Ha como eu Queria q ela Soubesse
Coração de Pedra
Há amores que atravessam décadas.
O meu atravessou a alma.
Não foi longo o bastante para o calendário,
mas foi eterno para tudo aquilo
que morreu dentro de mim.
Conheci-te primeiro como quem contempla uma estrela distante:
bela, inalcançável, prometendo luz.
Quando enfim toquei tua existência,
confundi o brilho com o calor
e a esperança com a verdade.
Enquanto teus braços buscavam abrigo,
os meus construíam um lar.
Havia uma criança.
E, sem que ela soubesse,
devolveu humanidade aos meus dias.
Nos seus olhos havia a inocência
que o mundo ainda não havia aprendido a ferir.
Amei aquele pequeno ser
como se o destino, por um breve instante,
tivesse me permitido ensaiar a eternidade.
Mas algumas almas não conhecem o repouso.
São mares em permanente tempestade,
capazes de afogar até quem mergulha
com a intenção de salvá-las.
Eu não enxerguei.
Não porque me faltassem olhos,
mas porque o amor, quando se torna absoluto,
transforma a verdade na primeira vítima.
No fim, descobri que beijava uma ilusão
e abraçava um vazio que tinha o teu nome.
Desde então, ninguém mais conseguiu entrar.
Não por falta de beleza.
Não por ausência de bondade.
Mas porque existe uma porta
que só se fecha uma única vez na vida.
Hoje, meu coração não sangra.
Pedras não sangram.
Elas apenas carregam, em silêncio,
o peso de todas as ruínas que sobreviveram ao tempo.
E, se um dia alguém perguntar
qual foi o maior amor da minha existência,
não direi teu nome.
Direi apenas que houve uma primavera
tão intensa,
que foi capaz de transformar todas as estações seguintes
em inverno.
Onde a Sombra Faz Morada
Há vidas que parecem atravessar o mundo sob um céu que nunca amanheceu.
O destino lhes rouba nomes, abraços e futuros, e lhes da remédios para ser um Porto seguro ,
até que a memória se torne um cemitério onde o vento aprende a sussurrar.
Quem contempla tantas despedidas deveria entender
que toda existência é apenas um sopro, passa tão rapido,
uma chama vacilante que com o menor descuido o tempo se apaga.
Mas nem toda dor gera luz.
Há sofrimentos que, quando alimentados pelo vaidade,
deixam de ser cicatrizes e se tornam correntes;
aprisionam a alma, endurecem a voz
e transformam o julgamento em um altar de esquizofrenia.
É um paradoxo cruel.
Quanto mais a morte revela o valor da vida,
mais alguns insistem em desperdiçá-la medindo as falhas alheias dos outros, para Camuflarem às suas.
Esquecem que nenhum tribunal humano resiste ao relógio,
que toda sentença pronunciada hoje
amanhã será apenas poeira, palavras ao vento repousando sobre o cemitério de silêncio.
A maior tragédia nunca foi aquilo que o destino levou.
Foi permitir que cada perda apagasse, pouco a pouco,
a última centelha de lembranças de amor e, misericórdia vividas
Porque há um abismo mais profundo que o luto:
é sobreviver a tantas apocalipses
e, ainda assim, não aprender a ser guarda-chuva para quem também caminha sob a chuva.
Há um irmão cuja força rivaliza com a minha, mas que fez das sombras seu único refúgio. Não atravessa o caminho que leva até mim, não pronuncia meu nome, nem ousa romper o silêncio que ergueu entre nós. Ainda assim, sua voz encontra outra estrada: alcança os ouvidos de meu pai.
Ignoro quais palavras derrama. Talvez sejam preces, talvez veneno; talvez verdades mutiladas vestidas de luz. Apenas sei que, enquanto evita meus olhos, conversa com os fantasmas da minha ausência.
E nas noites em que o vento parece carregar segredos, pergunto-me se é a culpa que o oculta nas trevas... ou se as próprias trevas já aprenderam a chamá-lo de filho.
Maria Delice
Há mulheres que aprendem a costurar tecidos. Tu aprendeste a costurar o invisível.
Enquanto a agulha atravessava o pano, teu caráter atravessava gerações. Cada ponto que teus dedos desenharam continha uma virtude: a paciência que não se vende, a bondade que não faz alarde, a caridade que nunca pediu testemunhas e a força que escolheu permanecer doce.
Chamam-te costureira. Eu chamaria de artesã do destino. Porque uma roupa cobre o corpo por algum tempo; o amor com que a fizeste permanece quando o tecido já não existe.
