Gosto do mal Feito
Li um dia que Demóstenes era gago. Ele enchia a boca de pedras e ficava urrando feito um urso. Tornou-se o maior orador da Grécia.
Às vezes nossas falhas podem se tornar nossos pontos fortes.
O negócio é saber onde encher de pedras.
Feito grãos, é do nosso atrito com outras pessoas que vamos perdendo nossas cascas, nossas couraças, nossas carapaças.
Às vezes, um homem deve fazer o que tem que ser feito. Razão e livre-arbítrio não são opostos, mas se conectam: a razão ilumina e o livre-arbítrio decide. É justamente nessa obediência à razão que o homem se torna verdadeiramente livre.
Meu coração definitivamente não foi feito para este mundo. Sou apenas um anjo preso em um corpo corruptível.
A salvação e a condenação não vêm de um duplo decreto feito unilateralmente na eternidade passada! Deus escolheu salvar os que creem em Jesus e condenar os que rejeitam Jesus! Esse é o único meio que Deus usa para salvar e condenar os homens (Joao 1.12; João 3.16-19; João 3.36; João 5.24; João 11.25-26; Atos 4.12; Atos 16.30-31; Romanos 6.23; Romanos 10.9; Gálatas 2.16 Hebreus 7.25; 1ª João 5.10-12).
Se o que você está sonhando pode ser feito sem a ajuda de Deus, então não é o sonho de Deus para sua vida, mas o seu sonho.
O bem deve ser feito no silêncio, o resto é show de quem quer se autopromover com a dor do próximo.
Deus já fez tudo que podia ser feito pela nossa redenção por meio de Cristo. Agora, só falta você não endurecer o coração por uma obra tão maravilhosa.
Sim, o decreto já foi feito; e aconteceu antes da fundação do mundo. Mas que decreto? Certamente este: “Eu colocarei diante dos filhos dos homens a vida e a morte, a bênção e a maldição. E a alma que escolher a vida viverá, assim como a alma que escolher a morte morrerá.”
Judas poderia ter sido um eleito? Claro que sim! Para isso ele deveria ter feito o que era capaz de fazer com a Graça divina que todo ser humano recebe da parte de Deus.
O que o pobre calvinista não entende é que, está tudo feito para que, em mim, possa ser feito; e em tal tarefa sou colaborador de Deus, abrindo o coração para que a operação do Espírito não encontre o pior adversário da Graça, que é a nossa resistência ao chamado de Deus. O Apóstolo Paulo é claro: somos colaboradores de Deus (1º 3.9; 2º Co 6.1).
A pós modernidade trouxe a fluidez das relações afetivas. Nada foi feito para durar.
Sob a menor pressão, o amor, então líquido, se dilui.
Os mesmos passos que me levam até você,me conduzem a um mundo só nosso...
Feito de amor puro,sintonia e desejo.
Nos teus braços me sinto mulher.
O PORÃO ONDE FLORESCEM AS SOMBRAS.
O porão de Camille Monfort não tinha janelas. Era feito de lembranças úmidas e de passos que o tempo abafara. Lá, as sombras não apenas se escondiam — elas germinavam. Cada móvel esquecido parecia guardar a respiração de um sonho que nunca se realizou.
Camille não temia o escuro; temia o que o escuro dizia. Havia aprendido cedo que a dor, quando não encontra ouvido, cava abrigo nas profundezas da alma. E o seu porão era esse abrigo: um lugar onde as dores antigas faziam morada, conversando entre si como velhas conhecidas.
Dizia-se que ela tinha o dom de ouvir o que o silêncio confessa. Talvez fosse apenas sensibilidade demais, ou talvez, como acreditavam os que a conheciam de perto, Camille visse o que os outros apenas pressentiam — as linhas tênues que ligam a dor ao destino.
Certa vez, ao descer com uma lamparina trêmula, viu que algo nas sombras respirava. Não era medo, era reconhecimento. As sombras sabiam seu nome. Ali, no fundo mais fundo, Camille compreendeu que cada lembrança ferida é uma semente: floresce, sim, mas sob a terra escura.
E o porão, esse lugar de exílios interiores, tornou-se também o seu jardim. Um jardim de sombras floridas onde o sofrimento, ao ser aceito, se transfigura em perfume.
Camille Monfort entendeu que não se foge das sombras: conversa-se com elas. E, quando enfim o fez, ouviu de dentro de si mesma uma voz que dizia:
“A luz não nasce do alto, Camille. Ela brota de onde o escuro cansou de ser silêncio.”
O porão onde Camille Monfort habitava suas lembranças não ficava sob a casa ficava sob ela mesma. Era o subterrâneo da alma, o espaço onde os passos ecoam mesmo quando o corpo já não se move.
Ali, as sombras não eram ausência de luz, mas presenças antigas, sobreviventes do que fora esquecido. Tinham cheiro de infância úmida, de solidão e de papéis que nunca foram escritos. Cada objeto abandonado contava um trecho de sua história: a boneca sem olhos, o retrato sem moldura, o espelho que refletia apenas o que a alma ousava encarar.
Camille descia sempre que o silêncio se tornava insuportável. Levava nas mãos uma vela, como se conduzisse a si mesma a uma cerimônia de reconciliação. Ao descer, sabia que cada degrau era também uma descida interior e que as sombras esperavam não para assustar, mas para serem vistas.
Um dia, ao tocar o chão frio, sentiu que algo se movia entre as paredes. Era o murmúrio das memórias que ainda pediam voz. Então ela compreendeu: nada que é reprimido morre apenas muda de morada. E, naquele instante, o porão deixou de ser cárcere para tornar-se útero.
Camille descobriu, enfim, que as sombras florescem quando são compreendidas. Que o perdão é a luz que germina sob o peso da terra. Que a alma, quando aceita o próprio abismo, encontra a passagem secreta para a paz.
E foi assim que ela, a mulher das sombras, subiu novamente as escadas sem lamparina, sem medo trazendo nos olhos um brilho novo. A luz que antes buscava fora, agora nascia nela.
“O porão não era o fim, era o começo. Toda flor primeiro é sombra.”
