Frio
E no final você verá que o vento acalma, que por mais longo que tenha sido o inverno o frio passa, que devagarinho a chuva volta, a primavera chega, o verde se sobrepõe às folhas secas e a vida em toda a sua exuberância de cores e perfumes renasce junto com as flores.
deitei
não levantei
o café ficou frio
as palavras ficaram presas
não fiz o que tinha que fazer
não disse o que devia dizer
fui pela metade e esqueci
de ser inteiro
não terminei
nem comecei direito
Amor Mortal
Ouvi um raio —
tremeu…
a alma, os cílios.
Raio contundente,
frio,
escuro…
e ao mesmo tempo, divino.
Um gostar de sentir calafrio,
ausências,
inseguranças,
frio na barriga.
Isso é amor?
(pelo menos, para mim, é).
Insuportável, a harpa angelical
dos casais tão simples!
— “Oi, amor!”
— “Bom dia, amor!”
— “Durma bem, amor!”
E eu penso:
morro em vida.
Uma sombra…
sussurros…
Ela — só ela.
Sinto arrepios,
fico surdo,
estático,
só admirando aquela
figura magra
e gélida.
Ela se despe —
vestida de ossos pontudos!
Como não desejar
sua morte?
"Entre o frio que rengueia e o sol de verão,
o gaúcho encontra calor na tradição.
Chimarrão ao amanhecer,
e a vida inteira para agradecer."
Dois polos,
Jovem e velho,
Quente e frio,
Quem te viu?
Vazio preenchido,
Antônimos,
Não são estranhos, senti-los.
Ontem iluminado,
Pelo Sol, machucado,
Pela Lua, curado.
Hoje calmo,
Não corro mais,
Caminho olhando.
Hoje acordei calmo,
Investindo em pensamentos,
Pensei, chorarão amanhã?
Imprevisível como o amor,
Amanhã,
Certo como a morte,
Hoje.
..Não gosto do Outono
Porque folhas caem
Pessoas morrem
Faz frio lá fora
E esse frio corta
Dá um nó na garganta
Desfaz a esperança
De um novo amanhã
Entra com pezinho de lã
Parece fazer sol
Mas é sol de pouca dura
Porque logo ele vai embora
As nuvens cedem à secura
Bebem as lágrimas que se fazem sentir
Agora com mais força
A cair do céu
Que a primavera me ouça
Ou até mesmo o verão
Para transformar este céu cinzento
Numa nova onda de calor
E logo quando o sol se pôr
Surgirá uma força interior
Acompanhada de um anjo protetor
Com suas asas proteger-me-á
Do mal que se avizinha
Da dor que não nasce sozinha
A dor do outono tem dono
Cabeça, tronco e membros
É o Mês de Dezembro que se advinha
Árvore de natal só tem enfeite
Não dá luzinha
Não tem quem espreite
Antes espreitada de empreitada
Hoje este natal não é nada
Hoje este outono é uma estação amaldiçoada
Outono mata
Outono não é ouro
Outono não é luz
Outono não é prata
Outono não é tesouro
Outono não reluz
Outono que leva a alma
Outono que vá para o raio que o parta
Amor Mortal
Ouvi um raio —
tremeu
…a alma, os cílios.
Raio contundente,
frio,
escuro,
e, ao mesmo tempo, divino!
Um gostar de sentir calafrio,
ausências e inseguranças,
frio na barriga…
Isso é amor?
(pelo menos, para mim, é.)
Insuportável a harpa angelical
dos casais tão simples:
“Oi, amor!”
“Bom dia, amor!”
“Durma bem, amor!”
Penso que morro em vida.
Uma sombra… sussurros…
Arrepios…
Fico surdo,
estático,
só admirando aquela figura
magra e gélida.
Ela se despe —
vestida de ossos pontudos!
Como não desejar sua morte?
Quando escolher alguém pra dividir a vida, não fique preocupada com a intensidade do frio na barriga, mas sim como és tratad@, como se sente e quais os risos ele produz quando se lembra dos momentos que passam juntos.
E então depois disso... tome a decisão de ir ou ficar.
Não é sobre quem lhe causa frio na barriga, é sobre quem lhe causa sono. Sentir sono perto de alguém, é a certeza de que nos sentimos seguros para adormecer.
O Beijo Frio
Há um inverno guardado no peito,
Fruto de eras de vento e de dor,
Um coração que aprendeu o seu jeito
De não mais se queimar no calor.
Os dedos tocam, a pele se encontra,
Mas há um muro que o tato não vê.
É uma alma que já fez sua conta
E decidiu que amar é perder.
O lábio alcança a curva do rosto,
Mas o contato não traz o clarão.
Tem o silêncio de um sol já posto,
A mudez de uma velha canção.
É o beijo frio de quem se protege,
Onde a entrega é um risco fatal.
Um coração que o medo hoje rege,
Calejado em seu Reino de Sal.
Não é maldade, nem falta de querer,
É só o peso de tanta cicatriz;
Quem muito teve que sobreviver,
Esquece a pressa de ser feliz.
