Gosta de Mim do meu Jeito
A Escritura não aponta para o poder do eu, mas para a dependência de Deus: ‘sem Mim, nada podeis fazer’.
Perguntaram-me o que é arte. Ouviu-se de mim silêncio; não um, mas o silêncio, do tipo que tanto tememos, mas que, por vezes, é a única resposta que temos.
O mesmo silêncio que preenche o universo em que vivemos, que se esconde nas palavras que não dissemos, que, como um véu, cobre a pureza das estrelas. Sim, foi este o meu silêncio.
O mesmo silêncio de uma árvore que tomba no deserto, sem ninguém para escutá-la; o silêncio que faz da arte, arte para nossas almas.
A arte não pode ser definida, deve-se ser contemplada. Por isso, ouviu-se de mim o silêncio, pois...
Como hei de explicar a arte?
Quero espaço.
Espaço para mim.
Espaço onde há liberdade
para eu existir.
Quero escrever o que minha alma grita,
sem me preocupar com métrica
ou rima.
As estrelas se alinham
e formam constelações,
mas há um universo de distância entre elas, para que tenham espaço
e brilhem.
Quero espaço para brilhar.
Espaço para respirar.
Espaço para me amar.
Mas sou brinquedo
das suas carências.
Há um mundo fora do meu quarto,
mas não minto quando digo
que há outro dentro dele.
Me dê espaço.
Permita que eu escolha
o filme que vou assistir.
Deixe minha liberdade
existir.
Me dê espaço.
O inspirador para mim, é ver pela manhã uma página em branco e o cursor intermitente na minha frente…
Se há frutos de justiça, é Cristo operando em mim; se há obras da carne, sou eu me afastando da Videira.
Toda virtude em mim é a graça de Cristo operando; minhas falhas, contudo, decorrem da fragilidade da minha natureza humana.
Que eu nunca encolha os sonhos dentro de mim. Eles nasceram para ser semeados, mesmo em terras áridas. Se eu fizer a minha parte com fé e coragem, Deus cuidará do resto e, no tempo certo, fará florescer aquilo que um dia plantei.
A lei de causa e efeito diz que todas as coisas equivocadas que eu faço voltarão para mim como benfeitorias e estímulos a que eu continue valorizando tudo o que há de bom na vida.
A melhor parte de mim nasceu do que eu observei quando era criança, depois me encheram de palavras e eu me transformei num robô.
Uno
Deus nos espanta com o passado,
doce e cruel a mim foi arremessado.
A vida guia a minha pena vibrante
para aqui ficar,
sem ir adiante.
Como mil centopéias,
tenho braços que te abraçam,
e tu, minha velha,
meu coração trespassa.
O ouro me tenta.
A carne me suberge.
A vida que é lenta,
da corrida me perde.
Ao não dizer, não digo.
Minh’alma fere quem pouco entende.
Para falar, um perigo,
ao proferir mudo, à toda gente.
“A Versão de Mim Que Mora nos Olhos de Quem Me Ama”
Existe uma versão de nós que talvez nunca consigamos conhecer completamente.
Ela não mora no espelho.
Não aparece quando nos examinamos em silêncio.
Não se revela nas noites em que contamos nossos erros, nossas perdas e tudo aquilo que ainda não conseguimos ser.
Essa versão mora nos olhos de quem nos ama.
É curioso: passamos a vida inteira dentro de nós mesmos e, ainda assim, talvez sejamos as pessoas menos imparciais para dizer quem somos.
Conhecemos demais as nossas fraquezas.
Sabemos onde escondemos nossos medos, lembramos das palavras que gostaríamos de retirar, das oportunidades que desperdiçamos, das promessas que fizemos a nós mesmos e não cumprimos.
Carregamos os bastidores da própria existência.
Os outros, porém, muitas vezes enxergam o palco.
Enquanto eu me lembro das vezes em que quase desisti, alguém se lembra de que continuei.
Enquanto eu me condeno por ter sentido medo, alguém me considera corajoso justamente porque me viu caminhar apesar dele.
Enquanto eu penso que fiz tão pouco, talvez exista alguém guardando na memória uma palavra minha que chegou exatamente quando precisava.
E talvez seja essa uma das maiores ironias da existência:
somos capazes de transformar a vida de alguém sem perceber que fizemos isso.
Há pessoas que carregam uma versão nossa muito mais bonita do que aquela que carregamos dentro de nós.
Não porque estejam cegas.
O amor verdadeiro não é cegueira.
