Frases de Manoel de Barros

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A tarefa mais lídima da poesia é a
de equivocar o sentido das palavras

Manoel de Barros BARROS, M. Ensaios fotográficos. Rio de Janeiro: Editora Record, 2000.

“ VENTO
Se a gente jogar uma pedra no vento
Ele nem olha para trás”.

(trecho do livro em PDF: Meu quintal é maior do que o mundo [recurso eletrônico])

É por demais de grande a natureza de Deus. Eu queria fazer para mim uma naturezinha particular. Tão pequena que coubesse na ponta do meu lápis.

(Livro "Meu quintal é maior do que o mundo")

“Tudo aquilo que nos leva a coisa nenhuma e que você não pode vender no mercado como, por exemplo, o coração verde dos pássaros, serve para poesia”.

(Trecho extraído de “Matéria de Poesia” do livro em PDF: Meu quintal é maior que o mundo)

Fui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão.

“Para entender nós temos dois caminhos: o da sensibilidade que é o entendimento do corpo; e o da inteligência que é o entendimento do espírito.
Eu escrevo com o corpo.
Poesia não é para compreender, mas para incorporar.
Entender é parede; procure ser árvore.”

Repetir, repetir - até ficar diferente
repetir é um dom do estilo

Eu tenho a ânsia de não fazer lugar comum.

No caminho, as crianças me enriqueceram mais do que Sócrates. Pois minha imaginação não tem estrada. E eu não gosto mesmo de estrada. Gosto de desvio e de desver.

(em carta a José Castello, publicado no Jornal Valor Econômico, em 18 mar.2012.-website)

Eu não caminho para o fim, eu caminho para as origens.

Poetas e tontos se compõem com palavras.

Manoel de Barros BARROS, M. O Guardador de Águas. São Paulo: Art Editora, 1989.

Agora eu penso uma garça branca de brejo ser mais linda que Uma nave espacial. Peço desculpa por cometer essa verdade.

( em "Memórias Inventadas para crianças". São Paulo: Planeta do Brasil, 2006.)

⁠O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê... É preciso transver o mundo.

"Encontrei na Stella a mulher e companheira de todas as horas. Na alegria e na tristeza – como nos prometemos no casório. Conseguimos um amor profundo e sonhado em todos os dias”.

( em entrevista "caminhando para as origens", a Bosco Martins, 2007.)

“Os patos prolongam meu olhar... Quando passam levando a tarde para longe eu acompanho”...

(Extraído do "Livro Sobre Nada" (Arte de Infantilizar Formigas), Editora Record - Rio de Janeiro, 1996, pág – projeto releituras)

Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.

Manoel de Barros BARROS, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011.

Nota: Trecho de "O Apanhador de Desperdícios"

"...que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc.
Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós".

( em 'Sobre importâncias', do livro "Memórias inventadas – a Infância". São Paulo: Planeta Editorial, 2003.)

⁠"Eu gosto do absurdo divino das imagens."


Menino do Mato

“No descomeço era o verbo. Só depois é que veio o delírio do verbo. O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos”.

(trecho extraído do livro em PDF: Meu quintal é maior que o mundo)

Em rios correntes
uma pedra
leva quase cem anos
para ter murmúrios