Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
Se não houver portos, ferrovias, hidrovias, tão necessários para uma nação ser respeitada no mundo todo, nunca será um grande país.
Garçom, por favor, mais uma dose de paciência, pois já não suporto mais esperar que as pessoas falsas mudem suas atitudes.
Não dá pra fugir de certas situações, pois quando desejamos uma coisa e a recebemos, foi por nosso merecimento e força de vontade, mesmo que mudemos de ideia acerca do que desejar.
Se for única pra mim, vai notar que trato como única. Se não notou isso... sinal que é só mais uma. Lamento.
Muitas vezes bate uma saudade daquilo que não nos permitimos viver, de tudo que deixamos de fazer, daquela palavra que não foi dita, mas que o coração teimava em gritar. Como sentir falta do que não existiu?! Mas eu sinto.
“Romantizo tudo, não consigo fugir disto. Hoje mesmo, durante a manhã, passei em frente a uma escola infantil onde as crianças brincavam descontraidamente no pátio. Um menino e uma menina, não mais de cinco anos cada um, estavam sentados no canto brincando com as mãos um do outro e sorrindo com uma graça que há tempos eu não via. Eram, ingenuamente, a espécie mais bonita de amantes: puros, sorridentes, aleatórios ao resto do mundo. Ele só olhava para ela, enquanto ela só olhava para ele. As outras crianças eram meras coadjuvantes daquela cena. Ela batia na mão dele, que não conseguia retribuir na mesma força, com um medo de machucá-la que nem mesmo ele entendia. Era amor. Quem pode dizer que não era amor no olhar daquelas crianças? Ganha de muito casal que convivo, de muitos casamentos de décadas. Ganha de muitos amores perdidos por aí. Por fim, cansados da brincadeira, emudeceram e ela encosto a pequena cabeça no ombro dele, que fez pose de homem protetor. Tão pequenos e ingênuos, mas já tão adultos nos detalhes. Ou serão os adultos que são eternamente crianças? Deveriam ser. A brincadeira entre aquelas duas crianças renderia um romance inteiro na minha cabeça. Não adianta: eu vejo presságios de amor em todos os cantos.”
Uma árvore cuja copa você não pode alcançar cresce de uma semente. Uma construção de mais de nove andares de altura começa com um punhado de terra. Uma viagem de mil milhas se inicia com um único passo.
UM SORRISO, POR FAVOR
Não sei se o fato é universal, se todos reagem assim. Mas é uma constante diária, mil vezes testada.
Quando nos relacionamos socialmente, conversando com pessoas, só passamos a sentir-nos bem, no momento em que o interlocutor desanuvia o rosto, abrindo um sorriso.
Fisionomias sérias nos assustam e inibem. Fisionomias amarradas nos bloqueiam sufocando a espontaneidade plantando embaraço e mal-estar. Naquela sensação de achar-nos deslocados, em país estranho e hostil. Embaralhados com a língua estrangeira, que mal entendemos. Curtindo problemas de comunicação.
Mas... tudo se modifica, por encanto, quando os rostos se iluminam, sorrindo. Sentimo-nos outros, sem bloqueios, sem mudanças. E naqueles sorrisos adivinhamos boas vindas, declarações de amizade e simpatia:
–– Não vos constranjas. Fica à vontade...
–– Coragem, sois meu amigo...
–– A casa é vossa. Acampa, sem medo...
É isso aí. Rostos fechados nos fazem mal, dos pés à cabeça. E o mais simples sorriso nos descontrai, deixam-nos soltos, felizes, bem natural. Bem à vontade, perante outros, conhecidos ou desconhecidos, próximos ou distantes.
Decididamente, sorrir é mais fácil quando alguém sorri para a gente.
O mundo fica diferente e a vida tem outro sabor!
E assim, pelos caminhos da vida, em casa, fora de casa, seja onde for, mendigamos e suplicamos, invariavelmente:
Um Sorriso, por favor!
Não, não vai passar. Vai amenizar, irá se tornar sutil, uma dorzinha, mas não vai passar. Não vou deixar de viver a minha vida, mas também nunca vou deixar de sentir esse vazio ordinário e sem sentido que deixou dentro de mim. E por mais que eu precise conhecer outros sorrisos, beijos e abraços, nunca mais quero ter a sensação de que todo amor é tão inútil. Roupas jogadas por toda parte, uma pessoa totalmente diferente daquilo que estava acostumada. Não era mais eu, era alguém mais magra, mais loira e com maiores olheiras. Era alguém pronta para acabar com todos os corações que ousassem em me tocar. E eu estava muito pronta para acabar, para usar e desusar. Eu estava pronta para ser uma verdadeira vaca com todos os meninos que poderiam se aproximar. Não era assim, nunca havia tomado tantos porres. Não era motivo algum para se mostrar mais feliz, e hoje eu vejo que foi preciso ser aquilo que nem sei mais o nome.
Esse mundo é uma coisa de louco. Sei viver aqui não... Onde já se viu: se você gosta tem que fingir que não gosta, desprezar, negar. Chamar de amigo é pedir para ganhar inimigos ... Alguém pode me explicar como se vive assim?! Deve ser por isso que eu sofro tanto. Eu, tão de verdade vivendo em um mundo tão de mentira.
“Não importa quem te fez chorar no passado, dê uma chance pra quem quer te fazer sorrir no presente”.
