Coleção pessoal de felipe_mateus_alessi
Mais Vale
Abril de 2026 - Felipe Mateus Alessi
Mais vale o amor me guiar
do que a angústia me arrastar.
Mais vale ser pesquisador da alma
do que curioso do vazio.
Mais vale pensar
antes de abrir a boca para ferir.
Mais vale aplicar generosidade
do que medir favores como se tudo fosse comércio.
Mais vale refletir sobre o tempo
do que reclamar do tempo perdido.
Mais vale aprender o silêncio
do que vencer uma discussão.
Mais vale errar tentando ser justo
do que acertar fingindo ser bom.
Mais vale ser simples e flexível.
Se vier a ansiedade, o tempo parece correr mais rápido que a alma, se vier a depressão o tempo parece parado em uma memória.
Apenas respire.
Desfrute da aleatoriedade do universo.
Sinta o ar atravessar o corpo
como lembrança de que ainda existe um agora de esperança.
Sonhar é se perder num mundo que ninguém pode entrar
e é ali que a alma se refaz.
Minimize-se.
Maximize-se.
Descubra o ponto em que o excesso e a falta se tocam.
Tenha vários jeitos de levar a vida,
mas um só motivo para vivê-la.
Saiba o que te faz seguir,
Descubra aquilo que não muda, que é sua própria natureza.
Não te percas na infinitude.
Ache o ponto central, seu eixo…
Mais vale perdoar e seguir em paz
do que ter razão e continuar ferido.
Não gaste tempo com maus sentimentos.
Há pensamentos que não levam a lugar algum.
Se algo doer demais,
Talvez não apague. Talvez demore…
Apenas deixe de lado, enterre, gire a chave, vire a página…
Enquanto respirar, tudo pode acontecer.
A história nunca termina.
Ela muda de forma,
se renova, te prende, ou te impulsiona.
Se você não pensar em você,
alguém vai pensar e talvez essa pessoa use o seu tempo à própria vontade.
Saiba o que valorizar.
Mais vale ser ético e firme nas palavras
do que mentiroso com boas intenções.
Mais vale ser louco consciente
do que alienado feliz.
Mais vale amar com todas as energias,
e permitir que o amor te refaça.
Mais vale servir,
porque servir é um ato de grandeza,
e a grandeza verdadeira
é invisível aos olhos apressados.
E quando estiver negativo,
se alimente das alegrias que um dia ofereceu.
Mais vale viver em estado de gratidão,
do que existir em modo de cobrança.
Mais vale ser vento, do que parado no tempo.
Mais vale sentir,
do que entender.
Mais vale viver.
PARECE O ÚLTIMO DIA
Felipe Mateus Alessi, agosto de 2019.
Hoje parece o último dia,
mas aprendi que o fim é só o início visto por dentro.
Acordo não para amar alguém,
mas para ser amor… o que resta quando tudo parte?
Ser descomunal não é fazer o bem sempre,
é fazer o bem mesmo quando o bem não volta.
É tentar ser melhor, não perfeito.
E suportar a dor sem torná-la bandeira.
Quando a prisão é a mente,
não se escapa, se observa.
O vazio é só a casa antes da mobília nova.
Colorir a mente não é negar a sombra,
É atravessar com coragem…
é permitir que o escuro prove o valor da luz.
A felicidade não se escolhe, se compreende, se vive.
Será que dei o melhor de mim?
Talvez dei o que pude.
O resto era defesa, medo de ser comum.
Poderia ter sido diferente,
mas só quem aceita mudar continua sendo.
Ganhar e perder…
os dois mentem, se vistos com pressa.
A vida não é uma disputa,
é um ritmo que se aprende ao tropeçar.
Chuto o balde e descubro:
ele estava quase vazio porque esperava que o mundo o enchesse.
Hoje sei: o destino não é lugar, é presença.
O futuro não é sonho, é direção.
E até a tristeza é um convite para renascer.
Quis não precisar de ninguém,
mas o universo se revela nas relações.
Somos peças de um mesmo organismo,
ninguém evolui sozinho.
Amo porque preciso e preciso porque amo.
Teimoso? Convicto?
Sou ambos.
Há dentro de mim um grito que recusa a mediocridade,
mas agora sei: ser extraordinário
é aceitar a própria humanidade sem máscaras.
Integrar o homem comum,
Não fui escolhido, escolhi permanecer desperto.
Perder ainda me dói,
mas entendo que a vitória não é o resultado:
é a consciência que fica depois do erro.
Deus ainda me habita,
não como consolo, mas como espelho.
A música me equaliza,
porque traduz o indizível,
a vibração entre fé e carne,
entre lágrima e perdão.
Deus (El, YHWH, Adonai, Jeová, Elohim…)
não preciso que me faças vencer,
basta que me mantenhas inteiro.
O livre-arbítrio é o templo imperfeito do amor,
não tem posse, mas tem permissão… a dor vem da liberdade.
E se desejo,
que seja para encontrar as pessoas que amo livres dos grilhões invisíveis.
Amar é sentir medo e não fugir.
É cair e continuar vendo beleza no chão.
Nenhum tempo é melhor gasto
do que aquele em que aprendemos a cuidar da união,
mesmo sem retorno.
Escolho sentir, sim,
mas agora sei que o sentir também me escolhe.
Às vezes me destruo, às vezes me integro,
mas já não chuto o balde com raiva:
coloco nele a água que sobrou
e lavo meu rosto para recomeçar.
A Dor da Luz
Antes da forma, havia a luz.
Mas luz sem sombra não possui rosto.
Brilhava infinita, indivisível,
e nada podia ser visto dentro dela.
