Frio
Acordar cedo e saber que o primeiro desafio é tomar banho no frio já é uma forma de superar a si mesmo.
Quando se aprende que pessoas são como as estações… Um dia quente noutro frio, um dia Sol noutro chuvoso. Assim primavera, verão, outono e por fim Inverno… se aprende que por mais frio, um dia ela também já floriu…
A distância, meu amor, é só um nome frio,
Um mapa inútil, um cruel vazio.
Entre o meu corpo e o teu, um mar imenso existe,
E a saudade, em meu peito, teimosamente insiste.
Cada noite que cai, é um punhal de pranto,
Sinto a falta do teu cheiro, do teu doce encanto.
Mas juro, com a dor que me rasga a alma inteira,
Que este amor é chama, e a distância é só a fogueira.
Não há léguas que quebrem este nosso laço,
Pois te carrego na pele, no sonho, no abraço
Que só a lembrança permite. Não te aflijas, meu bem,
A distância só prova o tamanho que o amor tem.
Olhares que se cruzam o espaço frio da sala,
O silêncio grita com o erro que cometi,
O peito aperta, a voz engasga e cala,
Ao ver que teu perdão eu perdi.
Você me fita quando estou distraída,
Mas se viro o rosto, você desvia o olhar
Eu faço o mesmo, com a alma ferida,
Fingindo que n dói te ver afastar.
Dói saber que teu sorriso tem outro rumo,
Que outra pessoa ganhou sua atenção,
Só de lembrar, meu mundo perde o primo,
E as lágrimas inundam meu coração.
Minha mente repete teu nome sem parar,
Você é o único eco que habita em mim,
Mas fico presa em você, presa no medo de perguntar,
Se você também me quer por perto enfim.
Será que seu silêncio esconde esconde saudade? Ou será que meu erro apagou oque vivemos? Fica dúvida que consome a realidade, Enquanto fingimos que não nos conhecemos.
Cidade em Suspenso
A cidade acende e me apaga
No reflexo frio dos semáforos
Cada janela parece uma pergunta
Cada esquina, um rascunho do que sou
Eu caminho entre ruínas discretas
De promessas, vitrines e sinais
O concreto me ensina a dúvida
E a dúvida me ensina a ir além
Quem desenha o mapa da pressa?
Quem decide o valor do silêncio?
Se o futuro mora no relógio
Por que eu sempre vivo no intervalo?
Tem uma fome antiga no asfalto
E um eco que não sabe se responde
Eu carrego a noite no bolso
Como quem guarda o que não se esconde
O que é chegar, afinal,
Se toda chegada já vira partida?
O que é ser inteiro na cidade
Que nos pede versões resumidas?
Se eu me perco, é por lucidez
Se eu me calo, é pra ouvir melhor
No meio da fumaça e do ruído
Ainda existe um nome para o sol
E eu sigo, porque seguir também é verbo
Porque parar parece uma forma de cair
Porque talvez a verdade more
No movimento de não se definir
Daniel Vinicius de Moraes
As noites trazem a luz do luar
E o frio hálito da morte.
Anseio por ela a cada segundo,
Enquanto busco abrigo em teus seios, ó minha amada.
Nem os anjos dos céus,
Nem os demônios dos mares mais sombrios
Seriam capazes de separar nossas almas.
Tua beleza, invejada pelos anjos,
Atrai a própria morte,
Ó minha doce companheira.
E é neste sepulcro silencioso
Que nossos corpos se encontram,
Unidos para além da vida,
Sob o eterno véu da eternidade.
“A compressa ensina que o corpo também compreende a linguagem do calor, do frio, do toque e da presença.”
Do livro Medicina Tradicional Chinesa — História, Filosofia e Prática da Medicina do Imperador Amarelo, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
Onde Havia Dois, Restou o Amor
Éramos dois, agora sou só eu.
Meu irmão, protetor do frio e da lida,
Em noites densas, o calor era o teu,
No agito constante de nossa vida.
O medo e a ansiedade tentaram ficar,
Mas o amor transbordava em nosso segundo lar.
