Itens da prateleira na promoção,
Pegue um, pague três, roube um cacho E um frasco pra náusea da indigestão, De ter que empurrar Goela baixo.
E vem embrulhado como canapé,
Mostre-me quão ignorante você é.
Angústia bateu na parada Top,
Efeitos do Terror da Bomba Pop.
Os armários chaveados,
Meu orgulho arranhado,
As carteiras arrumadas,
Meu estômago revirado.
Testemunhas silenciadas,
Depondo silenciosas.
Em meu silenciador,
Após silêncio a dor.
No princípio ouvia-se
O dedilhar das harpas,
Ao término retiro
O resquício das farpas.
Entre Harpas e Farpas
Me contento em Zarpar,
Numa remota intempérie
Me atrevo aportar.
Ancoradouro da própria psique,
Raivosa oferenda da abstração,
Quimeras autênticas,
Genuína fixação.
Flexivelmente Ortodoxo,
Entre Harpas e Farpas,
Meu paradigma é um paradoxo.
Avisos educativos
Ensinam nossos filhos,
Enquanto saímos cedo
Perseguindo um novo emprego.
Pregados na coluna dos classificados,
Prezados profissionais liberais amordaçados,
Entregues ao pseudo-ego.
Nas mídias super-audiência,
Anti-tema, Alta freqüência.
Hífens com ou sem trema.
Rostos sem fisionomia,
Corpos sem autonomia,
Anatomia descadenciada,
DNA, ossos, músculos e carne desalmada.
NDA, nenhuma das alternativas nos levam a nada.
Quem já foi nata, hoje azedou,
Quem não foi nada, hoje faz o show.
ID (ota) é aquele que acredita
Que arbitra sua imprópria existência,
Sua própria inexistência insiste em não ser nada.
Psicanalhe-se,
a psique dos canalhas pré-dispõe-se.
Simulando contentamento,
Confundindo o desgosto,
Desprezando o desânimo,
Animando o desprezo exposto.
Conduzo-me à confusão
De enxergar os pormenores
Sem visualizá-los.
Sabendo que a desatenção
É um lapso dos leitores,
Ocupo-me em despistá-los.