Gosta de Mim do meu Jeito

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Lindo dia para você, para mim, para todos nós!
"As flores revelam a beleza de Deus!
Sinta- as como bênçãos Que Deus na sua bondade e misericórdia espalha pelos caminhos da humanidade.
Observe-as, colha-as, cultive-as!
Traga- as para perto de si! Fique mais perto de Deus!
Só Ele é capa paz de fazer nosso "deserto" florir
Para o dia de hoje colha muitas " flores de Deus " É transforme o seu dia!

by edite/2016

“Há coisas em mim que o tempo não levou. Apenas deixou mais profundas, mais silenciosas e impossíveis de decifrar.”

A beleza para mim se revela na delicadeza que fica no bordado que a aranha tece.⁠

Jiaolong e a Virtude da Água

A água no lago:
— Em mim, não é fraqueza; é autocontenção.

A água no rio:
— Em mim, é a paciência de quem, ao buscar a si mesmo, alcança.

A água no mar:
— Em mim, é saber que posso, e escolher quando.

A água no oceano:
— Em mim, força sem consciência torna-se ruína; consciente da minha força, transformo-me.

que cada dia nós devemos lembra do que Deus já vez por ti, por mim, por nós

"Mesmo estando noiva de outro, ela pode ter sentimentos por mim. Ninguém tem o direito de julgar essa escolha com tanto ódio."

Chega de Margens

A chaleira começou a gritar antes de mim.

Fiquei olhando para ela no fogão, esperando que alguém tomasse alguma providência. Ninguém tomou. A casa continuou quieta. O gato estava sentado no corredor, olhando para mim com aquela expressão de quem já descobriu que os humanos fazem muito barulho para resolver coisas simples.

Desliguei o fogo.

Passei café.

Era uma manhã comum. Dessas que não prometem nada e, por isso mesmo, costumam ser mais honestas.

Sentei à mesa.

O gato veio até a porta da cozinha, parou e ficou me olhando. Não pediu comida. Não pediu carinho. Apenas ficou ali. Talvez estivesse esperando alguma coisa. Talvez não. Gatos têm a vantagem de não precisarem explicar a própria presença.

Eu devia ter aprendido isso antes.

Olhei para minhas mãos.

A idade estava ali.

Não como número. Número é coisa de formulário. A idade aparece nas pequenas coisas. Na maneira como o corpo levanta da cadeira. Na demora para encontrar uma posição confortável. No joelho que reclama sem ter sido consultado. No espelho, principalmente.

O corpo começa a diminuir.

É uma espécie de ironia.

Passamos metade da vida tentando ocupar espaço e a outra metade descobrindo que o corpo já não pretende colaborar.

Mas alguma coisa acontece nesse mesmo período.

A cabeça começa a fazer o movimento contrário.

Ela aumenta.

Não sei se isso acontece com todo mundo. Talvez não. Algumas pessoas envelhecem apenas. Continuam obedecendo às mesmas regras, repetindo as mesmas opiniões e chamando isso de experiência.

Eu também fiz isso durante muito tempo.

Aprendi a ser aceitável.

É uma habilidade bastante valorizada.

Você aprende a medir as palavras. A esconder certas vontades. A escolher o que dizer e, principalmente, o que não dizer. Aprende a ser fácil de carregar. Fácil de entender. Fácil de amar.

É cansativo.

E ninguém entrega um certificado quando você termina.

Apenas esperam que continue.

O mundo gosta de gente previsível.

Hoje existe uma palavra nova para isso. Várias, na verdade. Há sempre alguém na internet explicando como devemos viver, envelhecer, pensar, comer, vestir, desejar e até fracassar. Os antigos chamavam isso de conselho. Agora tem nome em inglês, câmera frontal e milhares de seguidores.

Talvez eu esteja velho demais para isso.

Ou finalmente velho o suficiente.

O gato atravessou a cozinha.

Passou por mim sem qualquer cerimônia e subiu na cadeira ao lado.

Ficou olhando para a mesa.

Não parecia preocupado com a opinião de ninguém.

Pensei que talvez houvesse alguma coisa a aprender com aquele animal.

Não era a independência.

