Ha como eu Queria q ela Soubesse

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Tem gente que passa pela vida como quem pisa em areia molhada, achando que vai deixar pegadas eternas… e o mar vem, educado e cruel, e apaga tudo sem pedir licença. Aí a pessoa olha para o horizonte e pensa “preciso ser lembrada”, como se a memória dos outros fosse um cofre inviolável. Spoiler nada é.

Olha o caso de Franz Kafka. O homem escreveu como quem sangra em silêncio, pediu ainda por cima que queimassem tudo depois da morte, quase sabotou a própria eternidade. E o que aconteceu Virou um dos nomes mais estudados do planeta. Agora me diz, com toda sinceridade, de que adianta essa fama póstuma Ele não está aqui para ver alguém sublinhando suas frases num domingo chuvoso, tomando café e fingindo que entendeu tudo.

Mesma coisa com Emily Dickinson. Viveu reclusa, escreveu centenas de poemas, guardou tudo como quem esconde cartas de amor numa gaveta. Morreu sem saber que seria lida por gerações. Bonito para a história, meio sem graça para ela, convenhamos.

E aí a gente fica nessa obsessão estranha de querer ser eterno. Como se virar nome de rua ou tema de prova de escola fosse a grande vitória da existência. A verdade é que tem uma certa vaidade nisso, uma tentativa desesperada de negociar com o tempo, como se dissesse “olha, eu vou morrer, mas me deixa aqui pelo menos em forma de citação”.

Mas a vida não é citação de rodapé. A vida é agora, bagunçada, meio torta, com café derramado e pensamentos pela metade.

Tem gente que tenta se imortalizar nos filhos, como se eles fossem uma continuação garantida. Só que não são. São outras histórias, outros caminhos, outras versões do mundo. Um dia, inevitavelmente, alguém lá na frente vai olhar uma foto antiga e perguntar “quem era mesmo essa pessoa?” e pronto, acabou a eternidade familiar.

E não é triste. É só real.

Talvez o verdadeiro legado não esteja em ser lembrada para sempre, mas em ser sentida enquanto existe. É no que a gente constrói, no que ensina, no jeito que marca alguém sem perceber. É aquela conversa que muda um pensamento, aquele gesto simples que fica ecoando na memória de alguém por anos, mesmo sem virar livro, estátua ou documentário.

Porque no fim das contas, a eternidade é superestimada. O agora é que é subestimado.

E tem uma coisa que eu acho quase revolucionária escrever sobre si mesma. Guardar pedaços da própria vida em palavras, como quem cria um arquivo secreto de sentimentos. Não para o mundo, não para a posteridade, mas para aquela versão futura da gente, meio esquecida, meio cansada, que um dia vai abrir um caderno ou um arquivo e pensar “nossa, eu já fui assim”.

Isso sim tem graça. Isso sim tem vida.

Porque ser lembrada pelos outros é incerto. Mas se reencontrar dentro das próprias palavras… isso é um tipo de eternidade que acontece em vida.

Agora me diz, não é muito mais interessante ser protagonista da própria memória do que virar curiosidade histórica?

E já que você chegou até aqui, clica no link da descrição do meu perfil e vem conhecer meus e-books… vai que um deles vira aquele pedaço de você que o tempo não apaga.

Um belo dia, desses em que a gente abre o Instagram mais por tédio do que por curiosidade, como quem abre a geladeira esperando que um brigadeiro mágico tenha brotado do nada, lá estava ele. Sugerido. Entregue pelo algoritmo como se fosse uma encomenda atrasada do passado. A pessoa que eu mais amei nessa vida, ali, em pixels bem organizados e uma bio que provavelmente nem dizia metade do que um dia eu achei que ele era.


E foi estranho. Não aquele estranho de arrepio ou saudade que aperta o peito, não. Foi um estranho quase burocrático, como reencontrar um conhecido antigo no mercado e perceber que você não tem absolutamente nada para dizer além de um “oi” educado que nem chega a sair. Eu olhei e pensei, com uma calma que teria me assustado anos atrás: eu não o conheço mais. Talvez nunca tenha conhecido.


