FRIDA, FOGO E CARNE por Carina Gameiro... Carina Gameiro
FRIDA, FOGO E CARNE
por Carina Gameiro
Frida não pediu permissão.
Fez da dor um estúdio,
do sangue um pincel,
e da alma, uma obra-prima.
Ela não amou leve.
Amou até quebrar os ossos,
até confundir amor e abismo,
até se tornar a própria pintura viva.
Chamaram de intensa,
mas era apenas verdade demais
para caber em molduras pequenas.
Frida era o grito que o mundo engoliu.
A flor que cresceu sob escombros.
O espelho que não mentia,
e por isso, revelava.
Ela não teve medo de ser humana,
nem de ser divina.
Fez do corpo o altar e a ferida,
do amor a ruína e o renascimento.
Frida era mulher antes de ser mito.
Era fogo, era carne, era cor.
E ainda hoje,
quando o medo tenta me domesticar,
eu escuto sua voz rasgando o ar:
“Pés, para que os quero,
se tenho asas para voar?”