Era a ausência de necessidade de justificá-la.

Foi aí que comecei a entender uma coisa que demorei décadas para entender.

Eu passei muito tempo vivendo nas margens da minha própria vida.

Não completamente fora dela.

Isso seria fácil de perceber.

Eu estava dentro.

Trabalhava, fazia planos, cumpria obrigações, amava algumas pessoas, suportava outras. Ri quando era conveniente. Fiquei calado quando era necessário. Fiz o que precisava ser feito.

Mas havia sempre uma parte de mim sentada um pouco mais distante.

Observando.

Esperando.

Pedindo licença.

Talvez esse tenha sido o meu maior erro.

Pedir licença para existir.

Não estou falando de fazer tudo o que dá na cabeça. Isso é apenas outra forma de imaturidade.

Estou falando de não precisar transformar cada escolha em uma defesa.

De não precisar explicar por que quero determinada vida.

De não precisar reduzir minhas opiniões para que alguém não se sinta ameaçado.

De não precisar esconder minhas contradições para parecer uma pessoa coerente.

Aos 62, 63, começa a ficar estranho continuar fazendo isso.

Há uma certa falta de sentido em passar tantos anos aprendendo quem você é e, depois, gastar o resto da vida tentando convencer os outros de que não é bem assim.

O espaço nunca foi o problema.

O problema era que eu insistia em caber.

E talvez o espaço fosse pequeno demais.

Essa conclusão demorou.

Porque admitir isso também significa olhar para trás.

E olhar para trás não é sempre bonito.

Há versões minhas que eu não gostaria de encontrar novamente.

Não porque fossem ruins.

Algumas eram apenas assustadas.

Outras queriam ser aceitas.

Algumas confundiam amizade com aprovação. Amor com concessão. Educação com silêncio.

Eu fui me ajustando.

Pouco a pouco.

Até quase esquecer que ajuste demais também deforma.

O curioso é que eu não quero voltar no tempo.

Não tenho esse interesse.

A juventude tem sido superestimada desde que inventaram os espelhos.

Não quero o corpo de antes.

Não quero repetir os erros com mais energia.

Quero outra coisa.

Quero a liberdade que existia antes de eu aprender a me diminuir.

Talvez seja por isso que envelhecer possa ser um retorno.

Não uma partida.

Um retorno.

Há uma criança escondida em algum lugar desse homem que passou décadas tentando parecer adulto. Não é uma criança inocente. Essa parte já morreu algumas vezes.

É apenas aquela que ainda não sabia que precisava caber.

O gato pulou da cadeira.

Foi até a janela.

Ficou ali, olhando a rua.

Pensei que talvez ele também estivesse cansado de mim.

Seria compreensível.

Terminei o café.

A casa continuava a mesma.

A mesa.

A chaleira.

A janela.

O gato.

Nada havia mudado.

Mas alguma coisa tinha mudado.

Não era uma revelação grandiosa. Não houve música. Nenhuma luz atravessou a cozinha no momento certo. A vida não costuma ter esse tipo de educação estética.

Foi apenas uma compreensão silenciosa.

Eu podia ocupar espaço.

Sem tirar nada de ninguém.

Podia querer mais.

Sem precisar chamar isso de ambição.

Podia não querer certas coisas.

Sem precisar inventar desculpas.

Podia envelhecer sem transformar a idade em pedido de desculpas.

O corpo talvez encolhesse.

A consciência não precisava acompanhar.

Talvez fosse esse o acordo possível com o tempo.

Ele leva algumas coisas.

Eu paro de entregar outras.

Olhei novamente para o gato.

Ele continuava na janela.

Não parecia impressionado.

Ainda bem.

Talvez fosse melhor assim.

Aos 62, 63, não estou me tornando alguém novo.

Estou apenas deixando de me afastar de quem sempre fui.

Isso muda muita coisa.

Porque crescer, nessa idade, já não significa subir.

Às vezes significa ocupar.

Ocupar a própria cadeira.

A própria casa.

A própria cabeça.

A própria vida.

Sem pedir licença.

Sem pedir desculpas.

Sem precisar ser compreendido por quem passou a vida inteira confortável dentro da mesma moldura.

