Gente Sem Graça
No meio de tanta injustiça e desigualdade social, os pobres têm, ao menos, uma graça, uma vantagem em relação aos ricos: saber quem são seus amigos de verdade.
A graça não nos concede liberdade para pecar; é uma oportunidade de reconciliação que Jesus nos proporcionou com o Pai. Por meio do seu Espírito, somos capacitados e fortalecidos para nos libertar das garras do pecado.
Medite em Romanos 6:15 , Jeremias 7:10, 1Pedro 2:16 e Tito 2:11,12.
A graça é um presente concedido, sem que o mereçamos, não é obrigatório aceitá-lo, mas uma vez aceito, leva à transformação de vida e ao desejo sincero de viver piedosamente, purificando-nos para alcançar o céu.
ISSO É A GRAÇA...
Era uma vez um reino encantado governado por um sábio e benevolente Rei. Nesse reino, havia um jovem chamado Lucas, que vivia uma vida de extravagância e imprudência. Ele gastava seu tempo em festas, ignorando suas responsabilidades e prejudicando a si mesmo e aos outros com suas escolhas egoístas.
Certa vez, o Rei convocou Lucas ao seu palácio. O jovem estava temeroso, pois sabia que suas ações não eram dignas da presença real. Surpreendentemente, o Rei ofereceu a Lucas uma chance de redenção, apesar de todas as suas falhas. Ele lhe concedeu uma oportunidade para mudar, reconstruir sua vida e se tornar alguém melhor.
Lucas ficou perplexo com esse favor inesperado. Ele começou a trabalhar duro para mudar seu comportamento e viver de forma mais virtuosa. Ao longo do tempo, o Rei o orientou, fornecendo recursos para sua transformação.
Enquanto Lucas progredia em sua jornada, ele percebia que, por mais que se esforçasse, nunca conseguiria igualar a grandiosidade do presente do Rei. A gratidão e humildade cresceram em seu coração, pois reconhecia que a oportunidade de mudar não era merecida.
Apesar de suas melhorias, Lucas sabia que nunca poderia alcançar a totalidade do favor do Rei. No entanto, ele continuou a se esforçar e a buscar aperfeiçoamento, pois valorizava a oportunidade que lhe foi dada. Ele sabia que precisava corresponder à confiança depositada nele.
No final, Lucas aprendeu que a graça que lhe foi oferecida não era uma licença para continuar errando, mas sim uma chance para redimir-se e trilhar um caminho de transformação. Ele percebeu que, mesmo dando o seu melhor, a salvação não estava em suas mãos, mas sim nas mãos do Rei que generosamente lhe concedeu essa oportunidade.
Viver é feio e sem graça
para quem pinta essa tela;
despreze o tempo que passa
e viva o que passarela.
TRATADO SOBRE A SOLIDARIEDADE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Apresento-lhes uma graça desmedida que restitui o bom do mundo... que nos faz entender o dom da vida e desejá-la com plenitude. Trata-se de uma força que não vem da força bruta. Que não cultua, não valoriza nem quer saber quem vence quem.
A solidariedade não “põe no prego” para cobrar depois. Quem é solidário não vende nem troca o bem que faz. Apenas faz. Tão só se doa. É um agente voluntário do ser gente. Do ser urgente, ou sempre a postos, por quem precisa.
Solidários não fazem conta do que fazem; muitas vezes não sabem o que fazem; nunca sabem por quem. São tão poucos os solidários, e tão modesto é o seu desempenho, que o mundo sempre os explora e depois nem sabe quem eram eles.
É assim mesmo, a solidariedade. Quem a pratica não sofre, porque ama... e porque ama praticá-la. Quanto mais se doa, mais se acumula para doar, e se doer, não importa. A dor que adentra uma fresta, imediatamente sai por outra.
Não me avexo em dizer que solidários famosos não são de fato solidários. Ao divulgarem o que fazem, apresentam promissória para que a sociedade os ressarça em forma de prestígio e favores futuros. Da visibilidade que atrai ascensão.
Ser solidário é não perceber a ingratidão do outro. É amar para ser ou não amado, e continuar amando. Assumir e aceitar, de uma vez por todas, que a sua solidariedade pode ser, para si próprio, sinônimo de solitariedade.
DOCE MENTIRA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sempre fui o romeiro e sempre foste a graça;
minha fé, mesmo intensa, nunca te alcançou;
meu amor é fumaça que a brisa dispersa
e meu show é silêncio que devoro em seco...
Sou a velha esperança que se desidrata;
perde o sonho no espaço da própria quimera;
uma data pra nunca no seu calendário;
primavera invadida pelos gafanhotos...
Mesmo assim jamais pulo desse Titanic,
não é doce morrer na solidão sem fim
de não ter só pra mim esse amanhã contínuo...
É melhor naufragar ao alcance da imagem
que virou a miragem de minha verdade
mentirosa, improvável, mas revigorante...
