Frases de Luiz
Estou consciente do quanto minha impaciência com a ignorância alheia possa ser vista por muitos como soberba. Mas também sei que ela não é direcionada àqueles que não tiveram acesso à instrução, mas aos que se esquivam do tipo de análise que não imporia barreiras nem a uma ameba desidratada.
Existe um tipo específico de "ímpios" que não vai além de pessoas livres que ousaram desafiar a submissão física e dogmática que as religiões lhes tentaram impor por meio de um deus irado e vingador, que as ameaça com o fogo do inferno caso não se deixem subjugar por seus líderes inescrupulosos e escravocratas.
O único modelo ilegítimo e condenável de felicidade é o construído sobre a infelicidade dos demais. Todas as outras formas se constituem em um direito inalienável do indivíduo e devem ser defendidas até o fim, em nome das liberdades e ao preço de se abrir mão da dignidade enquanto ser humano.
O dia em que todo indivíduo recusar-se a abrir mão de sua autonomia enquanto sujeito de escolhas, estará declarada a extinção definitiva e irreversível de toda tirania, despotismo e liderança focada num tipo de poder cujo objetivo não vai além de ampliar ao máximo o número de seus servidores.
Direita, centro ou esquerda são pontos alinhados e equidistantes que mostram lados conflitantes de um mesmo todo, aprisionados em uma caixa que, por sua vez, tem dois outros lados: um é o de dentro – onde os primeiros se encontram – e o outro é o de fora, único que garante mantermos intacta a nossa autonomia.
A partir de determinada idade o mundo nos dá uma espécie de “carta de alforria“ com grau progressivo de liberdade em relação ao que sempre quisemos, mas não tínhamos permissão para colocar em prática, e a sensação é a de se estar sendo abonado por tantos anos cumpridos de “detenção social”.
Queres testar os limites de minha tolerância? Basta subestimar-me a inteligência pelo tratamento dado a um débil mental. E se a ideia é saber a intensidade de minha ira, será o bastante impor-me algum tipo de controle ou a supressão do meu direito de escolha. Em ambos os casos poderás conhecer a dimensão de uma rebeldia assumida como indomável!
O que é polaridade? É o contexto dividido entre dois extremos que se enfrentam e que chamam de “centro” a tudo o que não se posiciona num deles. Só que a linha, de ponta a ponta, está encerrada numa caixa comum, independente do ponto ocupado. Se o que se quer é autonomia, o melhor lado não é o direito, o esquerdo ou o do centro, mas o de fora!
Revendo as imagens de tantas atrocidades cometidas no período do Holocausto as pessoas, horrorizadas, sempre se perguntam: “Meus Deus! De que forma a humanidade caminha até atingir um momento como esse?”. Em seguida desligam seus computadores e seguem para as urnas, pois que é um dia de eleições. Pouco tempo à frente a resposta lhes chega!
Não importa qual dos extremos você acabe defendendo nem a falta de opção que use para justifica-lo, que sempre será lembrado não apenas como “um deles”, mas tendo ainda o agravante de que o lado escolhido pelo menos tinha vontade e ideias próprias, e você, indigna e covardemente, abriu mão das suas.
A vida é uma professora rígida e impiedosa, porém honesta. Ela nos ensina que os que não se calam e não aceitam a infâmia sob o manto da falsa harmonia são os que acabam alijados como incômodos, pois que não compactuam com as mentiras que todos preferem ostentar para não terem maculado seu histórico de pessoas “bem resolvidas”.
Passar pela existência não é o mesmo que evoluir. Este segundo conceito acontece quando trocamos a pergunta "O que vou fazer?" por algo como "Por que o estou fazendo?" e, ato contínuo, definimos prioridades para o próximo momento e retemos do passado apenas o que deu bons frutos.
O errado não é "mudar de lado", mas estabelecer-se neste último, em lugar de trocar quantas vezes se distancie do que seria correto fazer. O ideal é ocupar o centro da gangorra, única forma de preservar a visão "des-envolvida" dos extremos, e aproximar-se do mais leve apenas para restabelecer o equilíbrio de forças.
O melhor médico que podes ter é o que sabe o momento certo de te dar alta. Não será ignorando o teu mal que te livrarás dele. Trata, portanto, tua dor como o médico que melhor sabe de ti de forma a te cuidar, te ensinar o que fazes de errado, e sobre como corrigir o mal feito para que logo voltes tu mesmo a andar com tuas próprias pernas.
Às pessoas que me amam, e dizem orar por mim, digo-lhes que orem por minha autonomia – seja física ou mental, orgânica ou emocional – pois sem me sentir livre minha vida não faz qualquer sentido, e serei o primeiro a pedir para que me seja tirada de modo a não ter tempo de conhecer minha prisão.
Se a tua causa é nobre e teu pensamento é o melhor para todos, então me colocarei ao teu lado para defende-los como meus, apoiar teus acertos e criticar teus enganos. Mas não deves toma-lo como tendo ocupado lugar em tua trincheira, nem tampouco um acordo para lutar em trincheiras que não são minhas.
Todos deveriam comemorar a chegada de um novo amigo à sua vida como a descoberta de uma estrela nova no céu. Elas chegam com sua história, suas características próprias e com um fulgor que pode nos maravilhar pela sua intensidade. Benditas sejam as estrelas que se apresentam para emprestar mais sentido ao nosso universo.
Que não se confunda o espírito rebelde do libertário com o do extremista apenas porque ambos destoam da maioria. Um se rebela contra tudo o que se mostra injusto e tirânico, enquanto o outro tenta anular as liberdades duramente conquistadas por todos pelo retorno ao que o mundo já experimentou de pior.
A aposentadoria para mim nunca irá além de um papel me autorizando a ter de volta um pouco do que doei ao mundo, mas sem nunca interromper a contribuição que ainda quero dar à sociedade até o último dos meus dias. A forma como fiz e continuarei a fazê-lo é um detalhe tão insignificante quanto o papel pelo qual tomei ciência dela.
Pobre da mente que precisa de um líder ocupando o espaço que deveria ser da consciência. Pobre do coração que dependa de um salvador para agir como deveria. Pobre do cidadão que precise de vigilância para não fazer aquilo que faz quando não tem ninguém olhando. Pobre do homem cuja lisura dependa de que outros a exaltem.