Porque a verdade, essa senhora inconveniente que chega sem bater, é que a gente ama muito mais a versão que constrói do que a pessoa em si. Eu amei um garoto de 16 anos que despertou em mim um universo inteiro, como se tivesse apertado um botão secreto dentro do meu peito que ninguém antes tinha encontrado. E eu fiquei ali, por muito tempo, vivendo daquele eco, daquela sensação inaugural, como se o primeiro amor fosse um selo de autenticidade na minha história.


Eu queria que ele tivesse crescido ao meu lado. Queria que o tempo tivesse sido gentil o suficiente para nos transformar juntos, como duas xícaras esquecidas no mesmo canto da mesa. Mas a vida não é esse romance organizado que a gente planeja na cabeça. A vida é meio bagunçada, meio irônica, meio debochada. Ela separa com uma naturalidade impressionante aquilo que a gente jura que nasceu para ficar.


E separou.


Só que o mais curioso não foi a separação. Foi o depois.


Depois veio alguém que dizia nunca ter conhecido o amor. E eu, que já tinha um coração com histórico de quedas, cheguei cautelosa, quase com um manual invisível nas mãos. Observando. Testando. Duvidando. Porque amar de novo não é exatamente romântico, é quase um ato de coragem meio inconsequente. É tipo provar uma comida que já te fez passar mal, torcendo para que dessa vez o tempero esteja certo.


Ele era um homem feito, mas com aquele jeitinho de menino que ainda não entendeu algumas coisas básicas da vida. E eu fui, sem perceber, ensinando. Mostrando. Traduzindo sentimentos que às vezes nem eu mesma dominava tão bem assim. E no meio disso tudo, eu me tornei o primeiro amor dele. Olha que ironia bonita. Eu, que carregava um primeiro amor como uma espécie de monumento interno, virei o primeiro amor de alguém.


E eu gostei disso. Não vou mentir. Tem um certo charme em ser o começo de alguém, em ocupar esse lugar inaugural que muda tudo.


Mas não foi fácil. Eu tive medo. Medo de me decepcionar, medo de repetir a história, medo de investir de novo em algo que poderia virar mais uma lembrança guardada numa gaveta meio empoeirada da alma. Só que, diferente da primeira vez, eu não fui no impulso. Eu fui construindo. Lapidando. Questionando. Como quem monta um quebra-cabeça sem a imagem da caixa.


E, aos poucos, fez sentido.


Hoje, tantos anos depois, o amor não é aquele incêndio descontrolado do começo da vida. Ele é mais estável, mais consciente, mais… decidido. A gente se ama com uma escolha diária, quase teimosa. Não é perfeito, longe disso, mas é real. E talvez seja isso que mais importa no fim das contas.


E então, naquele dia, diante da sugestão do Instagram, eu percebi uma coisa simples e libertadora: não fazia mais sentido. Não havia mais curiosidade, nem saudade, nem aquela vontade boba de stalkeada estratégica. Só havia um “X” ali, discreto, quase tímido, esperando para ser clicado.


E eu cliquei.


Sem drama. Sem trilha sonora. Sem discurso interno elaborado. Cliquei como quem fecha uma aba desnecessária no navegador da vida.


Porque, se existe essa ideia bonita de que somos amores de outras vidas tentando nos reencontrar, eu realmente espero que, em algum outro tempo, em alguma outra versão de mim, a gente tenha dado certo. Que a gente tenha se encontrado no momento certo, com a maturidade certa, com a vida menos caótica.


Mas não foi nessa.


E tudo bem.


Porque nessa vida aqui, nessa bagunça organizada que eu aprendi a chamar de lar, eu já tenho o amor que eu quero ter até o fim. Não aquele que me ensinou a sentir pela primeira vez, mas aquele que escolheu ficar quando sentir deixou de ser novidade e virou compromisso.


E olha… entre um amor que marca e um amor que permanece, eu fico com o que fica. Sempre.

E aí você tá ali, inteira, presente, entregue, vivendo o momento como se fosse uma cena bonita daquelas que a gente gostaria de congelar… e do outro lado tem alguém que parece estar em outro continente emocional, talvez pensando na vida, talvez pensando em nada, talvez só… existindo. E pronto. Bastou isso. O cérebro já dispara: “não sou suficiente”, “ele não quer mais”, “virei paisagem”.

