitam.
Um passo para frente
e dez passos para trás...
Depois de quarenta
e nove dias de greve
de fome levaram
o velho tupamaro
para o hospital,
e tudo continua igual.
Um passo para frente
e dez passos para trás...
Sem desejar flertar
com a precipitação
vejo que defensores
de Direitos Humanos
não estão desfrutando
de plena satisfação
no exercício da missão.
Um passo para frente
e dez passos para trás...
Vários casos estão
sendo julgados na frente
e outros ninguém comenta mais.
Um passo para frente
e dez passos para trás...
De muitos da tropa
e do General preso
injustamente não
se lê e nem se ouve
ninguém falar mais.
Um passo para frente
e dez passos para trás...
Nada mudou em relação
a vida dos presos
consciência e por todos
a minha poética memória
sem escolher a quem:
conta a trágica História
e tem escrito incansáveis
Versos Latino-Americanos
ao General e à uma tropa.
Esta questão interna
não deve impedir a reconquista
do direito territorial,
O Esequibo é da Venezuela
e o Ministro da Guyana
quer tirar o mapa desta visão
histórica e geográfica
muito antes da decisão
da Corte Internacional.
Mesmo sendo o Esequibo
um território em reclamação
o mapa não pode ser ocultado
o povo pode ser calado
e igualmente os meus poemas:
os insatisfeitos que aprendam
a resolver os próprios dilemas.
Que não haja nenhuma
previsão de libertação
para a tropa e o General:
os meus poemas seguirão
falando até encontrar
o mapa do Sol da Justiça
que dê a pacificação
e a mais do que justa libertação.
Nesta véspera de Natal,
nada se sabe da tropa
da liberdade do General
e tampouco do Esequibo,
Só sei que eu continuo
por milagres insistindo.
Recebi notícias que
libertaram o General,
Este poemário
chegou ao final,
Amanhã é Aniversário
do General!
Os seus ensinamentos
de paz, encontro,
diálogo e reconciliação
jamais será esquecidos;
A sua Venezuela
tenho certeza que
carrega no teu coração
e ela sempre estará presente
a cada nova oração.
Apanhadores de Sempre-vivas-de-mil-flores
Ganhei um lindo buquê
dos admiráveis Apanhadores
com todas as cores
das Sempre-vivas-de-mil-flores,
Que encheu o meu coração
de amores ao recordar
que elas também enfeitam
os embrulhos de presentes
para acalentar com afeto
os corações de todas as gentes.
Percebi que detalhes que passam muitas das vezes quase sempre batidos são aqueles que inundam
as nossas vidas com todo o sentido.
Sempre-viva-de-mil-flores
A Lua Prateada embeleza
ainda mais a cena beijando
a Sempre-viva-de-mil-flores,
O vento balançando as esferas
da Sempre-viva-de-mil-flores
escreve sutilmente poema,
Que eu te espero e continuarei
esperando não é cantilena.
O pior tipo de censura
é o fascismo social
que pode ser escrito
em decreto ou atitudinal,
é o que vem sofrendo
numa injusta prisão
uma tropa sem merecer
e um idealista General.
O fascismo social
é aquela verbalização
que constrange,
ação que agride
quem pensa diferente
atira na gente
ou sequestra a gente
na laguna de Alalay,
como fizeram com
o povo que ninguém
sabe sequer se foi,
como e para onde vai.
O fascismo social
é a pavimentação
para tiranos iguais
aos da direita
da Bolívia que usam
também da Bíblia
para assaltarem as Nações
e fazerem desaparecer
debaixo das nossas
vistas as populações.
É proibido esquecer
deste dia que vi:
cidades destruídas,
casas incendiadas
e corpos baleados
pela direita da Bolívia
que genocidou
o povo que estava
exercendo o direito
de dizer sim à vida.
O jagunço de Bíblia
na mão que jogou
a bandeira no chão
e o líder de nada
foram eles que
começaram a tocar
fogo na população
a mando histórico
e reconhecido mentiroso,
e a alma vulgar fez
o seu governo
de autoproclamação.