IRMÃOS, GRAÇA E LEI
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tenho a imensa felicidade de ter vários irmãos, e cada um deles com as características plenas de um irmão. Pessoas de quem posso abusar de vez em quando, e que sabem que também podem abusar de mim, de vez em quando. Isso não quer dizer que não abusamos sempre um do outro, e que não há uma confusão ou outra, quando excedemos o de vez em quando. Mas as confusões logo acabam sem que ninguém humilhe ninguém por questões de superioridade, obrigação ou direito. Nada de hierarquia, porque entre irmãos não há hierarquia.
É exatamente nas confusões (que logo acabam) que vejo o grande encanto de ter vários irmãos e saber que entre nós não valem aquelas regras rígidas da sociedade que nos cerca, em nome da legalidade que muitas vezes é cruel, mesmo sendo legalidade. irmãos precisam saber que podem abusar um do outro; podem ser sem vergonha e descarados entre si, alheios à velha história do sob pena de... ou do tal de limite que tudo tem que ter.
Já existe à nossa volta um mundo cheio de pessoas que massacram e cobram virtudes além da realidade; reivindicam direitos e impõem deveres, quase sempre na medida exata de seus egos, conveniências, ambições pessoais e comandos. Uma sociedade que estabelece guetos pela hierarquia por posses, força física ou intelectual, preferências, admirações e simpatias. Se a família, ou mais especificamente os irmãos copiarem a sociedade externa para colar no seu meio, deixará de ser família. Deixarão de ser irmãos.
Irmãos não podem viver na lei... irmãos de sangue têm que viver na graça... ou a relação se torna uma desgraça.
FACILITUDE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quero a graça do fácil, do acessível,
do sem drama, da pouca cerimônia,
da não culpa, do querer por querer
e a pronta resposta irreticente...
O valor que não quer valorizar;
dizer sim, ouvir sim, tocar avante,
sem o tom arrogante que o talvez
põe na voz entre dentes ilegíveis...
Hoje busco a leveza da fluência,
do sem sombra, sem dúvida e rodeio,
termo inteiro, não meio nem velado...
Facilite-se a vida como a morte
que ninguém ousará ter como incerta,
como sorte ou pegadinha da sina...
CHEIO DE GRAÇA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Desliguei o motor; me deixo ir;
deixo a mão no volante pros desvios;
desafios normais pra quem já viu
que o destino está quase desenhado...
Relaxando sentidos e desvelos,
dou aos sonhos um doce deixa estar;
não há mais pesadelos que me assustem,
porque sei acordar do que já sei...
Vejo agora que o tempo é só passagem;
quem passou da metade do caminho
tem a média que a vida prescreveu...
Muito eu se gastou nesse orçamento
do que o mundo não tem pra cambiar,
quando vejo que a graça me bastou...
TRATADOS DE AMOR, CARÁTER, GRAÇA E LEI
...
SOBRE CONVERSÃO NÃO RELIGIOSA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ninguém se torna uma pessoa melhor quando se converte a uma crença, fé ou religião. Nem é pessoa pior enquanto não se converte. Nossa essência nos segue aonde vamos e o caráter de muitos é que se arquiva por temor do possível Deus, do inferno, e pelo interesse no céu que acende as mais acirradas ambições humanas. Os eventuais e sinceros arrependimentos, dramas de consciência e mudanças de comportamento ocorrem não pela conversão religiosa. Isso mora na índole dessas pessoas que se corrigiriam dentro ou fora de um grupo, mas por questões culturais nos habituamos a vincular um evento ao outro, seguindo as orientações massificadas ao nosso redor, desde o berço.
O arquivo do caráter mediante a fôrma (fôrma, mesmo) da conversão pode ou não ser mantido, a depender do quanto as propagandas dos dois extremos do além continuem convincentes para o indivíduo. Esse temor do possível Deus e do inferno; essa perspectiva ou ambição das ruas de ouro e cristal, dos muros de puro jaspe, as mansões celestiais e a glamorosa aposentadoria espiritual tende a ser bom para a sociedade só enquanto há medo e o suposto convertido cujo mau caráter se arquivou não se julga intimo, "assim com Deus" e, portanto, merecedor da impunidade pela hipocrisia de fazer o contrário do que prega, geralmente visando vantagens pessoais.
Tudo estritamente nos moldes da velha hipocrisia política e social neste plano, gerada pela pressa de conquistar aqui mesmo as vantagens e o poder que, segundo as falácias denominacionais, hão de se perpetuar no tal de céu. Acredito no ser humano e na sua capacidade pessoal, intransferível, de resgatar o melhor de si, quando esse melhor é viável, mediante o despertar da consciência e do amor, sem nenhuma interferência sobrenatural. Esse mérito já é do ser humano que se permite mudar na vida presente. Também acredito no mau caráter que não muda. Só se adéqua e se mascara enquanto, quando e onde lhe convém.
ACIMA DA LEI
Demétrio Sena, Magé - RJ.