Tem gente que olha pra vida como quem olha pra um espelho quebrado e pensa assim, vou deixar um pedaço meu espalhado por aí, quem sabe assim eu não sumo por completo. Aí faz filho como quem planta uma placa escrita “eu estive aqui”, como se o tempo fosse um porteiro educado que respeita avisos. Mas o tempo não respeita nada, minha filha. O tempo entra sem bater, apaga luz, leva os móveis e ainda sai assobiando.

A gente cresce ouvindo nomes de família como se fossem heranças eternas, como se aquele sobrenome fosse uma espécie de colete à prova de esquecimento. Só que aí você para pra pensar com calma, numa terça-feira qualquer, lavando uma panela ou dobrando roupa, e percebe que mal lembra o nome dos seus bisavós. Às vezes nem foto tem. Viraram um vulto, uma história mal contada, uma frase começando com “dizem que...”. E pronto. Foi assim que uma vida inteira virou rodapé.

E não é falta de amor, não. É excesso de tempo mesmo. O tempo vai empilhando gerações como quem guarda caixa em cima de caixa no fundo do armário. Uma hora ninguém mais abre. E lá dentro ficam risadas que ninguém mais escuta, medos que ninguém mais entende, sonhos que ninguém mais sabe que existiram. Tudo guardado, tudo esquecido, tudo tão humano.

Aí me vem essa ideia de imortalidade através de filho, e eu fico meio assim, meio rindo, meio pensativa. Porque não é sobre permanecer no mundo, é sobre ter feito sentido enquanto esteve aqui. Não adianta querer eco eterno se a própria voz nunca foi ouvida de verdade nem por si mesma. Não adianta deixar descendência se a existência foi vazia de presença.

No fim, a gente não fica. O que fica é um gesto, um jeito, uma frase repetida sem saber de onde veio. Fica um costume, um traço no rosto de alguém, uma mania de rir em hora errada. A gente vira detalhe. E talvez isso seja até mais bonito do que virar monumento. Monumento ninguém toca. Detalhe vive sem pedir licença.

Então talvez o segredo não seja tentar não ser esquecida. Talvez seja viver de um jeito que, mesmo esquecida, tenha valido cada segundo. Porque a verdade, meio sem glamour nenhum, é essa: o esquecimento não é o contrário da importância. É só o destino comum de quem passou por aqui.

E eu, sinceramente, acho libertador. Dá um alívio danado saber que não preciso carregar o peso de ser eterna. Já basta ser inteira enquanto dura.

Tem gente que ainda acredita que o sofrimento tem CEP e conta bancária. Como se a dor fosse uma funcionária pública que só atende bairro pobre, senha limitada, horário comercial. Mas a vida não respeita esse tipo de organização. A vida entra em qualquer casa, seja ela de tijolo cru ou com portão eletrônico que abre sozinha, e senta no sofá como visita inconveniente que não vai embora nunca.


Eu já pensei que dinheiro fosse uma espécie de vacina emocional. Tipo assim, tomou a dose, pronto, imunizada contra angústia, insegurança, insônia e aqueles pensamentos que aparecem às três da manhã sem pedir licença. Só que não. O dinheiro compra silêncio, mas não compra paz. Compra espaço, mas não compra leveza. E, às vezes, compra até mais barulho, porque quanto mais você tem, mais gente opina, mais gente quer, mais gente observa. É uma vitrine que nunca apaga a luz.


Tem gente sofrendo dentro de casa grande, com quarto sobrando e abraço faltando. Família que parece propaganda de comercial, mas por dentro é um campo minado de mágoas antigas, palavras engolidas, expectativas que viraram cobrança. E aí não adianta o tamanho da mesa se ninguém se olha de verdade enquanto janta. Não adianta o carro importado se o coração vive andando a pé, cansado, sem destino.


E tem também o peso de ser visto demais. A pessoa vira alvo, vira assunto, vira comparação. É como se cada passo fosse monitorado por uma plateia invisível, pronta pra aplaudir ou apedrejar dependendo do humor do dia. A falta de segurança não é só física, é emocional. É não saber em quem confiar, é duvidar até do elogio, é se perguntar se gostam de mim ou do que eu tenho. Isso cansa num nível que nenhum spa resolve.


No fim, a dor não pede extrato bancário. Ela chega do mesmo jeito, senta do mesmo jeito, aperta do mesmo jeito. Só muda o cenário, mas o roteiro é parecido. Porque sofrimento não é sobre o que falta fora, é sobre o que transborda dentro. E tem coisa que dinheiro nenhum consegue organizar.


