Frases de Salomão
O não-ser não pode ser conhecido como objeto, porque conhecê-lo já exigiria conceder-lhe algum modo de existência.
A razão encontra-se diante de dois caminhos fundamentais: afirmar o ser ou tentar sustentar, contraditoriamente, a realidade do não-ser.
Nascimento e destruição podem ser nomes humanos para transformações que, em nível ontológico, não implicam criação absoluta nem aniquilação absoluta.
A mudança percebida pelos sentidos não deve receber automaticamente autoridade superior àquela exercida pela razão.
Ninguém ingressa duas vezes no mesmo rio, porque tanto o objeto quanto aquele que o contempla já se encontram submetidos à jurisdição irreversível do tempo.
Tudo flui: nenhum estado da realidade possui estabilidade absoluta suficiente para converter-se em direito adquirido contra a própria transformação.
A guerra é comum a todos porque toda ordem histórica nasce da disputa entre forças que pretendem estabelecer a definição legítima da realidade.
O caminho ascendente e o descendente são juridicamente distintos apenas na aparência: pertencem à mesma estrutura dialética do movimento.
O conflito não constitui anomalia da ordem; frequentemente é o próprio mecanismo pelo qual uma ordem superior se constitui.
A harmonia mais decisiva da realidade frequentemente permanece invisível, porque nem toda ordem verdadeira se manifesta sob a forma de consenso aparente.
O Logos é comum a todos, mas a maior parte dos homens legisla interiormente como se sua opinião privada possuísse força normativa universal.
A natureza oculta suas razões, como um ordenamento cuja interpretação exige mais do que a leitura literal de seus dispositivos visíveis.
Os contrários não anulam necessariamente sua legitimidade recíproca; muitas vezes é justamente sua tensão que produz a unidade do sistema.
O sol renova-se diariamente, recordando que a continuidade da existência não equivale à identidade absoluta de suas manifestações.
Há quem não precise de inimigos: basta que a vida lhe coloque diante de alguém que lhe dispense o mesmo tratamento que oferece aos outros. Pois poucas experiências são tão dolorosas quanto descobrir, na consciência alheia, a crueldade que a própria consciência se recusava a reconhecer.
O preconceito não desaparece com a mudança de quem ocupa o lugar de poder; apenas revela que a opressão nunca pertenceu a uma cor, mas à consciência que transforma a própria história em licença para humilhar o outro.
Somos poeira de estrelas dotada de consciência: existimos por tempo limitado, mas somos capazes de questionar o universo, buscar sentido para a vida e reivindicar a liberdade de pensar, embora nem mesmo a razão nos liberte dos limites da nossa própria existência.
Cor, sabor e outras qualidades podem pertencer à esfera da percepção; a estrutura objetiva da realidade exige investigação para além da aparência sensível.