Então a inteligência despertou
no silêncio da eternidade.
E desejou conhecer.
Para conhecer,
afastou-se da unidade.
E nesse afastamento nasceu o limite.
O limite deu contorno ao infinito.
O tempo começou a respirar.
E Saturno ergueu seus muros de pedra
para que a consciência tivesse onde caminhar.
Pois sem limites não existe percepção,
e sem oposição não existe visão.
Assim a inteligência aceitou a dor,
não como punição,
mas como preço da liberdade.
Porque sem liberdade não há erro,
e sem erro não há aprendizado.
A queda abriu os olhos da consciência.
A sombra desenhou o rosto da luz.
E o universo surgiu como um espelho
onde o espírito poderia reconhecer a si mesmo.
A forma é a luz interrompida.
A matéria é a pausa do infinito.
E no coração da experiência
a inteligência aprende lentamente
que a escuridão não destrói a luz,
apenas revela seu contorno.
Assim caminha o ser:
da unidade inconsciente,
à queda na dualidade,
até o retorno consciente à origem.
Pois a jornada da consciência
não é fugir da sombra,
mas atravessá-la.
E quando finalmente retorna à luz,
traz consigo aquilo que antes não existia:
sabedoria.
Porque Deus cria a luz.
Mas é a experiência que ensina
a vê-la.
São José dos Pinhais, 05 de março de 2026.
Mago Trimegista
Enquanto ignoramos quem somos, reinamos.
Quando descobrimos, caímos.
Mas só caindo… nos tornamos reais.
Da Inércia do Êxtase (Força Criadora e Destrutiva)
“As feras do espírito não lutam por destruição, mas por lembrança.”
“Ser forte não é dominar o outro, mas suportar-se inteiro.”
“A felicidade é uma força perigosa; os ignorantes a temem, os medrosos a chamam de soberba.”
“A força que se agita é ruído; a força que repousa, cria.”
“O poder é descanso; a luz, modéstia; o prazer, quietude.”
“Ser mago é existir sem provar nada.”
“O mais alto poder não é voar, mas permanecer imóvel enquanto o universo se move.”
De Uma Visão Relativa (Ignorância e Discernimento)
“Nenhum mestre nasce mestre; o mago nasce ignorante e ousa aprender.”
“A verdadeira ciência é a que arde, não a que se exibe.”
“O diabo encanta com talento; Deus ensina com silêncio.”
“Que a curiosidade não me leve às bestas, nem o orgulho aos abismos.”
“O conhecimento sem caridade é só vaidade travestida de luz.”
“Quem busca o sagrado para si mesmo atrai maldição; quem o reparte atrai o Reino.”
“A oração é a ponte entre o homem e seu anjo; a humildade é o degrau.”
“O discernimento é a espada que separa o mistério da mentira.”
Do Vácuo Eterno (Dissolução e Retorno)
“O nada não é ausência, mas pausa do divino.”
“Quem aprende a respirar no vácuo descobre que o silêncio é Deus em repouso.”
“O mago que teme o vazio ainda não encontrou a plenitude.”
“Entre o nada e o tudo repousa a paz que cria o universo.”
“Ser é apenas uma forma transitória de não ser.”
“A eternidade é o instante sem pressa.”
Quem teme a morte já assinou contrato com a própria rotina: acorda, respira, se condiciona e chama isso de vida. A dignidade não está em durar, mas em incendiar o instante com presença. Morrer não é o perigo; o perigo é sobreviver intacto, sem nunca ter sido de verdade.
Às vezes, um homem deve fazer o que tem que ser feito. Razão e livre-arbítrio não são opostos, mas se conectam: a razão ilumina e o livre-arbítrio decide. É justamente nessa obediência à razão que o homem se torna verdadeiramente livre.
Amar pela metade é como tentar acender uma vela sem chama.
É como entregar um cálice vazio e chamar isso de vinho.
Ou se ama com todo o ser — ou se deve ter coragem de admitir: não é amor.
O homem é um ser consciente e reflexivo, capaz de perceber o mundo, atribuir significados e transformar tanto a realidade externa quanto sua própria interioridade.
A inovação prospera onde há liberdade de criação, mas também suporte para que todos possam participar e contribuir.
Liberdade e igualdade não são opostos, mas complementos necessários para uma sociedade equilibrada.
O Equilíbrio do Progresso
No campo vasto da criação,
onde a mente voa sem fronteira,
liberdade e igualdade se entrelaçam,
como luz e sombra na mesma esteira.
A inovação precisa de espaço,
mas também de solo fértil e abrigo,
pois o talento não floresce ao acaso,
e sim onde há sustento e sentido.
Que o Estado seja o guardião,
não a muralha que prende a estrada,
mas a ponte que liga a ambição
ao direito de cada jornada.
Diversidade é uma riqueza,
a essência viva de uma nação,
quando cada voz tem o seu tom,
Tecemos juntos a inclusão.
E assim, entre o livre sonhar
e a mão que protege a esperança,
cresce um mundo a prosperar,
onde justiça e progresso caminham juntos.
A virtude não está em dominar a natureza, mas em viver em harmonia com ela. Retroceder em políticas ambientais é negar nossa conexão com o todo. Que legado queremos deixar?
O plástico que descartamos hoje não desaparece; ele vira um fardo para o futuro. A verdadeira liberdade está em escolher o que preserva a vida, não o que a sufoca.
A natureza não é um recurso infinito. Ela é um reflexo das nossas escolhas. Quando permitimos o retrocesso ambiental, estamos escolhendo o desequilíbrio, não só do planeta, mas da nossa própria humanidade.
