GILBERTO FREYRE É PERNAMBUCANIDADE No... Jose Vidal de Negreiros Neto...

GILBERTO FREYRE É PERNAMBUCANIDADE


No Recife nasceu um mestre,
De pensamento profundo,
Que levou Pernambuco
Para conversar com o mundo;
Gilberto Freyre escreveu
Sobre o Brasil e seu mundo.


Foi homem de muitas letras,
De pesquisa e tradição,
Estudou nossa cultura,
Nossa gente e formação;
E enxergou Pernambuco
Com os olhos do coração.


Foi dele uma palavra
Que ganhou força e verdade:
“Pernambucanidade”,
Nome de uma identidade;
Um jeito de ser da terra,
Memória e brasilidade.


O próprio Freyre afirmou
Com segurança e clareza:
“Essa palavra fui eu
Quem criou”, com firmeza;
E disse que a empregara
Antes de outra autoria expressa.


Não marcou o ano exato
Da primeira utilização,
Mas deixou uma importante
Pista para a investigação:
Já usava “pernambucanidade”
Antes de quarenta e três, então.


Em Salvador, no quarenta e três,
Numa conferência realizada,
Usou o termo “baianidade”,
Expressão então registrada;
E em Belo Horizonte, depois,
“Mineiridade” foi lançada.


Assim, Freyre relacionava
Os nomes à identidade:
Baianidade na Bahia,
Mineiridade na cidade;
E em sua terra querida,
A força da pernambucanidade.


Depois o tempo confirmou
Que a palavra ganhou lugar;
Na imprensa e nos estudos
Começou a circular;
E Pernambuco passou
A nela se reconhecer e falar.


Até que em setenta anos,
No primeiro de fevereiro,
No Diario de Pernambuco,
Escreveu o seu roteiro:
“Pernambucanidade: o que é?”
E explicou seu pensamento inteiro.


“Está em foco entre nós”
— assim começa a reflexão —
A palavra pernambucana
Que provoca discussão;
E Freyre assume sua história
E também sua criação.


Não queria uma identidade
De intolerância ou prisão;
Não era fechar Pernambuco
Dentro de uma separação;
Era reconhecer sua história,
Sua cultura e formação.


Pernambuco sempre recebeu
Quem chegou de outra terra:
Gente que aqui fez história,
Plantou trabalho e encerra
Sua vida junto ao povo
Que esta terra abraça e encerra.


A pernambucanidade,
Para Freyre, não seria
Um muro contra outros povos,
Nem orgulho que excluiria;
Mas uma forma de ser
Que a própria história construía.


E Nilo Pereira depois
Deu ao tema dimensão;
Escreveu Pernambucanidade:
Alguns aspectos históricos,
Obra publicada em oitenta e três,
Dando à palavra investigação.


Nilo olhou nossa história,
Nosso povo e tradição;
E fez da pernambucanidade
Objeto de reflexão;
Mostrando que essa palavra
Já possuía outra dimensão.


Gilberto Freyre e Nilo
Entram nessa caminhada:
Um reivindica a palavra,
Outro amplia sua estrada;
E Pernambuco vai fazendo
Da memória uma morada.


Tem o Recife e seus rios,
Tem o frevo e o maracatu,
Tem o engenho e tem a Zona
Da Mata verde e azul;
Tem o sertão resistente
Sob o céu de Norte a Sul.


Tem Capiba e tem Gonzaga,
Tem Nabuco e Frei Caneca,
Tem Cabral e Bandeira,
Tem a cultura que não seca;
Tem o povo que transforma
Toda dor em vida e festa.


Tem Palmares na memória,
Tem Guararapes na história,
Tem 1817
Na lembrança e na glória;
Tem um povo que carrega
Suas lutas na memória.


Mas se a palavra é recente,
A história é muito mais:
Pernambuco vem de longe
Com seus sonhos e seus ideais;
A palavra apenas nomeia
Sentimentos ancestrais.


Por isso digo no verso,
Sem medo de exagerar:


Gilberto Freyre é
Pernambucanidade,
Porque deu nome à expressão
De uma antiga identidade;
E ajudou Pernambuco
A pensar sua própria verdade.


Não é somente uma palavra,
Nem somente um escritor;
É memória, é resistência,
É cultura, é povo, é valor;
É Pernambuco contando
A história de seu amor.


E se alguém perguntar
O que é pernambucanidade,
Responda com nossa história,
Com cultura e liberdade:
É ser filho dessa terra
Sem esquecer a humanidade.


Gilberto Freyre deixou
Uma palavra para a gente;
Nilo Pereira deu-lhe história,
Tornando o estudo presente;
E o povo de Pernambuco
Segue escrevendo o repente.


Pernambucanidade!
Palavra de identidade!
Gilberto Freyre lhe deu nome,
Pernambuco lhe deu verdade;
E o povo segue escrevendo
Sua própria eternidade.