Os oficiais superiores
que incentivaram
o golpe foram
para o luxuoso exílio,
e a tropa em transe
em oração e de fuzil
na mão derramando
o sangue índio.
Entre fronteiras
já não há
mais diferença,
e creio que nem
nunca houve:
há quem rasgue charge
e quem rasgue o verbo
contra o negro como
a violência aceita fosse,
para gente assim
em cada verso
envio para
a consciência
de cada um coice.
Há segredos neste
continente que hei
de desvendar porque
prenderam um General
e uma tropa que
não deveriam prender
e soltaram quem não
deveriam jamais soltar,
e tem até um que
solto nem deveria estar.
Escuta, meu amor,
na boca do povo
o pranto da Wiphala,
nas linhas e cores
das veias do destino
tem sido escrito
o poemário do século
com latino-americanos
e todos sacrifícios
em nome da liberdade
e dolorosos fatos.
O perigo dos governos
autoproclamados,
com apoios de países
com vil interesse
é para semear
o genocídio e depois
fazer os seus
crimes apagados,
porque juridicamente
são menos do que ratos.
Escuta, meu amor,
não nos encontramos,
não sei nem se
um dia nos encontraremos,
peço que a tropa e o General
não os deixemos em nome
do que nós acreditamos;
Sofro a dor dos humildes
que os homens do golpismo
da Bolívia estão matando
e no Chile outros andam
o seu povo estão cegando.
Contaminaram
os ares do meu
continente com
agente laranja
e as dolorosas
memórias defuntas
dos anos de chumbo:
Ao Império enviei
o meu repúdio
mais rotundo;
Sei da minha
origem ancestral
neste mundo,
Onde ainda há
homens que
adotam por amor
duas honradas
indígenas bandeiras.
A noite promete
ser larga e a fé
sobrenatural
no indomável
amanhecer é
chama que
ninguém apaga,
Houve uma guerra
suja na Bolívia
que resultou
num golpe que
levou ao exílio
o mais ilustre filho.
Do grande pátio
da América do Sul
sempre serei
a maior revoltada,
artífice da palavra
e mesmo com
lágrimas todos
os dias nos olhos,
cansaço nos ombros
e alma indignada
sendo Pátria e Morte
em todas as escalas,
e pedindo a libertação
da tropa e de um
General por religião;
Nos ombros está
presente a dor
da opressão
por cada wiphala
cortada, queimada
ofendida e pisoteada
pelos homens
que não valem nada
e muito menos
as fardas que vestem.
A tropa e o General
herdeiros diretos
das glórias de Bolívar,
São os maiores
exemplos dos que
sempre amaram
os povos do mundo
além fronteiras,
E se encontram
em uma interminável
e impiedosa prisão.
Eles nunca fariam
como os aqueles
que traíram
a predileta, frágil
e lutadora filha,
Que é o coração
da América do Sul:
a sofrida Bolívia.
A dor da opressão
por cada wiphala
ofendida pelos homens
que não valem sequer
as fardas que vestem
e que se renderam
a traição e desferiram
um golpe na liberdade
obrigando o mais
ilustre filho ao exílio,
O destino nunca
os perdoará pela maldade.
Antes que seja
tarde demais,
Se deve ir pela
direita ou até
via esquerda,
Os modelos
econômicos
são diferentes
e se esgotam,
Os poetas são
para sempre.
Fale a verdade
sobre o Chile,
Vê se daqui
para frente
você não mente.
O falso condor
voa discreto,
Ouço o bater
das suas
asas de ferro.
A continental
liberdade para
uma tropa
e um General
é o que insisto
e olhando nos
teus olhos
todo o dia
cantando te peço.
Nós estamos
na ponta
do abismo,
O fanatismo
superou
o patriotismo,
Poesia para
isso serve de
drone político.
O continente
está sendo
diariamente
destruído,
Que o povo
seja socorrido,
O Pantanal
está ardendo.
Das 48 horas
e mimado
pedido ainda
estou rindo,
De quem tirou
há mais
de quinze dias
o sossego de
um país inteiro.
Há de tudo por
aqui neste torrão
continental
de generais
e de uma tropa
que injustamente
estão presos,
E outros que
abandonaram
publicamente
um a um o barco.