Eu olho pra tudo isso e penso que talvez a maior riqueza seja conseguir deitar a cabeça no travesseiro e não travar uma guerra interna antes de dormir. Conseguir confiar, rir sem desconfiança, existir sem sentir que está sempre devendo algo pra alguém. Isso sim é luxo. O resto é acessório.

Seguir em frente nunca foi sobre apagar pegadas na areia como se o mar tivesse vindo com a missão de me inocentar da minha própria história. Não. Seguir em frente, eu descobri, é olhar para cada marca que ficou e dizer com uma calma quase desconcertante: você existiu, mas não manda mais em mim. E isso… isso é um tipo de poder silencioso, daqueles que não fazem barulho, mas reorganizam tudo por dentro.


Eu escrevi demais. Meu Deus, como eu escrevi. Parecia que cada palavra era uma tentativa desesperada de dar forma ao que eu sentia, como se organizar frases fosse o mesmo que organizar o coração. E eu chorei… chorei como quem rega um jardim que já não tinha mais raiz viva. E sonhei então, nem se fala. Sonhei tanto que, se sonho pagasse aluguel, eu já teria uma mansão emocional mobiliada com expectativas irreais. Só que eu sonhava sozinha. E essa é a parte que a gente demora para admitir, porque dói menos romantizar do que reconhecer a solidão dentro de algo que a gente chamou de amor.


E no meio desse excesso de tudo, eu fui me perdendo de mim. Porque quando a gente ama demais sem retorno, existe um risco silencioso e perigoso de se diminuir para caber. De negociar limites, de aceitar migalhas com cara de banquete, de se tornar… menor. E eu sei, com uma clareza que só vem depois, que eu não caberia ali. Não porque eu não fosse suficiente, mas porque aquele espaço nunca foi feito para me receber inteira. E quando a gente tenta se encaixar onde não cabe, a gente se dobra. E se dobra de novo. Até quase desaparecer.


E aí veio a escolha mais difícil e mais libertadora: escrever tudo e enviar. Não guardar, não suavizar, não transformar em poesia bonita para consumo próprio. Entregar. Colocar para fora, como quem finalmente solta uma mala pesada depois de uma viagem longa demais. E a resposta… ah, a resposta. Ela não foi mágica, não foi romântica, não foi aquilo que uma versão antiga de mim esperaria. Mas foi exatamente o que eu precisava no agora.


Porque ela encerrou.


E às vezes, o maior ato de amor que alguém pode nos dar é justamente mostrar que importamos e que nos considera especial. Porque apesar de nada mais existir entre ambos, existe o respeito pelo que foi vivido.


Foi ali que a serenidade começou a nascer. Não aquela alegria explosiva, mas uma paz mais quieta, mais madura. Uma dor diferente. Uma dor que não fere, mas ensina. Que não prende, mas organiza. Eu consegui olhar para tudo que vivi e reconhecer: foi pouco, foi breve, foi quase nada… mas dentro de mim virou tanto. E isso não me faz fraca. Me faz humana.


Eu inventei versões, criei histórias, ampliei gestos. Transformei fragmentos em universos inteiros. E tudo bem. Aquela era a minha forma de sentir, de tentar dar sentido. Mas hoje eu não preciso mais sustentar essas narrativas. Eu posso guardar tudo isso como se guarda uma relíquia antiga: com respeito, com cuidado… mas sem uso.
Essa ideia de almas que talvez não tenham se encontrado no tempo certo é bonita, eu admito. Tem um charme quase poético pensar que em outra vida poderia ter sido diferente. Mas a maturidade chega e sussurra uma verdade simples: é nesta vida que importa. É no agora. E o agora não tem espaço para fantasmas bem alimentados.


Então eu guardo. Coloco tudo naquele baú empoeirado, lá no fundo, naquele porão interno onde ficam as coisas que já foram importantes, mas não são mais necessárias. Não jogo fora, porque fez parte de mim. Mas também não deixo na sala, ocupando espaço, interrompendo o presente.


