Desde a minha mocidade Que a mente não... Ébano Masrua
Desde a minha mocidade
Que a mente não quer sossego,
Vem nuvem de pensamento
Me tirando o aconchego,
Feito a tal rasga-mortalha
Pousada no cajueiro,
Trazendo agouro e medo.
Mas nem toda ideia e ação
Caminham no mesmo rumo,
Às vezes a ideia nasce
Inquieta, fora do prumo,
Tem hora que a mente pira
E o peito acelera do lado esquerdo,
a ansiedade arde por dentro, bate forte e explode, feito mamona exposta ao sol forte.
Pelo gatilho do barreiro, chega e me açoita.
Recebo como visita, ideação suicida
Chega de mansinho, vem me rondar no escuro,
Eu puxo a filosófica
Pra pular esse muro!
Se a morte quer ter ideia,
A vida entra na plateia
E faz do agir seu futuro!
Desde os meus cinco anos de idade
Que o pensamento vive a martelar,
De onde viemos, pra onde vamos?
Quem é que vai explicar?
Carrego a mania do espanto,
Desafiando o barulho dos meus pensamentos, prantos, mantos, perdas e lamentos
Que o invisível quer me dar.
Talvez eu morra na caverna, quem sabe em uma tapera e continue visitando os meus abismos
Sem toda resposta achar,
Mas enquanto houver o fôlego
E a vida me empurrar,
Minha alma bota a minha cabeça pra pensar,
Pra fazer do pensamento
O véu que revela o amanhecer
