A cultura, muitas vezes, parece... Juliano Lamounier Rossi

A cultura, muitas vezes, parece funcionar como uma espécie de terapia coletiva para as inquietações humanas. Cada indivíduo procura, nos hábitos, nos grupos e nos comportamentos sociais, formas de lidar com seus próprios conflitos, carências e contradições.
Há os que encontram conforto na intensidade emocional, tornando-se excessivamente afetivos, melosos ou ciumentos; outros buscam na agitação, nas relações passageiras e na intensidade dos prazeres uma forma de escapar do vazio. Existem ainda aqueles que se refugiam no isolamento, na reflexão e na intelectualidade, transformando a distância social em um mecanismo de proteção ou compreensão do mundo.
Talvez a sociedade não seja formada por pessoas plenamente equilibradas, mas por diferentes maneiras de administrar a própria desordem interior. A cultura, nesse sentido, não apenas expressa quem somos: ela também se torna o espaço onde cada indivíduo encontra uma forma socialmente aceita de conviver com aquilo que carrega dentro de si.


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