Teu nome não está gravado em monumentos, mas repousa em algo mais difícil de conquistar: a memória agradecida de quem encontrou descanso na tua presença. Essa é a única eternidade que o tempo jamais consegue desfiar.
Maria Delice, teu maior trabalho nunca foi feito com linhas, mas com gestos. Tu remendaste esperanças rasgadas, alinhavaste famílias dispersas e bordaste dignidade onde a vida insistia em deixar cicatrizes.
Se o mundo fosse um grande tecido, poucos perceberiam que são mulheres como tu que impedem a própria realidade de se romper.
Quando minhas palavras se apagarem e o tempo consumir o que construí, ainda haverá um fio atravessando nossa história. Esse fio terá teu nome.
E nenhuma tesoura, nem mesmo a do tempo, será capaz de cortá-lo.
Do seu neto, James Richard!
Há dívidas que o ouro resgata;
há outras que apenas a honra pode pagar.
Pobre não é o pai que assina por amor,
mas o filho que deixa o amor vencer os juros.
Porque a moeda que pesa sobre o velho
jamais será tão pesada
quanto a ingratidão que pesa sobre a consciência.
Quem faz do pai um fiador de seus sonhos
e o abandona à própria sorte,
esquece que o primeiro crédito de sua vida
foi o colo que nunca lhe cobrou nada.
Honra teu pai antes que o tempo
cobre a dívida que nenhum homem
poderá quitar com lágrimas.
"Não há maior cegueira do que apoiar um sistema que promete nivelar a sociedade por cima, mas historicamente entrega apenas a miséria para todos."
Irmãos hoje há milhões e milhões de pessoas seguindo para o fogo do inferno, porque nós perdemos o fogo do Espírito.
"Há quem ofereça bondade àqueles que podem lhe proporcionar algo e revele crueldade diante daqueles que julga não representarem nada.
A vida real é dura e, muitas vezes, nos deixa diante das dúvidas sobre o que é certo ou errado.
Todavia, talvez o mais importante seja não nos perdermos de quem somos, nem esquecermos de onde viemos e para onde, um dia, retornaremos."
“Quando a Noite Esquece as Estrelas”
Há momentos em que a vida apaga o céu.
Não necessariamente porque tudo terminou, mas porque nossos olhos, cansados de procurar respostas, já não conseguem distinguir as estrelas.
É então que descobrimos uma verdade incômoda: quase nunca sabemos o quanto dependemos de uma luz até caminharmos pela escuridão.
Passamos boa parte da existência acreditando que somos suficientes. Construímos certezas, defendemos nossa independência, levantamos muros em torno das fragilidades e chamamos isso de força. Mas basta uma ausência, uma distância inesperada, uma noite um pouco mais longa, e percebemos que havia alguém iluminando silenciosamente partes de nós que jamais soubemos iluminar sozinhos.
Talvez seja isso que significa ter uma luz que nos guia.
Não é alguém que conhece o caminho inteiro. Não é alguém que possui todas as respostas.
É simplesmente uma presença diante da qual ainda conseguimos acreditar que existe uma manhã depois da noite.
E existem noites terríveis.
Noites em que voltamos para nós mesmos quebrados, envergonhados pelas escolhas que fizemos, carregando nas mãos os pedaços daquilo que jurávamos ser. Nessas horas, não precisamos necessariamente de alguém que nos salve. Precisamos de alguém que permaneça. Alguém que consiga olhar para nossas ruínas sem confundi-las com aquilo que somos.
Porque o ser humano não é apenas aquilo que conseguiu preservar.
Também somos aquilo que tentamos reconstruir.
Talvez por isso amar seja uma das formas mais difíceis de coragem. Amar alguém é saber que um dia a distância poderá chegar. É compreender que nenhuma promessa consegue impedir completamente a perda. É colocar alguma coisa preciosa demais sobre a mesa sabendo que a vida não oferece garantias.
E, mesmo assim, colocar.
Mas existe também uma advertência silenciosa nisso tudo: não podemos atravessar a existência de braços cruzados esperando que outra pessoa faça nascer o nosso amanhecer. Uma luz pode indicar o caminho, mas nossos pés ainda precisam caminhar.
Há uma espécie de cegueira que não nasce da escuridão, mas da desistência.
Quando paramos de procurar.
Quando deixamos de perguntar.
Quando aceitamos viver apenas daquilo que já sabemos.
Por isso precisamos continuar descobrindo alguma verdade nova, mesmo depois de tantas decepções. Precisamos conservar alguma capacidade de espanto. Talvez envelhecer verdadeiramente não seja acumular anos, mas perder a capacidade de ainda se maravilhar diante de alguém, de uma ideia, de uma manhã ou da possibilidade de começar novamente.