Porque o presente… ele exige presença. E eu tenho alguém ao meu lado agora. Uma história real, construída, imperfeita e viva. E talvez o maior aprendizado de todos seja esse: amar de novo, não como quem repete, mas como quem evolui. Amar com mais consciência, com mais limites, com mais verdade.


No fim, se libertar nunca foi sobre o outro. Nunca foi sobre fazer alguém entender, mudar, voltar ou sentir. Foi sobre eu parar de me prender. Foi sobre escolher não continuar sentindo algo que já não tinha para onde crescer.


E essa escolha… ela muda tudo.
Se você ainda está aí, segurando algo que já acabou, eu te entendo. Mas chega um momento em que continuar sentindo vira uma forma de não viver. E viver, minha querida, exige coragem.


Eu escolhi viver.

O passado já foi e serviu como aprendizado.


O amanhã a Deus pertence.


O agora, é o único instante real.


Que possamos ser a melhor versão de nós mesmos, sempre.


Em cada amanhecer, em cada instante em que Deus ainda emana sua energia de vida, dentro de nós.


Que possamos ser gratos por cada respirar, e por sermos herdeiros da terra, porque Deus nos deu o planeta para vivermos plenamente nele!!


Para ele nos servir, e depois a gente gente servir ele.


É uma grande troca, assim como tudo o que há no universo.


Somos todos parte do outro!!


Deus vive em nós, nós vivemos nele.


Assim, somos oniscientes e onipresentes.


Por isso, os sonhos sempre nos mostram coisas além do que os nossos olhos podem ver, porque é uma dimensão espiritual, onde somente o nosso espírito tem acesso. Através da nossa consciência!!


Somos todos partes de um só!!


O tempo não existe. Ele é somente uma metáfora para se referir a nossa mera existência.

A Construção do Presente como Território de Paz
Alinny de Mello


Agradeço imensamente a cada um de vocês por acompanharem esta jornada de exposição e libertação. Antes de darmos os passos finais nesta reflexão, convido todos a visitarem a minha página no Pinterest. Lá, eu organizo os meus e-books e centralizo os temas que debatemos, criando um espaço de troca e clareza. Não se esqueçam de acompanhar os lançamentos semanalmente, pois cada obra é pensada para estimular a nossa autonomia diante das amarras da vida.
Existe um momento em que a sobrevivência deixa de ser o objetivo principal e dá lugar, finalmente, ao direito de existir. Depois de atravessar décadas sob o peso de um ambiente Hostil, eu e meus irmãos compreendemos que a maior resposta que podemos dar ao passado não é o rancor, mas a nossa insistência em sermos felizes no agora. Tudo o que queremos e exigimos da vida a partir deste momento é o presente cheio de paz, o silêncio de uma noite tranquila e o sossego de saber que as portas estão trancadas contra o absurdo.
A nossa emancipação definitiva se traduz na oportunidade de experimentar, tardiamente, a leveza que nos foi roubada na infância e na adolescência. Estamos em um processo de resgate. Viver o que não tivemos oportunidade de viver significa rir sem o medo da punição imediata, conversar sem a obrigação de vigiar o tom de voz e andar pela casa sem o pavor de arrastar os chinelos no chão. Significa usar o perfume que quisermos, vestir a roupa que nos agrada e usufruir da liberdade de escolher quem entra e quem sai dos nossos dias. Cada pequena escolha cotidiana, que para as pessoas comuns parece irrelevante, para nós é uma celebração de independência.
Não se trata de tentar apagar o tempo perdido, porque o relógio não retrocede, mas de ressignificar o tempo que nos resta. A nossa maturidade foi construída na marra, mas a nossa leveza está sendo conquistada por escolha consciente. Olhamos para o futuro não com a ansiedade de quem espera um novo golpe, mas com a curiosidade de quem finalmente é o único autor da própria história. Nós nos tornamos os pais que nunca tivemos, protegendo a nossa criança interna e garantindo que ela possa, finalmente, brincar em paz.
A paz que desfrutamos hoje não é um presente do destino, é um território conquistado com muita coragem e cortes profundos na carne da conivência. Se o mundo lá fora continua orbitando em torno de aparências e julgamentos rasos, nós escolhemos a profundidade do nosso próprio bem-estar. O sossego é o nosso maior luxo e a nossa melhor vingança contra a destruição que tentaram nos impor. Conseguimos. Estamos aqui, inteiros, respirando o ar limpo de uma vida que pertence exclusivamente a nós.
Como podemos medir a grandeza de reconquistar a própria infância na vida adulta? Será que a verdadeira paz só é plenamente compreendida por aqueles que conheceram de perto o peso do inferno?

