Soneto da filha pequena Acordei... Gregório Duvivier

Soneto da filha pequena
Acordei transformado num sultão.
A princesa, miçangas em sua testa,
dava aos gatos, seus tigres, uma festa.
Um cetro de vassoura em sua mão.
Seu vestido arrastava pelo chão.
Com os liros ergueu uma floresta.
Escondida enxergava pela fresta
a poltrona vertida em alçapão.
Da casa sem crianças tenho dó.
Nenhum dos móveis sequer sonhará
em ter seus afazeres subvertidos.
A pá só servirá pra pôr o pó.
A vassoura somente varrerá.
As cortinas jamais serão vestidos.
