Noites Brancas de Copacabana No Rio,... Matheus Horacio

Noites Brancas de Copacabana






No Rio, algumas noites parecem não terminar.


Não porque sejam bonitas — embora às vezes sejam —, mas porque a cidade continua acordada quando todo o resto do mundo já deveria estar dormindo.


Era quase meia-noite quando eu saí de casa sem saber exatamente para onde ia. Peguei a rua e deixei que o Rio decidisse por mim. Caminhei pela orla de Copacabana, com o barulho distante dos carros, vendedores recolhendo suas coisas e o mar fazendo aquele movimento paciente de quem não tem pressa nenhuma.


Eu gostava dessas horas.


Durante o dia, a cidade pertencia a todo mundo. À noite, pertencia aos solitários.


Foi perto de um banco, olhando para o mar, que encontrei uma moça.


Ela estava sozinha.


Não parecia triste. Apenas parecia estar esperando alguma coisa que talvez nem soubesse nomear.


Parei alguns metros adiante.


— Você está esperando alguém?


Ela olhou para mim.


— Estou.


— Ele vem?


Ela sorriu.


— Não sei.


E foi assim que começou.


Sentamos no mesmo banco, mantendo aquela distância educada que existe entre dois desconhecidos. Conversamos sobre coisas pequenas: o calor, o mar, a cidade, as pessoas que desaparecem sem explicar por quê.


Depois falamos de coisas maiores.


Ela me contou que gostava de andar pela cidade quando não conseguia dormir. Que tinha medo de ficar parada tempo demais porque, quando ficava, começava a pensar.


Eu disse que também fazia isso.


Ela perguntou:


— Você está fugindo de alguma coisa?


Pensei um pouco.


— Talvez de mim mesmo.


Ela riu.


— Então estamos no lugar certo.


Ficamos ali por horas.


O Rio parecia diferente naquela madrugada. As luzes dos prédios refletiam no mar, os ônibus passavam quase vazios e, de vez em quando, alguém surgia caminhando pela calçada como se também tivesse sido esquecido pelo sono.


Às quatro da manhã, ela finalmente me contou quem estava esperando.


Era alguém que amava.


Alguém que havia prometido encontrá-la naquela noite.


Mas ele não apareceu.


Ela dizia isso com calma, embora seus olhos contassem outra história.


Eu quis dizer que ela deveria esquecê-lo.


Quis dizer que ninguém deveria esperar tanto por alguém.


Mas descobri que existem conselhos que só servem para quem não está sofrendo.


Então fiquei em silêncio.


Quando o céu começou a clarear atrás dos prédios, ela se levantou.


— Acho que agora preciso ir.


— Para onde?


— Para casa.


— E ele?


Ela olhou para a avenida vazia.


— Acho que não vem mais.


Foi a primeira vez que ela pareceu realmente triste.


Caminhamos juntos até uma esquina.


Antes de ir embora, ela disse:


— Obrigada por ficar.


Eu respondi:


— Eu também precisava de alguém para ficar.


Ela sorriu.


Depois foi embora.


Eu continuei andando.


O sol começava a nascer sobre o Rio, devagar, revelando a cidade que durante algumas horas havia parecido pertencer somente a nós dois.


E foi então que entendi uma coisa:


há encontros que não foram feitos para durar.


Algumas pessoas atravessam nossa vida como essas noites cariocas — chegam silenciosamente, iluminam tudo por algumas horas e desaparecem quando o dia começa.


Mas isso não significa que tenham sido menos reais.


Talvez certas pessoas existam apenas para nos lembrar que ainda somos capazes de esperar por alguma coisa.


E, naquela manhã, enquanto o primeiro sol tocava o mar de Copacabana, eu percebi que pela primeira vez em muito tempo não estava com medo de voltar para casa sozinho.


Porque algumas noites terminam.


E mesmo assim,


deixam luz suficiente para a gente encontrar o caminho.