O amor é o principio da justiça espontânea; não institucionalizada nem gerida pelo peso da culpa. Quando falha o princípio do amor, exatamente por ele não se forçar, a ética substitui o que deveria ser intuitivo, brotar livre do íntimo, pelo que vem da racionalidade; a consciência e a civilização. Isso é a ética; é o poder de nos incomodarmos com a ideia de sermos injustos, inconvenientes, maus, desonestos, abusivos, deseducados e desiguais para o semelhante.
Pela ótica da ética, nenhum ser humano é inferior ao outro. A nós. Ninguém tem o direito de oprimir, segregar, constranger, ostentar superioridade, julgar, subjugar e suprimir os arbítrios de foro intima. Não se há de admitir uma hierarquia humana entre semelhantes, nem a exacerbação das hierarquias trabalhistas, classistas, religiosas e de outras naturezas sociais.
Da falha do amor e a não incidência da ética, veio a lei como recurso derradeiro de organização social. Ela se vale de ameaças institucionais que deveriam se cumprir, por agentes instituídos via poder público. Em suma, só existe a lei porque a graça, provisão do amor, foi rejeitada e a consciência humana não foi suficiente para suprir o vácuo do amor, pela ética. E o mais assustador é que nem a instituição do medo, pela ideia de aplicação da lei, mostrou eficiência para conter os atos perniciosos da sociedade.
Nem a lei. Nem a tirania. Nem o terrorismo das religiões, pela figura lendária do diabo e as ameaças do inferno. Nada poderá conter o ser humano, porque o diabo é piada para nosso poder destruidor... os efeitos de nossas maldades. O inferno criado para outro plano é sofisma, face ao inferno que já instituímos na terra, com nosso desamor.
O amor está sobre todos os atributos capazes de salvar o mundo. Entretanto, ele nunca obriga. Deixa que a própria natureza humana encontre seu caminho. Serão necessárias muitas outras gerações, à base de muito sofrimento, não por lei, mas por consequências naturais, para que a humanidade, já cansada, reate com o amor e construa o próprio paraíso, que não será em outro plano. Esconde-se aqui mesmo, sob nossos pés enlameados.
Diz o livro de cabeceira dos cristãos, que pelo visto, cujo conteúdo ainda não foi absorvido, que só o espírito santo pode quebrantar e convencer o coração humano. É concebível para mim, pela minha profunda concepção além dos livros e das liturgias, de que o espírito santo é simplesmente a fachada ou o nome fantasia do amor.
SOB A REGÊNCIA DO AMOR
Demétrio Sena, Magé – RJ.
A Bíblia, que não é o meu livro de crença e regra, diz que Deus é amor. Minha visão do possível Deus tem suas reservas, mas do amor, este não. Nenhuma reserva, porque vejo nesta virtude a solução para os grandes problemas da humanidade. O amor extinguiria todos os sentimentos que geram guerra, fome, abandono, medo, raiva, opressão e desigualdade social. Sem todos esses resultados da falta de amor, nenhum país tentaria subjugar o outro; todos os países seriam bem governados, e seus povos, felizes.
Amor gera solidariedade, união, respeito, aceitação e acolhimento. Pessoas governam. E quando pessoas que governam se reconhecem pessoas, seres humanos iguais a todos os outros, a sociedade progride sem tragédias. Amor é sinônimo de sucesso coletivo; crescimento social; pessoa, família e nação bem sucedidas. É também o caminho, a verdade, a vida, e ninguém vai a lugar nenhum se não for por ele, o legítimo salvador da humanidade. Talvez não seja O Criador Direto e Mantenedor de tudo; que ninguém sabe quem foi, senão pelo sentimento intuitivo, inexplicável da fé... mas com certeza, é o legado insubstituível do poder de gerir o mundo, se o mantivermos em nós.
Pela minha ótica; pálida, insuficiente ótica, Deus não é amor; Deus é o amor, no sentido de o amor é Deus... em suma, não me refiro à Pessoa de Deus, mas ao substantivo abstrato que traz em si os atributos do que se convencionou como O Criador. Se na máxima ‘Deus é amor’ um é sujeito e, outro, predicado, eu diria que o amor é o sujeito; Deus, o predicado do amor. Ou se um é substantivo, e adjetivo o outro, afirmo que o Amor, agora também com ‘A’ maiúsculo, é o substantivo próprio. Deus é a qualidade do Amor.
Prece em tempos de pandemia
O isolamento social
Produz um lamento
Desalento sem graça
Parece que o colorido da vida
Apagou
Apartou
Arredou
É preciso esse jogo
Virar
Quebrar
E novamente encontrar,
Celebrar com os que amamos
Quando isso vai acabar?
Em que se agarrar?
O retiramento
Por hora é a solução
Resolução que temos em mãos
Vamos acatar
Colaborar
E se Deus quiser
Essa nuvem vai passar
Evaporar
E o milagre da cura
Vai se concretizar
Deus, de nós vai zelar!
A luz que brota da ressurreição
Vai nos iluminar
Amém!
Celina Missura.
Lindo entardecer. Obrigado Senhor por essa pintura no céu, sem economia das tintas da sua graça sobre nós.