Quando estou perto de você, sinto um frio interno que se expande por todo meu corpo; sinto minhas mãos trêmulas e perdidas, ansiosas para se esconderem em qualquer lugar. Sinto-me como uma criança à procurar palavras para tentar formar uma frase com o mínimo de sentido possível. Sinto o coração pular do peito, e para completar, consigo ouvir cada batimento apressado, junto com uma respiração irregular e exasperada. Mas, sobre tudo, sinto uma alegria imensa de estar perto; por mais que tudo em mim esteja entrando em colapso, ainda sim, vale a pena cada instante do seu lado.
A névoa desce,
abraça o asfalto frio,
Onde a visão se rende
ao infinito que não se vê
Estrada molhada,
pista que se esvai,
Onde o verde ao lado,
em bruma se retrai
Lá na frente,
luzes tímidas a surgir,
Guiando o passo
que insiste em prosseguir
Não importa o destino,
nem o que se perdeu,
Só a jornada
que a neblina te deu
Um convite ao silêncio,
ao caminhar calmo e lento,
Onde a pressa não existe,
só o presente momento
Entre o céu e o chão,
um véu a cobrir,
Seguindo em frente,
sem saber o que virá a seguir
Amei-te
como quem olha para desertos e vê canteiros
como quem mergulha num mar frio e vê infinitos
como quem toca em espinhos e vê encantos
como quem voa em vazios e toca em plumas...
Sai de mim .
Tentei gritar , romper , fugir ,fingir não ver ...
Mas os teus ensejos e trejeitos faziam do meu
peito um cordel de brinquedos.
Desalentos ...
Amei-te
como quem esquece dos seus templos
como quem adormece os seus desejos
como quem fere a honra sem calma
como quem rasga com estupidez sua alma ...
Como quem carrega nos ombros o peso da utopia .
Agonia ...
Amei-te
e não quis mais amar-te
Findou-se o tempo
Calaram-se as canções
Morreram-se as flores
Emudeceram-se os versos
Sobrou o silêncio.
Re-nasceu a lucidez .
Calmaria ...
Aqui estou, abraçado ao frio da solidão.
Não vou reclamar, nem lamentar, nem sofrer.
Apenas espero o momento de você chegar
para aquecer o meu coração.
O sol te aquece do frio no inverno sem pedir atenção; agradecer é o mínimo que podemos oferecer a ele assim como a você.
Quando eu estava perdido, sem lar, assolado pela fome e pelo frio, sentia-me invisível aos olhos de uma sociedade movida pelo orgulho, ambição e inveja — um covil de podridão. Mas então decidi: chegou a hora de me levantar, erguer a cabeça e ir além do fracasso que destruiu meu orgulho de homem simples. A retomada é árdua, mas, passo a passo, dias melhores hão de vir...
É bonita demais
A dádiva sutil, concebida
Ela, às vezes se achega
No mais cortante frio da madrugada
Aquela que traz a certeza
Adquirida no dizer das nuvens
Levemente sussurrado em meus ouvidos
Eu jamais precisei
Ser a mente mais brilhante
Basta-me a alma sensível
A paciência e o correr dos dias
Meus olhos de criança sabiam
Que vai-se a beleza da viçosa flor
Mas a lembrança
da alegria verdadeira
No momento em que foi ofertada
Se esta não permanece
Todo resto é dor guardada
Eu digo à poesia que a leve
no leve sussurrar do vento
Pois tudo não passa de momento
E a pressa de viver
A tudo inverte
Felicidade é uma flor
Que precisa ser regada
O ato de viver
É de fato interpretar o escrito
Em versos simples e bonitos
Na mais clara maneira
Com que a vida os compuser
As janelas do mundo
O tempo da tarde esquecida
Um corpo sem alma
É nada
A alma num copo
é vida.
Edson Ricardo Paiva.
Não tenho medo da morte
Da fome, da estupidez ou do frio
Destas coisas eu sempre me esquivei
Porquanto, a solução pra todas elas
Podem ser encontradas por mim
Meu medo é não saber achar
Aquelas coisas que independem
da boa vontade da gente
Pois, sem elas
Tudo mais não tem valor algum
E sem elas não se vive uma vida
Sobrevive-se somente
Engole-se diariamente
O gosto amargo das desilusões
O peso da carga que advém
Resultantes do desdém
e da maldade alheia
Não tenho medo de parar meu coração
Eu tenho medo de não conseguir
Estancar o corte ou espantar a dor
Se porventura alguém a quem amar
Me pedir pra curar um corte em seu dedo
Não tenho medo de perder
Nada daquilo
Que novamente vai brotar
Eu tenho medo pelas coisas singulares
Coisa que não se conta
Não se recria, depois que se desmonta
Incomparáveis, sui generis
Coisas sem par
Tudo que eu preciso
é de um singelo sorriso
Não peço ao vento que me traga
Me diga onde está
Que eu vou buscar
Edson Ricardo Paiva