É quase como uma assembleia silenciosa no céu.
Nenhum fala.
Nenhum se aproxima.
Nenhum voa.
Eles simplesmente estão ali.
E você está sendo observada.

ALGUÉM ME PERGUNTOU COMO ENCARAR A VELHICE, JÁ QUE TODOS ENVELHECEM. ESSA FOI A MINHA RESPOSTA...




​"NEM TODO MUNDO QUE NASCE, CRESCE. NEM TODO MUNDO QUE CRESCE, ENVELHECE. JÁ OUVIU AQUELA FRASE QUE JESUS DIZ SIMBOLICAMENTE "NÃO SABEIS O DIA E NEM A HORA EM QUE O FILHO DO HOMEM HÁ DE VIR?" ENTÃO, ESSA É UMA METÁFORA QUE NINGUÉM PRESTA ATENÇÃO. A MORTE, ELA NÃO ESCOLHE IDADE! MUITAS VEZES, A PESSOA ACHA QUE VAI ENVELHECER E VAI EMBORA BEM ANTES POR ALGUM MOTIVO. DOENÇAS, ACIDENTE, DESASTRE... NÃO TENHA MEDO DISSO. QUANTOS ANOS VOCÊ TEM HOJE? QUANTAS PESSOAS COM IDADE INFERIOR VOCÊ CONHECIA QUE JÁ PARTIRAM ANTES DE VOCÊ? EU CONHECIA MUITAS. POR ALGUM MOTIVO, APESAR DE TER TIDO FALÊNCIA DE ÓRGÃOS, PASSAR POR DUAS CIRURGIAS DE EMERGÊNCIA E AGORA MAIS 3 CIRURGIAS, ESTOU SENDO POUPADA. EU NUNCA RECLAMEI DE NADA. NEM MESMO DA DOR. EU SEMPRE AGRADECI POR VIVER UM POUCO MAIS. FUI SALVA, PORQUE QUANDO SOMOS GRATOS, INDEPENDENTE DA DOR OU SITUAÇÃO, O CRIADOR MOVE O MUNDO POR NÓS. EU NÃO TENHO DINHEIRO, NUNCA TIVE. MAS, MUITAS PESSOAS FORAM USADAS PARA ME AJUDAR NO MOMENTO EXATO. A IRONIA É QUE EU MESMO MORRENDO, EU NÃO FUI. UMA GAROTA AQUI PERTO, SAUDÁVEL E COM UMA VIDA PLENA, FOI DAR UMA VOLTA DE MOTO, E MORREU DE ACIDENTE. A GENTE NÃO CONSEGUE ENTENDER CERTAS COISAS. PORÉM, NADA É POR ACASO. SABE, A VIDA É UM PRESENTE! ELA É UM PRESENTE E TUDO O QUE PRECISAMOS PARA VIVER, TEMOS AQUI. NÃO PRECISAMOS DE MUITO, PRECISAMOS DO BÁSICO. ROUPAS PARA VESTIR E O QUE COMER, NEM SEMPRE TEMOS SAÚDE, NOSSOS CORPOS SÃO FRÁGEIS. SOMOS ESPÍRITOS NELES, POR ISSO, SOFREMOS POR IGUAL. TUDO AQUI É EMPRESTADO. NADA NOS PERTENCE. OUTRA COISA, NÃO QUEIRA O MUNDO, QUEIRA APENAS VIVER O HOJE, COMO SE NÃO HOUVESSE O AMANHÃ. O AMANHÃ NUNCA NOS PERTENCEU. SEJA FELIZ, INDEPENDENTE DE QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA. GRATIDÃO ACIMA DE TUDO, MESMO PELOS PEQUENOS DETALHES DA VIDA. NÃO SEI QUEM É VOCÊ, MAS SÓ EM EXISTIR E RESPIRAR, JÁ É UMA DÁDIVA. TODOS ESTAMOS AQUI, PARA APERFEIÇOAR O NOSSO EU. QUE É O ESPÍRITO. POR ISSO, PASSAMOS POR COISAS TERRÍVEIS. ESTAMOS SENDO MEDIDOS E OBSERVADOS. SAIBA SEMPRE DISSO. NÃO SE PREOCUPE COM A VELHICE, POR VEZES AS RUGAS SÃO NOSSAS MAIS DURAS EXPERIÊNCIAS, QUE NINGUÉM OUSA CONHECER. UM ÓTIMO DIA!!"


