O mau tradutor Com o coração renovado,... Aluízio Melo
O mau tradutor
Com o coração renovado, busquei expressar a verdade através de meus lábios.
Mas minhas palavras soaram como desculpas vulgares, erguidas apenas para esconder a chaga que trago no peito.
Andei manco por estradas escuras, anunciando aquilo que meu coração sussurrava. Pelo visto, jamais fui um bom tradutor.
Acreditei que minha luz fosse como a da vela que eu carregava: capaz de acender milhares de outras sem perder o próprio brilho.
Mas a vela foi afogada num mar de mentiras.
Agora caminho sem sua chama. Tropeço entre os destroços de um palácio outrora belo, que hoje abriga apenas o silêncio dos funerais.
Suas paredes são feitas das cinzas de um incêndio que insiste em morrer, embora seu calor já não seja suficiente para iluminar o caminho de ninguém.
