A Mentira do Coletivo A infelicidade... Juliano Lamounier Rossi

A Mentira do Coletivo


A infelicidade não reside,
necessariamente, na árdua convivência em busca do coletivo, nem se dissolve no isolamento voluntário daqueles que recusam o convívio.


Há, em todo meio, em toda sociedade,
quem habite uma realidade imaginada,
erguendo, dentro da própria mente,
palácios onde apenas existem ruínas.


Alguns sorriem para o mundo
porque assim lhes ordena a própria fantasia; transformam o cárcere em morada, e a ilusão, em uma espécie de liberdade.


Não raro, a mente constrói seus próprios deuses, suas verdades, seus caminhos e certezas, e o indivíduo, prisioneiro de tais invenções,
confunde a paz aparente com felicidade.


Enquanto isso, outro contempla o mesmo cenário sem o véu que suaviza suas imperfeições.


Vê o vazio onde outros encontram sentido, percebe a contradição onde outros encontram ordem.


E talvez esteja aí o paradoxo mais cruel:
há quem sofra por viver dentro da própria mente, e há quem sofra por permanecer lúcido dentro de um mundo que prefere a ilusão.


Não é o coletivo que condena,
nem o isolamento que absolve.


O sofrimento, muitas vezes, nasce
da distância entre aquilo que somos
e aquilo que necessitamos acreditar que somos.


Assim, entre a realidade e a fantasia,
caminha o homem em sua eterna contradição: uns felizes por não enxergarem o abismo,
outros infelizes justamente por enxergá-lo.


E talvez a verdadeira solidão
não seja estar entre os homens,
mas estar entre eles
sem conseguir habitar a mesma mentira.


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