Talvez seja isso que ainda estou aprendendo.

Que posso viver uma vida que me caiba.

E que, se ela finalmente ficar grande demais para algumas pessoas, talvez o problema não esteja mais em mim.

Talvez seja apenas a velha margem chegando ao fim.

A chaleira estava fria.

O café também.

O gato continuava olhando pela janela.

E eu fiquei ali.

Sem pressa.

Pela primeira vez em muito tempo, não senti necessidade de diminuir nada.

Nem a voz.

Nem a vontade.

Nem o espaço.

Nem eu.

⁠O povo me vê e muda os olhos, decepcionado ao perceber que tudo o que pensavam sobre mim estava errado.

⁠"Eu ainda não sou rico materialmente, mas sou rico por dentro. A riqueza já vive em mim, e ela está se manifestando todos os dias na minha realidade"

"Todos os dias os mesmos passos apressados passam por mim, os mesmos olhares me ignoram, e no fim da tarde, a minha única refeição é o próprio sonho que eu não consegui vender."

Deus para mim é a morte; justo, não falha, a certeza, a verdade, o caminho e a vida.

Flávio, sobre a Michele!
"Eu tenho certeza de que a Michelle pensa igual a mim", disse. Disso ninguém duvida! É cobra comendo cobra!

O Tempo em Mim


O tempo não corre, ele pousa.
Às vezes é chá quente na panela,
demora, queima, e a gente nem vê passar.
Outras vezes é 60 anos num piscar.
É filho pequeno que ontem cabia no colo
e hoje me chama pra conselho.
É ruga que chega sem pedir licença
e memória que volta com cheiro de café.
É pressa no corpo, calma na alma.
O tempo não é relógio.
É saudade do que foi,
ansiedade do que vem,
e esse segundo aqui,
agora,
que se eu não abraçar,
ele vai embora.
Sentir o tempo é aprender
que a vida não cabe em calendário.
Cabe em riso, em espera,
em "te amo, filho",
dito no dia certo.

EU, POEMA DE MIM

Sou verso antes da palavra,
eco antes do som,
mistério que se procura
no espelho do próprio dom.

Habito em muitas moradas,
sou plural em cada fim;
às vezes nem me conheço
quando faço poema de mim.

Sou o eu lírico que canta
o amor, a dor e a esperança,
que veste roupas de sonho
e brinca com a lembrança.

Sou o eu inanimado,
pedra, estrada e paredão;
dou voz ao banco da praça,
à enxada, ao velho portão.

Sou a poeira do caminho,
a folha seca a cair,
o relógio esquecido
que continua a seguir.

Sou também o abstrato,
o que ninguém pode tocar;
sou saudade, sou silêncio,
sou vontade de ficar.

Sou a dúvida da noite,
a fé buscando razão,
o medo escondido em sombras,
a coragem do coração.

Mas sou também o real,
carne, osso e cicatriz;
sou o homem que tropeça
na procura de ser feliz.

Carrego marcas do tempo,
vitórias, perdas e ais;
sou feito de muitas vidas
que já não voltam jamais.

E quando junto esses eus
num só verso, enfim, assim,
descubro que o universo
fez um poema de mim.

Pois sou palavra e ausência,
fantasia e chão sem fim;
sou o que escrevo no mundo
e o mundo escreve em mim.

E quando junto esses eus
num só verso, enfim, assim,
descubro que o universo
fez um poema de mim.

Pois sou palavra e ausência,
fantasia e chão sem fim;
sou o que escrevo no mundo
e o mundo escreve em mim.

Sem essa
de gracinha
você é linda mesmo
e cresce em mim⁠
dia após dia
o desejo
de vê-la
espontaneamente feliz,
parece ilusória
a vontade
de tê-la
em meus braços
pois passo a passo
vou superando
minha nudez.

⁠Não faço questão do seu entendimento sobre mim.

Quando escolhi ser poeta, eu disse para mim mesmo: Eu vou poetizar o mundo.

Se depender de mim, eu plantarei flores no deserto; sim, muitas flores. E farei mais: semearei as sementes do amor, e farei um pedido de paz: sim, muita paz.

Compor, para mim, é como respirar...