Entre sons e mimos, sem hora ou rigor,
Eu obedecia ao seu tom mais gentil, com louvor.
Mas o meu inseparável irmão partiu,
Deixando-me só, em um mundo vazio.
A idade avançou, o silêncio chegou,
E em um sopro de susto, o AVC me tocou.
Julgaram-me finda, deram-me o adeus,
Mas o amor de meus donos era maior que os céus.
Lutei com meus sons, clamei por viver:
"Ainda estou aqui, não quero morrer!"
Pelas mãos da ciência e o cuidado da alma,
A vida voltou a trazer minha calma.
Fisioterapia, carinho e luz,
Ao seio da minha segunda família, o destino me conduz.
dedicado aos meus cachorros e médicos
Dedicado à Theodora (em vida) e ao Martin (em memória).
Por: Roseli Ribeiro
O frio que desce pela minha garganta esmaga meu coração. Estou com tanta raiva do mundo. A violência atrás dos meus olhos está vívida e quente. Aqui no meu coração, acesso pela chama fria, acumula ódio para muitas vidas… Estou com tanto ódio do mundo.
Eu acho que hoje não acordei muito bem, cabeça pesada. Esse frio parece deixar tudo mais parado. Isso não, necessariamente, é ruim, mas a sensação tende a ser estranha em dias assim. Mas não foi isso que mexeu comigo. Parece que há coisas mais importantes a me preocupar.
Pois bem, depois de ler algumas páginas de um amontoado de palavras, isso parece também não fazer muito sentido. Na busca por sentido, o que eu e você pensamos, gastamos energia, pode parecer uma preocupação egoísta. Existem situações mais sérias? Óbvio que sim. Mas isso invalida aquilo que você carrega como história?
Fato é que o debate continua. Mentes estão agindo, se preocupando, calculando rotas, se reorganizando, pegando atalhos, tomando decisões das mais variadas formas e, no fim, o que sobra são os resultados que cada um carrega, frutos do conjunto de tudo aquilo que viveu. Não há nada descartável, ou, para alguns, quase tudo é descartável.
O veredito sempre pode ser questionado, mas quem carrega a condenação são aqueles que tiveram que conviver com as consequências dos seus atos e, adivinhe... todos, absolutamente todos, carregam, consciente ou não, as consequências de tudo aquilo que decidiram, até mesmo não decidir. Porque, no fim, não se trata de estar certo ou errado, mas de qual ponto de equilíbrio você encontrou para que a vida faça algum sentido.
A vida pode ser um peso, pode ser tristeza, pode ser luto, pode ser trauma, pode ser temperamento, pode ser tudo. Pode ser dádiva, pode ser morte. Mas encontrar equilíbrio em meio à pressão de tudo aquilo que nos aflige, seja o pensamento, seja o abandono, seja a alegria de possuir, no fim, nada é tão real quanto enxergar que a vida é o que temos.
Você pode abandonar tudo: ideologias, certas convicções, traumas, decepções ou até você mesmo. Mas não pode ignorar que esta vida é uma oportunidade de tentar mais uma vez caminhar por um caminho. Não, não direi reto, sem preocupações, sem dores ou algo assim. Eu desprezo qualquer tipo de fórmula que tente nos fazer crer que a vida é, ou será, um caminho sem obstáculos. Inclusive, isso foge da realidade.
Pois, das poucas certezas que temos nesta vida, tristezas e desilusões são as mais comuns. Às vezes vamos ouvir isso dos mais velhos, mas, mais cedo ou mais tarde, entenderemos por conta própria o quão imprevisível e inevitável é viver com as dúvidas, com as dores, com o carma.
O viver é um presente por si só, mas encontra um pouco de afago quando temos consciência de que viver é estar vivo. E estar vivo é tentar novamente. Tentar novamente é estar vivo. Um ciclo sem fim, até que sejamos recolhidos deste mundo.
SÓ QUEM ENTROU LÁ
Um som indigente
Fez-me o espio.
Resquício afluente.
Na cena, o frio:
Trovoada.
A janela estilhaçada.
O vento na cortina
Debatendo-se no teto.
Respingada.
Cortina enroscada.
