Frio
As areias do deserto se mantem quentes, somente enquanto o sol brilha. Depois tudo fica frio, e se veste de breu se não tem a luz da lua.
A água sente a pele da terra,
guarda o calor, o frio, o silêncio.
A água reflete tudo o que existe,
céus, árvores, rostos, sonhos.
Ela não julga, apenas devolve,
um espelho líquido da vida.
opera
fria
sem sentimento,
horizonte frio,
terror...
esquecimento,
tremor
para gelo da alma
copo d´água fria noite
sede sem fim
as horas são obras
na solidão
dois quais uma sombra
nas sobras do sentimento.
Cordel das incertezas
O estranho sempre assusta
Pode dar frio e ansiedade
A mente busca controle
Planeja em intensidade
Mas há surpresa no viver
Remetendo-se ao crescer
Com o novo em liberdade.
A incerteza traz dois lados
Ruim e outro encantador
Mas são caminho abertos
Variando face e cor
Pode ser pedra no passo
Para diminuir o compasso
No meio do nada, uma flor.
Há quem só veja o negativo
Esquecendo a beleza da vida
Mas cada dor que aparece
Não resume a nossa lida
É pedaço de uma história
Com derrota e com glória
Não é estrada perdida.
Não se controla o vento
Nem o que vai acontecer
Acidentes, brigas, conquistas
Acontecem sem prever
E se a vida fosse tão certa
Como uma porta sempre aberta
Que graça teria viver?
Planejar é muito bom
Mas não é rédea do mundo
O incerto é possibilidade
Um caminho tão fecundo
Na moeda de dois lados
De decepções e agrados
Mas com tesouro lá no fundo.
Por isso, não fuja do incerto
Abrace-o com confiança
Há surpresas que nos elevam
Há futuro em esperança
No mistério do amanhã
A alegria pode ser irmã
Vindo com a força da mudança.
Um cubo de gelo.
Feliz é o cubo,
que se mantem frio,
o calor nos ebuli,
ate batermos na tampa ,
onde frustrados,
retornamos a água,
feliz é o cubo de gelo.
A inspiração deve
ser tecida como
que tece Bichará,
Que é um poncho
feito para o frio
do Pampa enfrentar,
Quem diria que sobre
isso iria te contar...
O sol está quente, assolando meu inverno.
Sem você aqui, moça bonita, tudo é castigo.
O frio morde, e eu não sei fugir
dos pensamentos que insistem em ti.
Eles devastam meu mundo engessado,
preso, atado, sem saída.
Então resmungo em silêncio aflito,
grito alto teu nome — joia do Nilo —
para que ninguém perceba
a nudez da minha aflição.
Será castigo do céu me assolar assim?
Caio de cara na terra, esmurrando o chão,
até que toda força se acabe em mim.
Só então clamo aos céus, linda mulher.
Por quê? Por que me sinto desbravado,
preso numa liberdade vazia,
longe da mulher que me deste?
Quem sabe o céu conforte
essa angústia medonha.
Confesso tudo, até na prece mais fervorosa,
e chamo teu nome —
minha rainha.
TANKA 008
Em um céu cinzento
uma garça rompe o frio
e segue o seu rumo.
O vento sopra teu nome
Em meu silêncio profundo.
Lágrima
Da janela embaçada já sem vida,
a calçada gelada sopra o vento frio.
A dor da partida inesperada
chove em mim!
"Há quem prefira o calor da ilusão
ao frio da verdade.
Deixa-se enganar não por falta de visão,
mas por medo de enxergar demais.
Só que a mentira é chama frágil:
ilumina por instantes,
mas cedo ou tarde apaga,
e a escuridão cobra a conta."
Lucci e Fabi saíram um dia,
com café frio e pouca energia.
“Precisamos de sala, palco e plateia!”
“E que não caia a internet véia!”
No Discord acharam só gato e cachorro,
um bot bugado gritando socorro.
Criaram canal, mas na hora do teste,
foi só silêncio… ninguém aparece.
Na Twitch pensaram: “Agora vai!”
Mas o chat xingava: “Cadê o Wi-Fi?”
Um cara entrou só pra pedir pão,
outro jurou que viu alien na transmissão.
No YouTube enfim tentaram pousar,
mas esqueceram de apertar “publicar”.
Gravaram três horas de puro talento,
sem áudio, só vento e um barulhinho de vento.
E assim na aventura, com riso e tropeço,
Lucci e Fabi seguem o progresso.
Porque no fim, não importa o bug do sistema,
a graça tá sempre em rir do problema.😂😂
“Aqui o vento é mais frio.
O ar não traz cheiro.
Não recordo a infância há algum tempo.
O que antes era desespero por não estar aqui
agora é calmaria
sem memória.”
Lá fora está frio e chuvoso e as ruas se encharcam de silêncio. As gotas escorrem nas janelas como se fossem lágrimas antigas que o céu já não consegue conter.
No deserto, o conforto virou dor, eo silêncio me acusava sem piedade. O frio do esquecimento quase apagou meu nome… Até que ouvi a voz do Pastor chamando por mim.
A obra-prima interior não se realiza no berço do conforto, ela é esculpida a frio e martelada na aspereza da rocha.
