Grades
No ar fresco da noite tudo é diferente.
Para além das grades verticais, esgrimidas pela memória, podem-se ver as estrelas costuradas num céu manso, acetinado pelo calor da primavera.
Não existe dor aqui.
Inspira-se e expira-se.
Os sentidos apuram-se. Mais doces do que é habitual, num estremecimento exposto e palpitante.
O tempo revela-se à frente, rumo a um leque de sentimentos pungentemente reais, como se conseguisse voar dali para fora.
Ela vai melhorar. Sim. Claro que vai.
A sua voz está dentro da minha cabeça. O amor bate em cheio. Quando realmente importa, as pessoas tornam-se também sensíveis à família.
Nunca cheguei a conhecê-la verdadeiramente bem, o que é uma idiotice, uma vez que trabalhamos juntas no mesmo local, mas ela entrou num edifício em chamas. E é extraordinária.
Segunda, o céu só não está mais belo
Pois está atrás das grades.
Prezo, detido por ser livre.
Por ser tão azul e mudar de cor.
Até aqueles gigantes pedaços de algodão foram aprisionados
Por andarem soltos por ai, pra onde o vento tocar.
Eu aqui, na mesa do trabalho dentro das 44 semanais. Olho para essas grades a pensar:
Quem será que prendeu esse céu, que minutos antes de bater o ponto, era tão livre?
Quem ousou trancafiar essas esculturas de algodão, que estavam a correr antes de segunda?
Quem foi o ser que inventou tamanha escravidão?
Se eu tivesse a força dos ventos, arrebentaria essas grades como se fossem barbantes. E perdoaria o "sem coração" que deixou um céu tão belo prezo desta forma.
- Céu, se é que me lê agora, preste atenção. Eles estão te comprando da forma mais barata possível. Eles estão tirando a sua beleza. Eles, eles...
Talvez se o céu soubesse que é um escravo, se rebelaria, chutaria as grades destes portões e pressionaria este ser que o escraviza.
Pena maior, é saber que esse mesmo céu olhará pra mim por entre essas grades e achará que o prisioneiro sou eu.
Me sinto condenada sem as grades
Com um amor que envenena
Uma vida traiçoeira
Um sucesso que envelhece
Uma poesia seca sem lágrimas
Uma flor perdida no deserto ao sol e ao frio
Nas tempestades encharcada
De joelhos suplicando aos Deuses, anjos, santos, espíritos
Que essa sensação passe, esse absurdo acabe
Que tudo se transforme
Que a vida segure minhas mãos
Porque vida invisível é um vácuo
Que nada contém
Com pensamento congelado
Sem fazer distinção do que é bom ou não
Nas tempestades encharcada
De joelhos suplicando aos Deuses, anjos, santos, espíritos
Nas tempestades encharcada
De joelhos suplicando aos Deuses, anjos, santos, espíritos
A liberdade é um sonho que acalenta
as almas sufocadas nas grades mentais
nas quais outrora se aprisionaram...
Coração.
As portas do meu coração
são como as grades de alcatraz
quando prende uma paixão
ninguém entra e ninguém sai.
Por que será?
Será o porque?
A liberdade te liberta das grades
Mas nunca de você!
Por mais abolicionista
Que esse discurso pretenda ser,
As grades são invisíveis
Mas as correntes estão dentro de você.
Ambições constantes e falíveis,
Caçador do verbo ter,
Tem a sela, tem as grades,
Tem a vela e a vaidade,
Não tem amor por não merecer.
Ouvi dizer que a chave das grades
Era a famosa liberdade.
Eu fui atrás, mas
Fui com vontade.
Apesar da pouca idade
Eu caduquei, enlouqueci,
Procurando a liberdade
Me prendi.
Cada vez mais,
Correntes de pensamentos alheios
Eu tropeçava.
Quanto mais fugir eu tentava,
Mais adentrava no meio.
Ora essa,
Tanta vontade de entrar na orquestra
Fizeram-me escravo do instrumento.
Hoje, não prego, mas vivo
A abolição dos pensamentos.
Se alguém se sentir preso olhe-se, pois as grades poderão estar dentro de você mesmo e não ao seu redor. Liberdade é uma questão de felicidade e não de comportamentos.
¨`•.ઇઉDepois da decisão precisa ter atitude.
Se você romper as grades da gaiola,
mas não bater as asas pra valer,
jamais poderá voar de verdade...
Almas tão ricas em belezas, mas estão presas atrás de grades enferrujadas. A cela é delimitada pela mente e o corpo se torna o presídio de segurança máxima.
— Lua Kalt (deliberar).
Dos Silêncios e das Grades -
Às vezes tenho pena dos versos
que escrevo!
Não porque os escrevo mas como
os sinto ...
Meus versos são eu continuando-me
em silêncio ...
Porque faço eco de vozes passadas e
gestos cortantes que se espraiam nas
madrugadas dos meus sonhos.
Há rios de luz no meu olhar!
De tanto sonhar perdi-me no tempo
sem perder-me de mim!
Versos trago-os aos molhos ...
E os meus dias nascem, desde então,
dos silêncios e das grades!
