A fé: Entre o ver, o crer e o... Edineurai SaMarSi

A fé: Entre o ver, o crer e o compreender.

Não estou aqui para provar nada, tampouco pretendo fazê-lo. Afinal, cada pessoa possui seu próprio grau de evolução, que acontece de forma gradativa. Alguns parecem já nascer com essa percepção; outros a adquirem ao longo da vida. Há, porém, aqueles que passam a vida sem enxergar além do que lhes foi apresentado, sem questionar, sem aprender, vivendo no modo automático, seguindo padrões limitantes e presos a alguma zona de (des)conforto.

Vivem no raso, no morno, e jamais enxergarão além dos muros que o próprio tempo construiu — a menos que decidam ultrapassá-los.

E, sinceramente, não posso fazer nada a respeito. Afinal, quando alguém é condicionado a enxergar apenas o básico, tentar explicar algo que está além de sua compreensão naquele momento pode ser como entregar uma prova do 9º ano a uma criança do 1º ano: ela ainda não possui os conhecimentos necessários para resolvê-la. Seria uma perda de tempo exigir dela aquilo para o qual ainda não está preparada.

Por isso, continuarei contando a minha verdade, e cada um irá compreendê-la e absorvê-la de acordo com seu próprio desenvolvimento, suas experiências e sua capacidade de enxergar além daquilo que conhece.

Consigo compreender essa dificuldade e imagino como deve ser desafiador acreditar naquilo que nunca se vivenciou. Nem todas as pessoas nasceram e cresceram em meio ao mistério, buscando explicações para o inexplicável e tentando, ao mesmo tempo, encaixar suas experiências na mesma bolha em que todos parecem viver.

Mas eu já vi, ouvi e senti muita coisa para simplesmente fingir que nada aconteceu ou me calar como se essas experiências não fizessem parte da minha história.

Ainda assim, compreendo que isso é algo individual, pois também envolve a fé, as experiências e a maneira como cada um interpreta o mundo.

Ver não é o mesmo que crer. E tocar ou sentir também não significa, necessariamente, compreender.

Porque não depende de mim querer mostrar. Depende do outro estar disposto a olhar.

E há uma diferença enorme entre aquilo que alguém precisa ver para acreditar e aquilo que outra pessoa já não consegue negar porque faz parte da própria experiência.