Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura
"Onde descansam os sonhos e cantam os passarinhos"
Descansam os sonhos onde não há forma.
Onde o silêncio tem corpo e respira.
Onde o mundo não exige nome, nem explicação, nem fim.
Ali, naquela fresta entre um pensamento e outro,
os sonhos se deitam — exaustos da lógica —
e adormecem no colo da intuição.
É lá que eles existem de verdade:
sem o peso da realização,
sem o fardo da espera.
São sonhos livres, sem pressa de acontecer.
E talvez nunca aconteçam.
Mas isso não importa,
porque ali, naquele repouso invisível,
eles já são inteiros.
Os passarinhos não cantam só por alegria.
Cantar, para eles, é necessidade,
é o modo como atravessam o mundo
sem se tornarem pesados.
Cantar é sobreviver à existência.
E, quando cantam, desarrumam o ar,
quebram o tempo,
incomodam a rotina das pedras.
Os sonhos descansam no mesmo lugar
onde os passarinhos cantam:
num espaço que não se vê, mas se sente.
Um espaço que mora dentro da gente —
mas que só se revela quando a gente para.
Para de correr, de entender, de ter.
E apenas sente.
É aí que tudo acontece:
onde a vida não é vida como conhecemos,
mas é mais viva do que tudo.
Onde não há promessas,
mas há presença.
Onde não há certezas,
mas há fé.
E talvez esse seja o verdadeiro lugar dos sonhos:
não na realização,
mas na liberdade de serem o que são.
Como os passarinhos,
que não precisam explicar seu canto
para que ele transforme o mundo.
"Seja o primeiro a sorrir. Mesmo quando não há razão para sorrir, pois são nesses momentos que o sorriso é mais que necessário".
Que seja poesia ou razão, mas tudo que for inspirado para que os homens creiam que só há um SENHOR que dirige os passos de quem acredita, seja escrito.
Silêncio em tormentas
Há em mim um lado que é calmaria,
E outro que se perde na tormenta.
Um que se cala ao te olhar,
E outro que grita tua ausência.
Carrego em mim um amor que te envolve,
Mas também um orgulho que te afasta.
Sorrisos nascem só de te ver,
E lágrimas caem quando não estás.
Sou feito de contrastes,
De céu sereno e tempestade,
De certezas e dúvidas,
De encontros e saudades.
Mas entre todos os meus lados,
Entre tudo o que sou ou deixo de ser,
Não existe em mim sequer um instante,
Em que eu não te deseje
Com alma, com coração
Aço que cansa
Hoje não escrevo.
Durmo sorrindo.
Há um alívio bom
em adiar a dor
porque, por um instante,
a alma está quieta
e inteira.
Hoje eu precisava escrever,
mesmo que as palavras pareçam pequenas diante do que sinto.
Há uma dor em mim que ninguém vê.
É um vazio tão profundo que não sei como descrever.
Só sei que está aqui — me atravessando em silêncio.
Esperei com amor, com fé, com cada parte do meu ser.
Esperei como quem acredita em milagre,
como quem sente antes mesmo de existir.
Me entreguei por inteiro, corpo e alma,
a um sonho que crescia — mesmo sem forma.
E quando a resposta veio…
não foi grito, nem tragédia.
Foi apenas o não.
Silencioso, seco, cortante.
E ali, eu me perdi um pouco.
Ninguém viu meu luto.
Ninguém me abraçou por algo que “nunca aconteceu”.
Mas dentro de mim, eu vivi.
Eu sonhei.
Eu amei.
Hoje carrego uma dor muda,
como quem enterra uma parte de si sem ter onde chorar.
E mesmo assim…
mesmo assim…
há um pedaço de mim que ainda espera.
Que ainda ama o que não chegou.
Se um dia você me vir sorrindo,
saiba que há um mar calmo por fora,
mas que por dentro…
ainda há ondas que não sabem descansar.
Com amor,
de mim — por mim.