No ventilador
De madeira
Inquieto.
Como fechar
A janela
Estraçalhada?
Como findar
Balbúrdia?
Como cessar
O giro
A cerrada?
Com cacos
Nessa estapafúrdia?
O linho prestes
A ser desfeito
Temo que
Nem pausa
Possa dar jeito.
Vou de fininho.
Dedo-Interruptor.
A madeira no chão
Foi-se ventila(dor).
E ao encarar todo
Aquele estrago
O sol invade.
Um caco no pé
E também um afago
Que muito me arde.
Ao menos a obra
De arte solta
Não foi levada
Junto.
Ao menos a chuva
Inda que revolta
Não poderia
Alcançar o
Conjunto.
Ao menos, oras,
A carta do vô
Repousada na escrivaninha
Nada nunca nem triscou
Porque é trancada na outra
Salinha.
A água abafada pode até ferir
O vidro, sacada, o sofá do repouso
Só que a raiz, espalhada em jardim
Não voa com vento nem mesmo teimoso.
E pela janela nem mesmo sol sabe
Coisa que só onde des(pensa) vive
Semente rara, caso tudo desabe
Ela faria o que se revive.
Um som indigente
Fez-me o espio
Levanto crente
Desse desvio.
E quando levo corpo à checagem
Janela intacta, cortina a dormir.
No ventilador, apenas bobagem
Quebrado, caído, me ponho a sorrir.
Um pingo de raio se coloca pela fresta
E vejo a verdade do sonho horroroso.
Barulho parece pior, se infesta.
Esquecer do resto da casa é que é
Perigoso.
(Vanessa Brunt)
Hoje está frio nunca vi um frio tão intenso
Doi a carne e os ossos e congela a alma
Quem me dera sentir de novo o calor do verão ou o perfume da primavera
Nestes dias so me resta sentir este gelo com calma
Sem chorar sem dormir
Porque so assim vou ter certeza de que nunca mais vou permitir o vento esparramar o gelo no meu coração ❤️
E quando esse tempo passar o dia todo com certeza valerá a pena
No meio do caos, quem tem controle não levanta a voz...
Levanta respeito.
Seja frio, calculista e sempre com passos à frente. Não medir as situações com força, mas sim sobre à mente.
Quando o frio do afeto de alguém é constante, deixo o agasalho de lado e fico perto da lareira de quem quer me aquecer.
Sou gaudério sou arredio,
Não tenho certo uma morada,
Enfrento calor também o frio,
E não me arrependo por nada,
Quero-te para acalentar o que meu coração sentiu,
Nem que eu atravesse o Brasil,
Pra te fazer minha amada...
Vivo na sombra por que o sol existe....
Vivo na escuridão por que a noite existe...
Vivo com frio por que o inverno existe...
Vivo o calor que me sufoca por que o verão existe...
Vivo o perfume das flores por que a primavera existe...
Vivo de saudade e lembrança por que tu existe.
Mãe, você me deu a vida, me alimentou, me aqueceu quando tive frio e me ensinou os primeiros passos e as primeiras palavras. Ensinou-me a ter dignidade, a amar a Deus e a respeitar as pessoas. Mostrou-me a beleza do mundo e sempre disse que, no final, tudo daria certo. Não me ensinou que existem pessoas ruins e que nem sempre podemos confiar. Como poderia? Você era um anjo, e os anjos não conhecem a maledicência, a maleficência nem a malevolência. Você me ensinou a amar, a ter fé e a acreditar no bem. O resto, aprendi sozinha. E, mesmo quando a vida me mostrou suas sombras, os valores que você me deixou foram maiores. Hoje sei que o bem continua valendo a pena, porque o amor, a dignidade e a fé que recebi de você são a luz que me guia e me fazem acreditar que, no final, tudo realmente dará certo.
Lourenco@Cris
Sem medo do vazio,
nem da sombra que invade,
não sinto o frio
desta brevidade.
Se a noite é escura,
não me pode tocar,
minha alma é pura
é de outro lugar.
O mundo é passagem,
não é meu abrigo,
levo na bagagem
só o que sou comigo.
