Muitos tratam o anarquismo como... Fantasma de Max Wolf

Muitos tratam o anarquismo como sinônimo de caos. No imaginário popular, a ausência de um Estado significaria que as pessoas passariam a atacar umas às outras e que massacres se tornariam inevitáveis.


No entanto, historicamente, regimes autoritários foram responsáveis por massacres em larga escala. A própria democracia, embora baseada na vontade da maioria, também pode gerar divisões constantes, levando milhões de pessoas que representam uma minoria a viver sob decisões com as quais não concordam, sendo obrigadas a obedecer e a contribuir financeiramente para sustentá-las.


As democracias podem alimentar ressentimentos e conflitos entre pessoas que, apesar de suas divergências, compartilham a mesma sociedade. Em determinadas circunstâncias, essas tensões podem resultar em violência e, nos casos extremos, até em guerras civis. Afinal, o conflito entre semelhantes parece ser uma característica inerente à convivência humana, independentemente do sistema político adotado.


Além disso, as pessoas são capazes de praticar a caridade e ajudar umas às outras sem a necessidade de um Estado. Este, por sua vez, recorre à coerção para arrecadar recursos e financiar políticas cujos custos e cuja legitimidade podem ser questionados. Em nome da assistência aos necessitados, por exemplo, arrecada-se dinheiro que também pode ser destinado a guerras, armamentos e projetos motivados por paranoias relacionadas à segurança nacional.


Não raramente, o Estado ainda envia pessoas que nunca se conheceram e que não possuem necessariamente qualquer desavença pessoal entre si para matar umas às outras em conflitos motivados por interesses políticos que pouco ou nada têm a ver com suas necessidades e seus interesses diretos.