Talvez seja justamente o contrário.
Amar alguém é enxergar suas imperfeições e, ainda assim, não reduzir essa pessoa a elas.
Nós fazemos isso conosco o tempo inteiro: pegamos um erro e transformamos em identidade.
“Eu fracassei” lentamente se transforma em “eu sou um fracasso”.
“Eu tive medo” transforma-se em “eu sou covarde”.
“Eu não consegui” transforma-se em “eu não sou capaz”.
É assim que a consciência, quando ferida, falsifica nossa própria biografia.
Esquecemos todas as páginas e ficamos relendo justamente aquela em que caímos.
Mas quem nos ama talvez esteja lendo o livro inteiro.
Lembra-se das vezes em que fomos generosos quando ninguém estava olhando.
Das vezes em que permanecemos quando seria mais fácil partir.
Das pequenas bondades que nós mesmos esquecemos.
Das batalhas que vencemos sem comemorar.
Dos dias em que achávamos que estávamos apenas sobrevivendo, mas alguém, olhando de fora, enxergava coragem.
Talvez por isso existam momentos em que precisamos cometer um pequeno ato de humildade:
emprestar os olhos de alguém.
Quando nossa visão estiver turva, quando a tristeza diminuir aquilo que somos, quando a culpa exagerar aquilo que fizemos, talvez seja necessário perguntar silenciosamente:
Como me enxergaria alguém que verdadeiramente me ama?
Não para alimentar o ego.
Não para fugir das nossas responsabilidades.
Mas para recuperar a proporção das coisas.
Porque humildade não significa pensar menos de si.
Significa também não se condenar injustamente.
Às vezes acreditamos que conhecer a nós mesmos significa conhecer nossas sombras.
Mas conhecer-se verdadeiramente é ter coragem de reconhecer também a própria luz.
E essa talvez seja a parte mais difícil.
Aceitamos facilmente quando alguém aponta nossos defeitos, mas desconfiamos quando alguém reconhece nossa beleza.
Talvez porque exista dentro de nós um juiz muito antigo, acostumado a recolher provas contra nós mesmos.
Por isso, quando alguém disser:
“Você é mais forte do que imagina.”
Talvez não seja necessário responder imediatamente:
“Você não me conhece.”
Talvez conheça.
Talvez conheça uma parte sua que você perdeu de vista.
Talvez tenha testemunhado sua coragem justamente nos momentos em que você acreditava estar apenas tentando sobreviver.
Talvez tenha encontrado generosidade em gestos que para você pareciam pequenos.
Talvez enxergue possibilidades onde você só consegue enxergar limites.
Existe uma versão de você vivendo na memória das pessoas que você tocou.
Uma versão feita das palavras que ficaram depois que você foi embora, dos abraços que chegaram na hora certa, das conversas que impediram alguém de desistir, das risadas que tornaram determinado dia suportável.
Você talvez nunca conheça completamente essa pessoa.
Mas ela existe.
E haverá dias em que o espelho não será suficiente.
Dias em que a nossa própria consciência estará coberta pela neblina das decepções, do cansaço ou das culpas.
Nesses dias, talvez não seja fraqueza pedir emprestado o olhar daqueles que nos amam.
Às vezes precisamos enxergar a nós mesmos através de outros olhos até que os nossos voltem a reconhecer quem somos.
Porque talvez exista uma verdade muito simples escondida nisso tudo:
há pessoas que acreditam em nós não porque desconhecem nossas fraquezas, mas porque conheceram algo em nós que nossas fraquezas jamais conseguiram destruir.
E, algumas vezes, acreditar no amor de alguém também significa acreditar que aquilo que essa pessoa enxerga em nós pode ser verdade.
Confissões de uma Caneta- Versão original
Existe uma verdade que carrego dentro de mim há muito tempo.
Eu não me considero o autor das palavras mais bonitas que escrevo.
Sempre que termino uma poesia, uma crônica ou uma reflexão,
sinto que aquelas palavras não nasceram apenas da minha inteligência.
Elas chegaram até mim como uma brisa silenciosa.
Vieram prontas, tocaram meu coração e pediram apenas que eu lhes desse voz.
Por isso, gosto de pensar que não sou o escritor.
Sou apenas a caneta.
A caneta não escolhe as palavras.
Não cria as histórias.
Não conhece o destino daquilo que escreve.
Ela apenas se deixa conduzir pela mão de quem a segura.
É assim que me sinto diante de Deus.
