O Brasil carece de Homens... Alessandro Teodoro

O
Brasil
carece
de
Homens
Incomerciáveis.
Homens que não tenham preço — não porque sejam moralmente perfeitos, mas porque tenham descoberto que há coisas que não se vendem.
A consciência, por exemplo.
A palavra empenhada.
A dignidade de dizer não quando todos ao redor já descobriram quanto custa um sim.
Vivemos tempos sombrios em que quase tudo parece negociável.
Convicções mudam conforme o vento, princípios ganham cláusulas, lealdades têm prazo de validade e a verdade, não raro, é tratada como mercadoria: vale mais quando convém e menos quando contraria interesses.
É nesse ambiente que o Homem Incomerciável se torna uma espécie muito rara — e, por isso mesmo, muito incômoda.
Ele não precisa ser um herói.
Basta não aceitar a lógica segundo a qual quase toda posição tem um preço e quase toda consciência pode ser alugada.
Não trocar sua independência por aplausos, sua coragem por cargos, sua honestidade por vantagens ou seu silêncio por conveniências.
O Homem Incomerciável sabe que poder nenhum é suficientemente grande para comprar aquilo que ele considera inegociável.
E talvez seja justamente por isso que ele incomode tanto: porque sua existência desmente a famigerada ideia de que todos têm preço, que todos podem ser comprados, seduzidos, constrangidos ou domesticados.
Um país não se degrada apenas quando seus governantes erram.
Degrada-se também — e muito — quando seus cidadãos aprendem a negociar aquilo que deveriam defender.
Quando a indignação passa a depender de quem pratica o abuso.
Quando a moral se torna seletiva.
Quando a coragem desaparece justamente no instante em que ela deixa de ser conveniente.
O Brasil não precisa apenas de homens que saibam vencer disputas.
Precisa de homens que saibam perder sem se vender.
Porque há derrotas honrosas e vitórias miseráveis.
Há posições que custam caro demais para serem ocupadas e silêncios que custam caro demais para serem mantidos.
No fim, talvez a verdadeira liberdade comece aí: no momento em que alguém descobre que pode perder quase tudo sem precisar perder a si mesmo.
É desse tipo de Homem que o Brasil carece.
Homens que tenham preço para quase tudo — menos para a própria consciência.
