Fui
Fui entendendo aos poucos que teria que abrir mão de muitas coisas para ir atrás do meu sonho.
Quis escrever só para contar que fui feliz nesses meses que passamos juntos, que nunca fui tão feliz, e que já sei que nunca mais serei tão feliz de novo.
Eu nunca fui dado a escrever o que realmente penso, não por falta de clareza, mas porque percebo a hipocrisia que habita em mim. Mesmo ciente dos meus erros, sou teimoso e, muitas vezes, abandono meus princípios, abraçando o que é falho. Assim, afirmo: a verdadeira luta do homem é manter-se firme, até que chegue o último dia de sua jornada.
No dia em que me dei por vencido e esqueci quais foram meus maiores conflitos, fui extremamente feliz...
é meu?
esse aqui dentro de mim que chamo de "eu"
será que sempre fui eu?
ou só uma construção que outro "eu" escreveu?
o que é realmente meu?
essa alegria, essa dor, o aquela versão que ja morreu?
não sei...
só sei que no fim, fui eu que fiquei
no fim, eu me amei
no fim, só eu sei...
tudo que passei...
quando fracassei
quando novas partes acrescentei
mas agora, olho pra mim e vejo esse breu
esse escuro onde nenhuma versão sobreviveu
não sei qual sou eu
ou se algum desses sentimentos ja foi meu...
Indigente
Não sei quem sou nesta vida. Fui tudo, mas não sou nada. Louco, poeta, por vezes filósofo. Intenso e verdadeiro, por vezes ingênuo. Sou um idiota que ama a vida, um amor platônico com sabor de infinito.
Tantas vezes me feri, mas sorri. Não sei de onde vim, nem para onde vou. De tudo que me resta, não tenho pressa para chegar a um lugar que desconheço. Conheci pessoas, amei, sofri, vivi. Não sei se da maneira certa, mas do meu jeito eu vivi.
De poucas coisas me orgulho, mas de nenhuma me arrependo. Sou o que sou, não um Deus, mas um homem. Fui feliz na simplicidade desta complexa vida.
Sempre fui uma pessoa extremamente racional, até ser pega pelo sentimento mais avassalador da existência humana: a paixão.
periferia
o vento de outono soprou
e fui colhendo folhas...
em cada uma havia um verso
e todas juntas um poema,
que agora averbo em teus ouvidos
e na margem deste mundo.
o meu poema te rodeia,
espaço branco producente,
de umidade e razão.
garça, alba plumagem
onde escrevo teu nome.
Fui mais que sonhei ser,
fui menos do que poderia ter sido,
as oportunidades apareceram,
somente entendi, quando as perdi.
Há muitos anos, todos os dias pensava na morte naquilo que nunca fui aquela pessoa...Deve ser horrível morrer na qual nunca teve oportunidade de ser a verdadeira pessoa... Sempre vivemos numa civilização tão confusa e muito duro de compreender quando deixamos nossos entes queridos morrerem.
Nós temos uma única vida e temos a chance de sermos verdadeiros, permita-se!
Não deixe a civilização te moldar, seja sempre quem você é...
Gosto de viver. Por vezes, senti-me loucamente desesperada e sofri desgostos brutais, fui destroçada pela tristeza, mas, em meio a tudo isso, ainda tenho certeza de que o simples fato de estar viva é algo grandioso.
A vida, às vezes, é cruel. Eu fui excelente em algumas coisas e péssima em outras. Queria poder dizer que o que eu fiz resultou em algo bom. A verdade é que tornei este mundo mais perigoso.
Prefiro sentir o incômodo e a dor de desenterrar quem eu realmente fui e sou do que permanecer na inércia da ignorância, do não saber.
Pedacinho de papel.
Por você foi abraçado quando estive em solidão.
Fui pego pelas mãos quando me achei sem direção.
No momento que me faltava alguém você apareceu em minha vida.
Haviam espinhos em meus pés e todos deixaram desistir pelo teu amor.
No trilho da vida; minha voz era simplesmente um eco entre vales e fendas.
Eu era apenas uma sombra.
Ainda assim, me encontraste através dela em meio a tantos breus da vida.
Fui procura, viagem.
Em minha modesta mochila continha um pedacinho de papel; que na verdade, eu usava pra rascunhar minha vida.
Mas você chegou.
Você com seu avental que continham pincéis e camisa marcada por tintas de várias cores.
Estranhei quando você pediu a única coisa que eu carregava em minha mochila..."meu único pedacinho de papel."
Foi incrível!!!
Do diminuto papel fizeste uma esplêndida arte de amor e poesia em tela.
Sua tinta se uniu ao meu vazio.
E meu vazio às suas cores.
Não existe ímpares.
Existe a bela arte da vida.
Tudo... Através da arte de amor e poesia em tela.
Eu muitas vezes fui terra pisada. Muitas vezes fui o mar que ninguém navegou.
Muitas vezes fui medo, escuridão, solidão e dor.
Hoje eu sou só amor.
Nildinha Freitas