E talvez algumas pessoas atravessem nossa vida justamente para nos lembrar disso.
Elas não eliminam a noite.
Não afastam todas as tempestades.
Não prometem que voltaremos inteiros.
Apenas deixam uma pequena claridade acesa dentro de nós.
E quando tudo parece distante, quando nenhuma estrela permanece visível e quando o mundo inteiro parece ter esquecido o caminho de casa, compreendemos finalmente:
há luzes que enxergamos com os olhos.
E existem aquelas que só reconhecemos depois que o mundo escurece.
São essas que levamos conosco.
Porque algumas pessoas não iluminam simplesmente o nosso caminho.
Elas nos ensinam que, mesmo perdidos na noite, ainda existe dentro de nós alguma coisa procurando pelo amanhecer.
"Se a crítica te derruba e o elogio te exalta, ainda há imaturidade. A verdadeira maturidade chega quando você deixa de ser conduzido pela opinião das pessoas e passa a ser guiado pela sua essência, firmada no seu Criador. Quem conhece sua identidade em Deus não vive para agradar aos homens, mas para cumprir seu propósito."
Lamentos
A noite canta
E ouço-lhe os lamentos.
Há um grito de sabedoria querendo
Entrar em minha solidão.
A sombra incrédula vaga sem destino.
O vento invisivelmente se cala.
Não há controle sobre os acontecimentos.
Meus sentimentos congelaram
Como o inverno que se findou.
O calor da chegada do verão
Derramou sobre o sombrio tempo
Um tapete colorido de eternas alegrias.
POR QUE É NECESSÁRIO MUDAR?
Dias desses encontrei uma pessoa que me disse: - Há muitos anos luto para mudar e não consigo. Quero mudar de casa, de emprego, de cidade e talvez até de País. Porém, tenho a impressão de que tem algo que me segura aqui.
Encontrei outra que disse em um discurso o seguinte: - Há quanto tempo esperei por este momento. Lutei e almejei tanto por esta mudança que ela aconteceu. Estou muito feliz por isso. E eu também fiquei feliz em ouvir isso dela.
É nestas horas que vemos que nada nos segura. Que não existe lei alguma que nos impede de mudar; seja de emprego, de casa, de cidade e até mesmo de Estado ou País. O que nos impede de mudar é o medo, a insegurança e muitas vezes a comodidade. Não queremos passar trabalho e isto faz com que não mudemos.
Viemos de famílias tradicionais, com costumes e credos cujo objetivo era crescer, casar, ter filhos, constituir uma família e pronto. Nada mais importava, há não ser este futuro que era programado por eles. Não importava se queríamos aquele futuro ou não. O que importava era o conforto e a segurança financeira.
Por que é necessário mudar? É necessário mudar para que possamos experimentar outras fases da vida, porque os ciclos se fecham e outros se aproximam para que entendamos que a vida é metamorfose constante. Se ficarmos parados e não acompanharmos toda essa evolução, não entenderemos o significado da nossa existência. Precisamos entender que mudar é uma necessidade para a nossa sobrevivência.
Feliz daquele que tem a coragem de mudar. Feliz daquele que tem a persistência para fazer com que a mudança aconteça em sua vida. Feliz daquele que vê que mudar é preciso. Que mudar faz parte da nossa vida. Que mudar nos transforma, eleva o nosso espírito e deixa nossa alma vibrando.
Que quando mudamos nos sentimos livres. Que quando estamos determinados a mudar e a mudança acontece, percebemos o quanto fora necessário toda aquela transformação. Vivemos numa era em que crescer e evoluir é necessário.
Quando falamos em mudanças, estamos falando de libertação, de vida espiritual. Estamos falando de sair da casca e voar. De deixar os restos para trás e atingir o infinito mundo das ilimitações. Voar e ver o mundo de uma nova forma, sob outra perspectiva. Que toda mudança é válida, desde que, entendamos que mudar apenas de casa ou de cidade não é mudança e sim uma fuga.
Que a mudança começa de dentro para fora. Que mudar é transformar o mundo interior. Quando isto acontecer, estamos prontos para a mudança exterior.
Às vezes sinto uma tristeza profunda. É uma tristeza que não há explicação. Enquanto as lágrimas teimam em cair, eu as retenho para que a alegria tome conta do instante.
Quando há força de vontade, há também a concepção de entender que a maior de todas as obras humana, é a plenitude.
Quando sinto que dentro de mim há um descontrole, procuro manter os pés firmes no chão e a cabeça em equilíbrio.
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