QUANDO CONFIAR NA PRÓPRIA EXPERIÊNCIA... Carloseduardobalcarse
QUANDO CONFIAR NA PRÓPRIA EXPERIÊNCIA PODE NOS ENGANAR?
“Eu vi.” “Eu vivi.” “Aconteceu comigo.”
Essas afirmações possuem enorme força.
E deveriam possuir.
A experiência pessoal é uma fonte legítima de conhecimento sobre aquilo que experimentamos.
O problema surge quando ampliamos silenciosamente seu alcance.
Uma experiência individual pode dizer muito sobre um caso e muito pouco sobre uma população.
Pode revelar uma possibilidade sem revelar sua frequência. Pode demonstrar que algo aconteceu sem demonstrar por que aconteceu.
Nossa experiência tem uma vantagem poderosa sobre estatísticas abstratas: ela aconteceu conosco.
Por isso possui presença emocional, detalhes e memória.
Mas justamente essa proximidade pode fazer com que lhe atribuamos mais peso do que sua capacidade explicativa permite.
Discernir não significa desprezar experiência pessoal.
Significa situá-la.
Perguntar o que ela demonstra.
E, igualmente importante, o que ela não demonstra.
Uma experiência pode ser verdadeira e nossa interpretação sobre sua causa estar errada.
Esse talvez seja um dos pontos mais difíceis do pensamento humano.
Porque questionar nossa interpretação pode parecer questionar aquilo que vivemos.
Não é.
Respeitar uma experiência não exige transformar sua interpretação em lei universal.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