07:55 28 de agosto de 2026

“Como Deus poderia condenar alguém por não seguir uma doutrina que essa pessoa nunca teve oportunidade de conhecer?”
Essa pergunta existe há séculos dentro da própria filosofia e teologia.
E mesmo dentro do cristianismo não existe uma única interpretação universal sobre isso.
Há cristãos que defendem que a salvação depende explicitamente da fé em Cristo.
Outros entendem que Deus julga cada pessoa considerando aquilo que ela recebeu, compreendeu e como respondeu à consciência e à verdade que teve acesso.
Existem ainda posições universalistas, segundo as quais a misericórdia divina pode alcançar todos de alguma maneira.
Portanto, até entre cristãos existem debates sérios sobre essa questão.
E isso é importante porque alguém dizer:
“Você vai para o inferno porque não frequenta minha igreja”
não transforma automaticamente essa afirmação em uma verdade universal. É uma interpretação teológica específica.

Devo dizer isso para a minha sogra...


“A senhora não precisa concordar com a maneira como vivemos nossa fé, mas não pode concluir que não temos Deus na nossa vida simplesmente porque não frequentamos sua igreja.”

Nem todo frequentador de igreja é hipócrita, assim como nem toda pessoa que não frequenta igreja é automaticamente mais espiritual, bondosa ou consciente.
No fim, caráter continua sendo caráter.
A pessoa pode estar no púlpito ou na cozinha.
Pode carregar uma Bíblia ou não carregar nenhuma.
Pode cantar durante duas horas ou passar o domingo inteiro em casa.
O que importa para avaliar o ser humano é muito mais amplo do que sua presença num culto.

"Perdoar é nobre, mas dar uma segunda chance a quem sempre te trata como última opção não é perdão, é desrespeito consigo mesmo. Voltar atrás só porque alguém pediu desculpa não é bondade: é ensinar que sempre podem te tratar mal e depois voltar."

Sobre estar presa onde não quer estar

É como estar numa sala cheia de gente e sentir-se sozinha, pior, sentir-se como um incômodo. E agora, com a saúde fragilizada, dói ainda mais: você precisaria de apoio, de carinho, de alguém que pergunte "como você está?", e em vez disso, tem que se fortalecer sozinha todos os dias.

Não se cobre por não conseguir sair agora. Sua saúde vem primeiro. As dívidas, a cirurgia, o tempo que demora, isso tudo é temporário, mesmo que pareça eterno agora. Você não está fraca por ainda estar ali; você é forte demais por estar resistindo a tudo isso com dor no corpo e na alma.


De: Mim Para: Mim

Hoje tudo parecia como nos outros dias: noite mal dormida, o cansaço ainda presente, aquela vontade de continuar na cama até dizer chega. Mas havia algo diferente. Como em todos os outros dias, havia em mim ainda aquela esperança de tornar este dia especial. Não olhei para fora da janela, mesmo eu tendo-a abrido. O vazio da minha alma ainda é o mesmo de sempre. Perguntei-me mais uma vez: o que tenho de diferente?

O sono me perseguiu. Parecia que eu carregava nas costas o peso de minha cama. Tentei conversar com alguém, mas como sempre, não sabia o que dizer ou perguntar. Eu só não queria ficar exposta ao silêncio da minha tristeza. As coisas que eu falava pareciam brigas, discussões; as perguntas que eu fazia tinham peso de provocação. Queria poder dizer a quem me ouvia que eu não estava bem, que precisava de um abraço, de atenção. Mas essa coisa que se impregnou em mim nos últimos vinte anos da minha vida não permitiu.