Muitas vezes, enquanto escrevo, percebo que Ele coloca pensamentos na minha mente,
desperta sentimentos no meu coração e me conduz por caminhos que sozinho jamais encontraria.
Há momentos em que leio aquilo que escrevi e me pergunto de onde veio tanta beleza.
Então compreendo que não veio de mim.
Veio d’Ele.
Mas existe uma inquietação que nunca deixa de me visitar.
Se Deus inspira tantas sementes através das minhas palavras,
por que tantas delas ainda não floresceram dentro de mim?
Por que consigo falar sobre o perdão e, tantas vezes, ainda luto para perdoar?
Por que escrevo sobre a paz e continuo travando guerras dentro da minha própria alma?
Por que falo da confiança em Deus,
mas ainda corro para Ele apenas quando a tempestade destrói o jardim da minha vida?
Às vezes sinto-me como um jardineiro que conhece todas as flores pelo nome, mas ainda não aprendeu a cuidar do próprio canteiro.
Basta que as dificuldades apareçam, que alguém invada minha paz ou que os ventos derrubem aquilo que plantei, e então corro para Deus.
Procuro o Grande Agricultor.
Aquele que sabe reconstruir o que foi destruído, replantar o que morreu e devolver vida ao que parecia perdido.
E Ele nunca falha.
Nunca chega atrasado.
Nunca me abandona.
Sempre encontra uma maneira de transformar a terra seca em esperança.
Talvez seja por isso que continuo escrevendo.
Não porque me considere um homem santo.
Mas porque sou um homem profundamente necessitado do amor de Deus.
Quando falo d’Ele, sinto-me forte.
Quando escrevo sobre Ele, meu coração encontra paz.
Quando medito sobre Sua presença, tenho a certeza de que Ele habita dentro de mim,
ainda que minhas atitudes nem sempre revelem essa realidade.
Lembro-me das palavras de Santo Agostinho: “Deus estava dentro de mim enquanto eu O procurava do lado de fora.”
Talvez essa seja também a minha história.
Passei muito tempo procurando sinais extraordinários, quando o maior milagre sempre aconteceu no silêncio da minha própria alma.
Deus nunca deixou de falar comigo.
Falava através das inspirações.
Das pessoas que colocou em meu caminho.
Das portas que abriu.
Dos livramentos que só compreendi muitos anos depois.
Das palavras que surgiam quando eu me sentava para escrever.
Hoje entendo que não sou a fonte.
Sou apenas o instrumento.
Como um pequeno receptor que capta um sinal invisível e o transforma em algo que outras pessoas conseguem ouvir.
A mensagem nunca pertence ao receptor.
Ela vem de muito mais longe.
Talvez minha missão seja exatamente essa.
Receber.
Guardar.
Escrever.
E repartir.
Mas existe um desejo que ainda apresento a Deus em minhas orações.
Não quero ser apenas a caneta que escreve belas palavras para os outros.
Quero ser também o papel onde essas mesmas palavras fiquem gravadas.
Quero que cada frase inspirada transforme primeiro a minha própria vida.
Quero que o jardim floresça dentro de mim antes de perfumar o caminho de quem passa ao meu lado.
Porque, no fim, não desejo ser lembrado pelas palavras que escrevi.
Desejo apenas que, ao olhar para minha vida, as pessoas consigam perceber que Deus realmente segurou esta caneta.
E que, enquanto escrevia através dela, também escrevia, pacientemente, dentro do coração de quem a carregava.
Na rádio eu lia frase pra todo mundo.
E alguém sempre ligava:
"Van, essa era pra mim."
Não era coincidência.
Era Deus usando minha voz
pra chegar no coração certo.
Queria ter dinheiro
pra curar fome, doença, dor.
Hoje não tenho.
Mas tenho palavra.
E palavra também mata fome
de alma.
Se tô servindo de microfone pro Céu,
já tô rica.
Van Escher
Sei que não era para mim.
Talvez nunca seja.
Mas vibrava uma energia no espaço-tempo
que me provocava a existir
e a desejar o pertencer.
- Relacionados
- Frases de efeito que vão te fazer olhar para a vida de um novo jeito
- Você é especial para mim: frases que tocam o coração
- Feliz aniversário, meu amor: frases para uma surpresa inesquecível
- Poemas sobre Mim
- Textos de aniversário para mim mesma emocionante 🎁
- Frases sobre mim com motivação e reflexão para crescer e evoluir
- Você é importante para mim: palavras para quem faz a diferença
