Saiba que a finitude não silenciará sua voz, porque tudo o que construístes em vida ainda permanece aqui.
A morte liberta nossos verdadeiros sentimentos, e por isso, causa tanto temor.
Não é da morte que tenho medo, mas sim, dos sentimentos que ela revela.
De que vale sua sabedoria se não for para usá-la.
Serenidade no olhar fala mais que mil palavras elaboradas daqueles que detém o dom da poesia!
Não demostre seu carinho, seu afeto e seu amor por mim, e nem me mande flores quando eu morrer, e sim enquanto eu estiver vivo.
Sua cama o pavimento,
Seu cobertor a lua minguante,
As paredes de cimento
Com grafite cintilante,
O tapete do seu quarto
É o córrego borbulhante.
O pontilhão é o limite
Cortando as artérias.
Rompendo o fatigante,
Nos becos crescem bromélias.
Um fato relevante,
Um relato fascinante !
Em sua carruagem
Revestida de papelão,
Recomeça a viagem
Costurando o ribeirão.
As vielas são inseguras,
Mas já foram o seu lar,
Identifica as figuras
Rascunhadas num pilar.
Seguindo o segmento
Sua pupila se dilata,
Quando vê e fica atento
A um latão em movimento,
Descendo violento
Na enxurrada que arrebata.
Se aproxima desconfiado,
Em um instante repentino,
Ao latão agarrado
Ele nota um menino.
Se atira no rio sem pensar,
Então pensa em não se afogar
E nadar, nadar e salvar.
Descendo a corredeira
Depois da trovoada,
Atitude guerreira,
Um arco-íris na alvorada.
Não pretendia ser famoso,
Não almejava ter dinheiro,
E um desafio fabuloso
O transformou em um guerreiro.
Ele nadou, venceu e salvou
E o menino viveu e voltou,
Para contar a lenda...
“Na metrópole profana,
Um mendigo indigente,
Se torna a lenda urbana,
De um guerreiro valente."
Os portões do paraíso,
Se abriram para mim.
Mas o que adianta o céu ?
Sem Ela seria meu fim.
Parei na primeira capela que encontrei,
Acendi uma vela e orei,
O Paraíso é Ela, eu sei,
O Paraíso é Ela !
O capítulo final da minha novela,
O Paraíso é Ela,