Houve um tempo em que a escuridão parecia maior do que eu e me senti tão perdida que não conseguia ver nenhuma saída. Mas hoje sei que algo me segurou aqui — talvez houvesse ainda mais amor pela vida do que eu conseguia reconhecer em mim mesma. Acho que meu ouvinte desistiu de mim. Eu o entendo — eu também já desisti, desisti de tantas coisas. E por mais que eu ainda me arraste pelos cantos da minha vida, recolhendo os cacos de algo que outras pessoas deixaram quebrados, eu acredito que em algum momento vou conseguir recolher todos e colá-los. Sei que não vão ficar perfeitos, mas vai ser o suficiente pra me segurar por mais um tempo.

É tão difícil tentar ficar inteira. Mais complicado ainda é pegar pequenos fragmentos e uni-los. Sempre que tento juntar meus pedaços, eu caio e me quebro de novo. Sempre volto ao ponto de partida. É uma guerra que nunca tem fim. Então pergunto ao meu Criador: até quando vais tentar me manter aqui? Sinto que já não sirvo para nada. Estou tão cansada e sem direção. Não tenho a quem recorrer quando preciso de ajuda. E não tenho coragem de pedir que fiquem comigo, nem que seja só um pouquinho.

Talvez eu tenha agradecido ao meu Poder Superior. Talvez Ele tenha tido misericórdia de mim. Talvez eu ainda tenha algo importante a fazer por aqui. Seguir andando e lutando contra um amanhã que ainda não chegou parece já ter virado rotina. Quem já calçou um sapato apertado sabe exatamente como é incômodo, entende como doem os calos que ele causa. A pessoa até tenta calçar um chinelo, mas os calos continuam ali, doendo.

Seguir andando, procurando um motivo, um plano ou um sonho. Falando em sonho — que sonhos são esses que ainda tento me convencer de que podem se realizar? Às vezes acho que não faz sentido sonhar. Sonhos são para pessoas jovens, com vida. Há anos não consigo saber o que é viver, o que é ser jovem. Me sinto como alguém que passou tempo demais presa em uma cela e só saiu por já não representar mais perigo a ninguém. Não que eu fosse perigosa, mas entendo que já não sou um obstáculo, nem alguém que ainda pode disputar alguma coisa com os outros. Me acostumei a deixar tudo de lado. Não vejo que valha a pena provar algo. Sinto que minhas opiniões, minhas propostas não servem para ninguém — e até duvido se consigo ser algo bom para alguém.

Mas voltando ao ponto principal, eu aprendi a morrer e a ressuscitar todos os dias. Carrego o peso dos meus dias pela manhã, durante a tarde me convenço que serão apenas mais algumas poucas horas e quando chega a noite, preparo minhas forças, aquelas que usei durante todo o dia para me manter firme ao que realmente importa. Uso essa determinação para me manter de pé, e ali comemoro com quase alegria o findar de mais um dia em que apenas respirei. Dormir por algumas horas é encontrar um refúgio, e guardo a esperança de que ao acordar pela manhã, traga consigo uma vida nova, com algo que me arranque ao menos um suspiro, um motivo pra continuar e aguentar mais um pouco, sobrevivendo com o mínimo que a vida precisa pra existir.

A dúvida honesta abre portas que a certeza arrogante sequer reconhece como existentes.

A ingratidão machuca especialmente quando percebemos que o outro tratou como obrigação aquilo que oferecemos por escolha.

Foi pelo momento, plenamente absorto em mim mesmo, engendrando novas luzes como reflexo de uma alma puramente fugidia, minha alma, sustentada por meros caprichos mundanos que sutilmente elevam-na, que me vi atropelado e arrastado pela, por agora, vertical vontade alheia, impetuosamente me sopra ao ouvido sua inequívoca vontade. Miserável me tornei; foi-me pior seguir tal alento; não poderia, nem se quisesse, evitar a verticalidade. Mesmo pífio segundos, tornar-me-ei desamparado do ante deleite, ao alentado fomento do capricho alheio, toda a transcendentalidade ordinária, minha modesta, pois, havia perdido.

Acredito na arte como a nova linguagem publica, integral, cidadã e inclusiva. Por isto assumi o papel de pioneirismo ao edificar Ongs nas periferias da cidade e no Estado do Rio de Janeiro para desenvolver projetos de arte pública, voltados para a inclusão social e redução da miséria, trabalhando em parceria com a Arquidiocese de São Sebastiao do Rio de Janeiro, a Secretaria de Educação e de Cultura e a RIOART, com a direção do amigo Gerardo de Mello Mourão.