Ha como eu Queria q ela Soubesse
A disciplina espontânea poderá ofender sem querer, quando vista como espelho que reflete o quanto pode-se esquecer de si.
Atualmente, condicionamentos separatistas não entendem como a união movia grandes pedras antigamente.
A Estação que Habita em Mim
Vivo como um trem.
Não porque deseje partir,
mas porque a vida não conhece
o ofício de permanecer.
Os trilhos são o destino
que não consulta a vontade,
e cada apito é uma ordem silenciosa
que nem o coração consegue desobedecer.
Passei por muitas estações.
Em algumas,
deixei apenas o rumor das rodas,
como quem atravessa a chuva
sem molhar a terra.
Em outras,
deixei pedaços inteiros de mim,
sem perceber
que um homem também pode ficar
onde apenas sua lembrança permaneceu.
Há pessoas para quem
a minha viagem terminou.
Foi numa plataforma qualquer,
dessas que o tempo cobre de poeira.
Elas acenaram.
Eu acenei.
O trem partiu.
E foi ali
que morri um pouco
na memória delas.
Talvez hoje contem minha história
como quem fala de um viajante
que passou depressa
e desapareceu na curva dos trilhos.
Mas há outras...
Outras ainda viajam comigo,
embora ocupem vagões invisíveis.
Não lhes ouço a voz,
não lhes vejo o rosto,
e, ainda assim,
há noites em que sinto
que respiram dentro das minhas lembranças.
Estranha é a distância:
afasta os corpos,
mas, às vezes,
aproxima a eternidade.
Existe, porém,
uma estação
que nunca consegui deixar.
Foi nela que ficou
aquilo que de mais verdadeiro havia em mim.
Desde então,
o trem continua seguindo,
os dias continuam passando,
as paisagens continuam mudando...
Mas eu...
Eu permaneço parado
naquele instante
em que vi uma porta fechar-se
e um olhar desaparecer
entre a fumaça da partida.
Descobri tarde
que o corpo viaja,
mas a alma escolhe
onde deseja morar.
A minha nunca embarcou novamente.
Se algum milagre houver
nos relógios do universo,
não lhe pedirei
que façam o trem andar para trás.
Pedirei apenas
que desenhem um desvio nos trilhos,
uma curva impossível,
um caminho que conduza,
não ao passado,
mas ao lugar onde o amor
esperou tempo demais.
Porque algumas estações
não pertencem aos mapas.
Existem apenas
dentro daqueles
que continuam viajando
com o coração
à espera de um retorno
que talvez nunca aconteça...
E, ainda assim,
é essa esperança
que mantém acesa
a luz da última janela
do último vagão
do trem que insiste
em chamar-se vida.
Alzheimer
Meu Deus, como é difícil quando eles se perdem nas próprias memórias e, ainda assim, falam de nós com tanto amor, sem saber que estão diante de quem tanto procuram.
É estranho e doloroso perceber que, talvez, o tempo tenha rebobinado dentro deles. Como se a fita da vida tivesse voltado a um capítulo em que nossos rostos ainda eram outros, em que a nossa face não carregava as marcas de tantos anos, e a imagem que guardaram de nós tivesse permanecido intacta, enquanto a vida seguia seu curso.
E então estamos ali, diante deles, ouvindo histórias sobre nós mesmos, sendo lembrados com ternura por quem já não consegue nos reconhecer. Somos, ao mesmo tempo, presença e ausência. Estamos perto o suficiente para tocar, abraçar, ouvir, mas longe demais para sermos encontrados na memória que se perdeu.
Talvez eles não saibam que somos nós. Talvez procurem, em nossos rostos de hoje, aqueles meninos e meninas que o tempo levou. E nós, com o coração apertado, gostaríamos tanto de poder voltar àquela época, nem que fosse por um instante, só para que seus olhos nos encontrassem mais uma vez.
Porque há dores que não vêm da falta de amor, mas da impossibilidade de sermos reconhecidos por quem nos ama. E poucas coisas devem ser tão difíceis quanto continuar sendo alguém tão importante na história de uma pessoa e, ainda assim, precisar reapresentar-se a ela todos os dias.
Existem batalhas que não deixam cicatrizes na pele, mas mudam para sempre a maneira como você enxerga o mundo; amadurecer é aprender a viver sem permitir que essas marcas escolham seu caminho.
A sua evolução começa a incomodar quando você deixa de reagir como a pessoa que foi ferida e passa a escolher como a pessoa que não aceita mais ser definida pela ferida.
"Sabe porque você não deve perdoa uma traição?
Porque alguém precisa te ver como inimigo para te apunhalar pelas costas."
O senhor faz a obra acontecer! Precisamos apenas nos por como instrumentos, ele opera as curas e as libertações!
Quem escolhe criticar e escarnecer de novas tecnologias como as criptomoedas muitas vezes revela apenas o medo de evoluir, preferindo a inércia à busca pelo conhecimento.
É frustrante ver a bondade de um projeto verdadeiro ser recebida com desconfiança, como se a honestidade fosse algo raro demais para merecer crédito de quem não tem visão.
Muitos tratam o anarquismo como sinônimo de caos. No imaginário popular, a ausência de um Estado significaria que as pessoas passariam a atacar umas às outras e que massacres se tornariam inevitáveis.
No entanto, historicamente, regimes autoritários foram responsáveis por massacres em larga escala. A própria democracia, embora baseada na vontade da maioria, também pode gerar divisões constantes, levando milhões de pessoas que representam uma minoria a viver sob decisões com as quais não concordam, sendo obrigadas a obedecer e a contribuir financeiramente para sustentá-las.
As democracias podem alimentar ressentimentos e conflitos entre pessoas que, apesar de suas divergências, compartilham a mesma sociedade. Em determinadas circunstâncias, essas tensões podem resultar em violência e, nos casos extremos, até em guerras civis. Afinal, o conflito entre semelhantes parece ser uma característica inerente à convivência humana, independentemente do sistema político adotado.
Além disso, as pessoas são capazes de praticar a caridade e ajudar umas às outras sem a necessidade de um Estado. Este, por sua vez, recorre à coerção para arrecadar recursos e financiar políticas cujos custos e cuja legitimidade podem ser questionados. Em nome da assistência aos necessitados, por exemplo, arrecada-se dinheiro que também pode ser destinado a guerras, armamentos e projetos motivados por paranoias relacionadas à segurança nacional.
Não raramente, o Estado ainda envia pessoas que nunca se conheceram e que não possuem necessariamente qualquer desavença pessoal entre si para matar umas às outras em conflitos motivados por interesses políticos que pouco ou nada têm a ver com suas necessidades e seus interesses diretos.
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