Silêncio dentro
há um não
que ninguém ouviu
mas que ecoa em mim
como um trovão de dentro para fora
ninguém viu
o dia em que morri um pouco
de olhos abertos
sem despedida
sem barulho
a vida me negou com o olhar vazio
com mãos que não se estendem
com promessas que nunca se disseram
e agora eu ando com essa ausência nos braços
como quem embala o que não nasceu
como quem carrega um nome sem rosto
como quem grita sem som
eu não quero explicações
nem conselhos
eu só quero que essa dor
não precise se esconder em mim
O peso das coisas que não vieram
Há um espaço em mim
que não é vazio —
é cheio demais
de tudo o que não aconteceu
Um lugar onde a esperança dormia
e acordou sozinha,
sem motivo
sem futuro
Não sei mais em que parte do corpo
se guarda o que nunca se teve
mas eu guardo
como quem protege cinzas quentes
como quem segura vento nas mãos
Não foi uma perda
foi uma ausência
que chegou tarde demais
pra ser evitada
e cedo demais
pra ser entendida
e eu sigo
com esse silêncio barulhento
com essa dor sem nome
pedindo a mim mesma
pra sobreviver mais um dia
Tome muito cuidado com a idolatria há qualquer pensamento ou reflexão!?
Ambas sempre terão um fundo de verdade e outro de ilusão.
E dependendo de pessoa para pessoa:
Nenhuma das duas fará sentido.
A morte que respiro viva
há dias em que viver
é um ato de violência contra mim
em que o corpo caminha
mas a alma não vem junto
e o mundo espera
que eu sorria com a boca
mesmo quando meu coração
grita com os olhos
não é que eu queira morrer
é que já morri
tantas vezes em silêncio
que a morte parece mais honesta
do que esta vida fingida
as pessoas dizem:
“tudo passa”
mas há dores que não passam
elas assentam-se, fazem casa
e chamam de lar o que sobrou de mim
e eu finjo
com uma habilidade que ninguém duvida
porque desapontar é pior do que desaparecer
mas só eu sei o peso
de fingir luz quando só há breu
de sorrir com cacos nos lábios
de carregar o próprio túmulo dentro do peito
não peço salvação
não quero promessas
só queria poder existir
sem ter que mentir
que ainda estou viva por dentro
Talvez a morte fosse mais gentil
há um limite que ninguém vê
um lugar depois do cansaço
onde a alma não pede socorro
apenas silêncio
não é desejo de fim
é desejo de paz
de não acordar com o peito em ruínas
com a alma sangrando quieta
talvez a morte fosse mais gentil
do que essa vida que me obriga a fingir
que ainda tenho chão
quando tudo em mim afunda
cansada de me reconstruir
sobre os escombros da esperança
de dizer que estou bem
quando nem sei onde estou
já não me reconheço no espelho
sou só vestígios
restos de uma mulher que sonhava
e agora apenas resiste
não quero palavras bonitas
nem fé emprestada
quero que entendam
que viver assim dói mais
do que desaparecer
e que talvez
só talvez
seria mais fácil fechar os olhos
de uma vez
do que continuar morrendo aos poucos
todos os dias
Onde há liberdade para o capital entrar e sair, há prosperidade; onde há barreiras, reina o atraso.
Como Salomão, há almas que brilham em sabedoria, mas se perdem em vaidades — ainda assim, a mão de Deus as alcança, pois a salvação não é mérito do homem, mas dom eterno da misericórdia divina.
Não existe amor sem respeito, pois sem respeito o amor não subsiste, não há existência, não tem sustentação. Para ser amor de verdade, ele precisa ser perene e onibenevolente.
Caminho em Corda
Eu e você, na corda esticada,
seguimos juntos, sem saber a parada.
Há um destino, mas é mistério,
um lugar oculto, incerto, etéreo.
Passo a passo, sem direção,
levo no peito essa intenção:
quero te ver feliz, brilhante,
fazer de ti alguém importante.
Serás única em cada estação,
meu norte, minha inspiração.
E quando enfim o fim chegar,
juntos iremos descansar.
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