FESTA NA CHUVA Quando a chuva vem... Jose Vidal de Negreiros Neto...

FESTA NA CHUVA


Quando a chuva vem cantando
Nos telhados do sertão,
Parece que a natureza
Faz festa no coração.
Cada gota é um convite,
Cada nuvem, uma canção.


As crianças, sorridentes,
Correm soltas pelo chão,
Fazem barcos de papel
Navegando na enxurrada então.
Pulam poças, dão risadas,
Sem temer repreensão.


Os jovens, no campinho,
Transformam lama em diversão,
Jogam bola entre os pingos
Com coragem e paixão.
Cada gol vira uma festa,
Cada queda uma emoção.


Os homens seguem na lida,
Com fé, força e devoção,
Lançando sementes à terra
Com esperança na mão.
Pois quem planta sob a chuva
Colhe fartura e pão.


Os velhos, atrás da janela,
Contemplam a imensidão,
Vendo o tempo desenhar
Memórias no coração.
Cada gota lhes desperta
Uma antiga recordação.


As donzelas sonham longe,
Em doce imaginação,
Tecendo futuros encontros
Feitos de amor e paixão.
Enquanto a chuva borda versos
Na moldura da estação.


As senhoras, na varanda,
Na cadeira de balanço então,
Só espiando o movimento
Da rua e da plantação.
Guardam no olhar a sabedoria
De toda uma geração.


De repente, no horizonte,
Surge em bela aparição
Um enorme arco-íris
Anunciando a renovação,
Como uma ponte colorida
Entre a terra e a criação.


E as plantas, agradecidas,
Rompem a escuridão,
Brotam verdes, vigorosas,
Num milagre de expansão.
Pois a chuva é a mensageira
Da vida em transformação.


Assim acontece a festa
Que não precisa salão:
Basta chuva, céu e terra,
Esperança e gratidão.
Porque quando a água chega,
Floresce toda a criação.